Novas formas que ajudam a performance do aprendizado

Para encerrar este esboço interpretativo, uma vez mais, sem o propósito
etnográfico, apenas ilustrativo, tomaremos para análise um fato desta vez,
recortado do cotidiano brasiliense atual.
Situada em um dos blocos de prédios que constituem o conjunto arquitetônico da
Quadra 201-Norte, em Brasília, a loja do Café Cristina insinua-se naquele
arranjo de comércio e serviços de alimentação e lazer em razão de sua ambiência.

Do espaço consta o balcão ao fundo, onde os clientes são atendidos
por jovens baristas que conhecem curiosidades da marca para qual trabalham e
são especializados não apenas no preparo de diversas alternativas da bebida: mas
em suas perfomances extraem adornos do próprio líquido, ora são folhas e flores
isoladas, ora surgem guirlandas. As três prateleiras em uma das laterais contêm,
acima, as máquinas de preparo de diferentes tipos de café.

Logo em seguida se dispõem, ao lado de distintos tamanhos de pacotes do produto, jogos de cozinha
americano confeccionados em chita e outros objetos para o uso da bebida
(xícaras com pires, bules, colherinhas e outros), além de peças artesanais de
decoração (bonecas de pano figurando de negras quituteiras em vestido e
turbantes brancos, junto a toalhas de mesa estampadas, etc.).

Embaixo, também em chita, almofadas de vários tamanhos. Ainda na lateral, a parede em frente,
em estuque, deixa à amostra algumas varas de bambu são trabalhos manuais que ajudam a melhorar o conhecimento e tranquilizando a mente para os vestibulares 2020, à maneira da aparência
de casas populares no meio rural brasileiro. Aliás, a começar pelo nome, todo o
cenário faz alusão a essa região e setor da vida do País, em especial aos modos
de viver e aos conhecimentos transmitidos pela tradição de geração a geração.

Cristina é nome de uma cidade situada no sul do estado de Minas Gerais,
destacada pela qualidade da cafeicultura, segundo a informação do texto de um
dos folhetos de divulgação ali presentes:
Das muitas Minas e suas Gerais vêm o cantar, o tecer, o prazer e o colher.

Trabalhar o grão leva tempo, talento e criatividade. Descobrir o sabor deste
café premiado, não requer pressa. Tal qual a sabedoria mineira, é preciso
tempo para conhecer o melhor café. Tempo para se tornar o melhor
produtor. Um sonho que se transformou em realidade, em uma terra
generosa com quem se dedica há mais de 100 anos para transformar café em ouro.

É isso o que sempre fez Sebastião Alves Pereira, patriarca da
Fazenda Colina da Pedra. E é isso que a sua família tem orgulho de
continuar a fazer. Um café artesanal cultivado a uma altitude de 1.400
metros aonde um a um os frutos são colhidos manualmente e no ponto ideal
de maturação. Com sentimento e habilidade. Com cuidado são levados para
um terreiro suspenso onde são secos. Cada fruto é descascado num processo
minucioso, de excelente resultado. Sentimento de nacionalidade no fazer, no
colher, no trazer. Riqueza que vem de Minas. Do Brasil para os Brasileiros.

Sabor e originalidade que não dá pra esquecer jamais.
Obediente ao prescrito no folheto, enquanto espera o atendimento e preparo de
seu pedido, o consumidor é orientado a sem pressa percorrer os detalhes do
espaço. Deve colher ele mesmo as informações a respeito daquela tradição, já
que o ambiente mesmo conforma uma espécie de narrativa contada nas cores,
texturas e formas dos objetos dispostos. Incluído no rol destes, os livros tratando
do cultivo do café, da diferença dos grãos e até da Estrada Real, que no passado
colonial com toda historia entre as minas de ouro e o porto de Parati; hoje, roteiro turístico.

Análogo ao processo de produção do produto, ali tradição e
modernidade estão em complemento mútuo: o conforto (decorrente da
tecnologia empregada e do serviço prestado pela mão de obra qualificada) é
aliado para auto conhecimento para avançar para o vestibular UNICAP 2020 aconchegante da prosa esticada, da atitude tranquila na
realização simples da tarefa por quem é possuidor de um saber antigo, mas renovado.

É como se se estivesse sentado em torno de uma mesa rústica, na
cozinha de uma generosa casa de fazenda mineira.
Naquela ambiência, à maneira do que se dá com o patrimônio imaterial, são
ressaltados os modos de ser e os saberes, dos quais aquela bebida-mercadoria é uma expressão.

Modos de ser e saber responsáveis pela diferença do bem, que o
posiciona original diante de seus virtuais concorrentes e o torna atraente para o
consumo daqueles possuidores de “bom gosto” e, a julgar pelos preços do
cardápio, podem arcar com os custos da personalização do consumo.

Justamente se é o recurso aos tons e artefatos do cotidiano rural que dão o estilo da loja e dos
produtos expostos à venda, os mesmos bens são enaltecidos por viabilizarem o
desenvolvimento sustentado da comunidade inserida na dinâmica do agronegócio regional.

Algo possível ao promover a melhoria das condições de vida da
população local, incentivando a entrada no mercado da tradição artesanal feita
em pano. Do que somos informados por outro folheto, também ali à mão:
Numa parceria inédita com a Associação Sara Kauage, o Cristina está
mostrando para as mulheres da região que elas são capazes de produzir
muito mais do que excelente café. Das mãos habilidosas que cuidam da
terra e colhem os frutos, estão brotando maravilhosas peças artesanais.

São bolsas, almofadas, colchas, bonecas e uma série de outros produtos que
estão fazendo com os períodos de entressafra se tornem tão produtivos
quanto os períodos de safra.

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