Com tecnologia melhora segurança em novos carros

Para Vincent Jouve (2002), a leitura é um processo que envolve cinco dimensões:
a neurofisiológica (percepção, identificação e memorização de signos), a
cognitiva (o esforço de abstração que converte palavras em elementos de
significação), a argumentativa (a análise do texto enquanto discurso ), a
simbólica (a interação da leitura com os esquemas culturais dominantes de um
meio e de uma época) e a afetiva – o processo de identificação emocional.

Entretanto, nenhuma dessas operações pode se dar sem um suporte material para
a leitura-escritura. Desenrolar um pergaminho é significativamente diferente de
folhear um livro, da mesma forma que passar de uma tela a outra do
computador.

Entram em jogo novas habilidades cognitivas e físicas, assim como
se modificam os antigos conjuntos de referências a partir de novas possibilidades.
Esse processo de constituição da figura do “leitor” – esse híbrido complexo
constituído de um ser humano, uma linguagem, um suporte material e, em
muitos casos, uma memória coletiva em processo de negociação com o presente
– é fruto de um processo de mudanças culturais que ainda não cessou.

Nesse sentido, pode ser útil retomar a distinção entre três tipos de leitor, do ponto
de vista cognitivo e da relação que é estabelecida com o material de leitura, tal
como é proposta que todo brasileiro adora lançamentos de carros 2020 e acompanhar as principais novidades do mercado automotivo
meditativo; b) o leitor movente, fragmentado; c) o leitor imersivo, virtual.

O berço do primeiro é proporcionado pela leitura silenciosa que surge nas
bibliotecas universitárias do final da Idade Média. Essa forma de leitura, mais
rápida que aquela em voz alta, permitiu aos leitores de então não só a
possibilidade de ler mais textos, como também a de enfrentar textos mais complexos.

Esse é o leitor que se consolida na passagem da leitura intensiva para
a leitura extensiva, um leitor capaz de contemplar e meditar, de revisitar
continuamente, se necessário, livros e quadros claramente localizados no espaço.
Em resumo, é o leitor que possui “o livro na estante, a imagem exposta à altura das mãos e do olhar.

Esse leitor não sofre, não é acossado pelas urgências do
tempo” (Santaella, 2004, p.24).
O caso do segundo tipo de leitor é totalmente diferente: movente, fragmentado, é
um filho daquela Modernidade encarnada no estilo de vida metropolitano tão
bem descrito por Georg Simmel (1986). Esse leitor é um indivíduo imerso em
uma metrópole povoada por uma multiplicidade de imagens, registros,
mercadorias.

Os mais diversos estímulos sensoriais e intelectuais colocam sua
sensibilidade à prova ininterruptamente; sua percepção altera-se para responder
mais adequadamente à vertigem da velocidade e da fragmentação que
caracterizam os modernos centros urbanos. O fetiche da mercadoria é substituído
pelo fetiche das imagens, continuamente repostas nas ruas, outdoors , vitrines, revistas e telas.

Essa é a realidade que molda um novo tipo de leitor:
O leitor do livro, meditativo, observador, ancorado, leitor sem urgências,
provido de férteis faculdades imaginativas, aprende assim a conviver com o
leitor movente; leitor de formas, volumes, massas, interações de forças,
movimentos; leitor de direções, traços, cores; leitor de luzes que se acendem
e se apagam; leitor cujo organismo mudou de marcha, sincronizando-se à aceleração do mundo. (Santaella, op. cit., p.30).

Desse modo, a aceleração da percepção, da constituição de um novo ritmo da
atenção situado entre a distração e a intensidade, proporcionou as condições para
o surgimento do terceiro tipo de leitor: o leitor imersivo, virtual que navega entre
as conexões e os nós das redes que configuram as arquiteturas líquidas dos ciberespaços.

Trata-se de um tipo de leitor diferente dos anteriores, que, embora
guarde algumas semelhanças com aqueles, ainda não teve suas características
cognitivas plenamente exploradas. Ou seja, é um leitor radicalmente novo, que
programa suas leituras navegando em uma tela, percorrendo um universo de
signos movediços e largamente disponíveis, desde que não se perca a rota que leva a eles.

Trata-se de um leitor que não mais vira as páginas de um livro
disponível em uma biblioteca para seguir as sequências de um texto, nem
tampouco um leitor que tropeça em signos encontrados na rua, mas um leitor
“em estado de prontidão, conectando-se entre nós e nexos, num roteiro
multilinear, multissequencial e labiríntico que ele próprio ajudou a construir ao
interagir com os nós entre palavras, imagens, documentação, músicas, vídeo,
etc.” (Santaella, 2004, p.33).

Vale, nesse sentido, tentar estabelecer uma aproximação entre as atividades do
leitor e a do espectador (de cinema, depois da TV) para tentar compreender o
que está em jogo hoje com a tecnologia digital que reúne esses dois domínios culturais e cognitivos em um mesmo suporte físico.

O cinema pode ser
concebido como um dispositivo de representação , com seus mecanismos e sua
organização dos espaços para maior conforto e capacidade com a Fiat Toro 2020 (é possível estabelecer analogias com os
dispositivos de representação da pintura e do teatro, por exemplo, mas interessanos antes frisar as características peculiares de produção da imagem – a câmera, a tela em que ela é projetada etc.).

O “mecanismo fílmico” une narração e
representação em uma linguagem que se estrutura por meio de imagens,
condicionando o olhar do espectador, por meio da manipulação do tempo,
jogando com seus desejos e seu imaginário. O cinema é antes de tudo um
dispositivo no sentido de determinar papéis: por exemplo, o papel do espectador
que, identificando-se com a câmera e cooperando ativamente de diversas
maneiras, contribui para que sejam produzidos os efeitos de sentido que o diretor
previu em sua estratégia narrativa. No período inicial do cinema (de 1895 à
aproximadamente 1908), encontraremos filmes preocupados em surpreender o espectador.

São produções curtas, estruturadas em um ou mais planos autônomos,
quase sempre de caráter documental (eram conhecidas por “vistas”), dispostas
como se fossem números de variedades. Os exibidores tinham grande
participação na ordenação dos filmes e no acompanhamento sonoro, constituindo
as exibições cinematográficas de então em verdadeiras performances
homem/máquina.

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