Sobre capital artístico autoral…

Depois de outro longo inverno; eis-me aqui! E com algo que sempre me intrigou desde minha entrada neste mundo da ‘cultura formal’…
Um comparativo sobre artistas e arte. Parece-me (mesmo porque eu sou bem pobrinho e nunca saí do país) que ao se falar sobre artistas, serviços artísticos e produções artísticas no exterior, as pessoas entendem estes realmente como um mercado de trabalho e não apenas um dom divino. Com isso, artistas e serviços artísticos são vistos como pessoas que trabalham para realizar o seu bom trabalho. E valorar um trabalho é o básico do básico. A questão é tão intrínseca lá ‘nas gringas’ que houve até uma greve de roteiristas que parou o showbiz americano. Sim, isso é organização e respeito pelo trabalho alheio. Sempre com vistas à questão empreendedora.

E hão casos interessantes que eu vi, que valem a pena serem relatados como exemplo de consideração do fazimento artístico e cultural como um trabalho e um investimento. ‘Recentemente’ (e isso já faz um bom tempo); vi no Youtube uma animação chamada ‘In a Heartbeat’; cujo acabamento é primoroso; tanto de roteiro quanto direção, e animação, e diagramação, e trilha sonora, etc… talvez não tenha conseguido prêmios em  festivais nem nada; mas projetou seu autores, Esteban Bravo e Beth David, de um modo jamais pensado. Mas o trabalho deles é o que vale, somente. Sim. E não, também; pois eles – e a animação criada por eles – são fruto de uma tradicional escola de cinema de animação. Que pensa adiante, nas benesses que produzem para um mercado de trabalho específico. Empreendedor…

Idem, uma websérie chamada The Vault; de Aaron Han e Mario Miscione, lançada no mesmo site de conteúdo audiovisual; totalmente autoproduzido. Com a principal função de ser um cartão de visitas apresentável. Um material para investimento futuro, e que deu certo. Encantados com esse conteúdo, foram contratados pela Netflix e produziram o longa ‘Circle’; com a mesma dinâmica e a mesma estética. Continuou funcionando.  Não sei mais sobre trabalhos da dupla, mas certamente não estão parados. Exercem a visão empreendedora da cultura e da arte. Isso é inerente à elas. Então, porque raios os artistas brasileiros ficam sempre à espera da nova política de fomento da esfera púbica de cultura? Descansaram nessa fórmula? Acomodaram-se em ser pedintes oficializados?

Conheço parceiros que demoraram anos para caírem si e realizarem ao menos UMA amostra do que pretende realizar para, aí sim, correr atrás de investidores. Antes, ficavam à espera de algum anjo que se apiedasse deles e investissem ‘a-fundo-perdido’. Não é assim que a banda toca…

Da mesma forma, alguns projetos de AV brasileiros os quais botei os olhos; alguns vingaram e projetaram seus colaboradores; outras naufragaram com medo de investir em si próprios. A websérie lgbt ‘Cariocas’ fez alguns diversos trailers mas NUNCA divulgou um episódio sequer, para provocar a plateia. Por outro lado, ‘3%’ e ‘Hoje eu quero voltar sozinho’ foram realizados; mostraram a que vieram e tiveram resultados positivíssimos! ‘3%’, eu vi o episódio online no Yt. Duração de 5 minutos! E se tornou série comprada pela mesma Netflix, com a 3ª temporada garantida! E “Eu não quero voltar sozinho”, foi tão acarinhado pelo público que garantiu presença na sua transformação em longa metragem, que, ainda, foi representante brasileiro ao Oscar e ganhou diversos festivais mundo afora.

A moral da história: se você acredita, invista. Se não grana, tempo. Se não tempo, empenho. Se não empenho, foco. Se não foco, sei lá… mas invista em si. Crie seu capital artístico autoral. E reinvista em si. E reinvista. E reinvista. E se não for descoberto, será conhecido. E reconhecido; pode ter certeza!

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