Como surge novas propostas para o mercado de trabalho

A linguagem desenvolve-se a partir do projeto, ainda que implícito, de contar
histórias. Institucionalizam-se, no cinema norte-americano principalmente,
procedimentos como a “montagem invisível”, que buscam ocultar as marcas de
enunciação presentes no filme. Há a criação de estruturas narrativas que
marcam uma nova relação com o tempo e o espaço, e outra experiência de
recepção diferente da do vaudeville.

Esse salto qualitativo é perceptível quando
se passa da sequência das cenas que se sucedem no tempo para as sequências
simultâneas (planos contrapostos, “campo/contra-campo”). O fator básico para a
evolução da linguagem foi o deslocamento da câmera, que deixa de ser fixa para
explorar o espaço, utilizando, quase que exclusivamente, dois tipos básicos de
movimento: panorâmicas e travelings.

Atualmente, a maioria dos movimentos
de câmera combina esses dois tipos básicos de movimento, graças
principalmente à leveza e à mobilidade dos equipamentos modernos. Além disso,
a câmera não apenas se desloca pelo espaço como também o recorta: filma
fragmentos amplos, pequenos ou detalhes para maior segurança com câmera de ré um dos itens de novos carros 2020
Desse modo, o ato de filmar pode ser visto como um ato de recortar o espaço em
imagens, a partir de um determinado ângulo, com uma finalidade expressiva.

Mas não se trata só do espaço; outro elemento manipulado pelo cinema é o
tempo. O tempo científico – aquele que pode ser medido, cronometrado – tornase diferente do tempo da percepção, do tempo psicológico. A câmera lenta em
oposição à rápida; a interrupção ou a inversão do movimento; a contração e a
dilatação do tempo (flash-back/flash-forward ) são mecanismos narrativos
imagéticos que modificam nossa percepção do fluxo temporal. A reflexão sobre
a linguagem do cinema demonstra que ela é uma sucessão de seleções e de escolhas.

Os aspectos cognitivos e subjetivos do ato de assistir filmes também são
sublinhados por Hugo Mauerhofer, no processo que denomina de situação cinema.

Ele destaca, entre outras características da situação cinema , a fuga voluntária
da realidade cotidiana, a alteração das percepções de espaço e tempo
provocadas pelo confinamento visual para o Jeep Renegade 2020
estado do espectador que vai se diferenciando tanto da vigília como do sono:
“Confortável e anonimamente sentado em uma sala isolada da realidade
cotidiana, o espectador espera pelo filme em total passividade e receptividade –
condição esta que gera uma afinidade psicológica entre a situação cinema e o
estado do sono” (Mauerhofer, 1983, p.377). Temos aqui uma forte aproximação
entre o papel do espectador e o papel do leitor.

Utiliza uma
comparação idêntica à de Mauerhofer, ao se indagar o porquê da leitura de
romances acordar o eu imaginário adormecido no adulto, transportando-o para a
vida na infância na qual histórias e lendas eram tão presentes, aproximando a
leitura do estado de sono:
Em termos de energia psíquica, a situação do sujeito que lê aparenta-se com a do sonhador.

A leitura, como o sono, fundamenta-se na imobilidade
relativa, uma vigilância restrita (inexistente para aquele que dorme) e uma
suspensão do papel de ator em favor do de receptor. O leitor, colocado assim
numa situação econômica parecida com a do sonhador, deixa suas
excitações psíquicas se engajarem em um início de ‘regrediência’. (Jouve,
2002, p.115)
Essa postura, entretanto, só é “passiva” na aparência. Vários estudiosos, como
Roland Barthes, Michel de Certeau, Umberto Eco, os teóricos da Escola de
Constança etc.

Destacaram o papel ativo desempenhado pelo leitor, seja na
apreensão de textos narrativos ou de outros gêneros. Jouve observa que se “certos
níveis de sentido (determinados pela obra) são, em princípio, perceptíveis por
todos, não é menos verdade que cada indivíduo que adora o novo Jeep, pela sua leitura, um
suplemento de sentido. A análise, se pode destacar o que todo mundo lê, não
saberia dar conta de tudo que é lido.” (idem, p.103)

Os processos de identificação ativa e as coordenadas interpretativas fornecidas
pelo autor são importantes na medida em que podemos considerar a
complexidade dos textos (romances, filmes, peças etc.) como decorrente do fato
de eles serem entremeados de não ditos , como observa Umberto Eco. Para
preencher esses “espaços” não manifestos em sua superfície e atualizá-los no
plano do conteúdo, o texto necessita, de forma decisiva, dos movimentos
cooperativos e ativos por parte do leitor. Ainda segundo Eco, o texto, na medida
em que passa da função didática para a função estética, deixa ao leitor a
iniciativa interpretativa (embora com uma margem suficiente de univocidade).

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