Na sexta-feira, 30 de abril, o pessoal do Coworking São Carlos facilitou localmente um evento Mozilla Drumbeat. Assim como nos encontros que já aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo, foi uma conversa para levantar ideias e possibilidades, contribuindo para desenhar o que será a ação Drumbeat no Brasil.
Os articuladores locais do evento, Fabrício Zuardi (@fczuardi) e Marcio Galli (@taboca), do CWSC, reuniram cerca de 15 pessoas para o encontro – entre eles, estudantes de duas importantes universidades de engenharia e tecnologia da informação que são baseadas na cidade (UFSCar e USP – São Carlos), participantes da comunidade Mozilla no Brasil e ativistas do software livre. Nós também montamos uma caravana de São Paulo para participar do Drumbeat São Carlos. Fomos eu, @danielabsilva, e o @markun (que estamos articulando as primeiras ações Drumbeat no Brasil); e convidamos também @felipemeyer e @minkalia, colegas da Casa de Cultura Digital.
Assim como fizemos em Sampa, começamos o papo retomando a primeira memória da web de cada um dos presentes (algumas fotos aqui). A ideia do Drumbeat é permitir que, daqui a 50, 100 anos, as nossas lembranças da web sejam tão divertidas o quanto elas são hoje. Depois disso, fizemos uma apresentação básica do projeto e abrimos o espaço pras conversas.
Apesar da iniciativa Drumbeat ser voltada pra incluir a participação de públicos não necessariamente ligados às práticas da internet, juntar um grupo como o de São Carlos, de desenvolvedores e pensadores da rede, gera excelentes reflexões sobre o processo – e algumas ideias que certamente poderão virar projetos Drumbeat no futuro.
Rodrigo Rodrigues (Pitanga) levantou o ponto de que uma das ameaças a web aberta é o fato de que os interesses do mercado acabam barrando algumas possibilidades de ação autônoma na rede – como o Taboca comentou aqui e aqui. Combinamos de levar essa discussão – se todos os nós da rede realmente se equivalem ou podem/deveriam se equivaler, em prol da descentralização – pro processo colaborativo do Marco Civil da Internet Brasileira.
Essa conversa também culminou na percepção de que, ao contrário dos desenvolvedores, programadores e usuários avançados de web; os usuários comuns, que são público da Drumbeat, estão restritos aos serviços oferecidos na nuvem – e por isso sua relação com uma web aberta e participativa acaba sendo muito mais mediada e muito menos autônoma. Surgiu a ideia de começar um Autonomous Camp – uma iniciativa que ensine pessoas a hospedarem seus próprios blogs e servidores de e-mail, por exemplo, dando a elas poder sobre a sua vida online.
O Taboca também falou sobre pequenos projetos a favor da neutralidade da rede que podem estimular o conhecimento de todas as pessoas sobre esse tema. Por exemplo: plugins de desktop ou firefox que mostrem o nível de abertura da rede nos lugares onde se está navegando, podem gerar mais pressão pública por uma internet aberta.
Depois disso, fizemos uma rodada de apresentação de projetos, com cinco minutos para a exposição de cada ideia (algumas fotos aqui). Os projetos foram:
- Armando Neto – ideia de API/aplicativo dos dados de transporte público em São Carlos.
- Felipe Sanches - Universal Subtitles
- Fabricio Zuardi – Public Videos
- Marcio Galli – Taboca, Telasocial
- Wellington Fernando de Macedo - WebSockets work for Mozilla Core
- Felipe Gomes – Processing.js
Ficou a provocação de pensarmos em como trazer públicos que não estão próximos das questões técnicas e práticas da rede para participare de iniciativas por uma internet melhor. Como um médico pode participar da Drumbeat? Como um professor pode atuar em prol de uma web aberta?
Terminamos com uma comemoração adiantada do 5 de Maio (mais fotos aqui), com totopes e guacamole, seguida de pizza, cerveja e da hilária playlist do Fabrício no YouTube – com os remixes que, daqui a 50 ou 100 anos, podem virar as lembranças felizes de uma web que ainda seja tão interessante e transformadora quanto é hoje.
