sexta-feira, 12 de março de 2010

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“A cultura aumenta o grau de coesão e a harmonia entre os agentes econômicos locais”, entrevista com Carlos Paiva

Só por ter nomes como Dorival Caymmi, João Gilberto, Jorge Amado, Glauber Rocha, Caetano Veloso, Gilberto Gil e mais uma seleção dos mais importantes artistas brasileiros, a Bahia já teria um lugar permanente no cenário cultural em todo mundo.

Além desses panteões e de uma das mais ricas tradições populares no país, a Bahia foi um dos primeiros estados brasileiros a organizar sua produção cultural em uma lógica da economia da cultura.

A importância de manifestações como o carnaval, a cultura afro e a arquitetura de todo o Estado tem um impacto significativo na Economia local.

O blog de Economia da Cultura conversou com o Superintendente de Promoção Cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Carlos Paiva que deu os detalhes sobre a participação no Cultura em Pauta e sobre como o Estado vem pensando a economia no setor cultural.

1) Qual a importância da cultura na economia baiana?

Devido a diversidade cultural da Bahia e seu valioso patrimônio histórico, a cultura impacta a economia de pelo menos cinco maneiras: 1- assegura a atração de turistas e visitantes interessados no patrimônio cultural de Estado ou em suas atividades artísticas; é o caso do Carnaval de Salvador; 2 – injeta renda e cria empregos na economia local; 3 – agrega valor ao produto local através da incorporação de valor simbólico – estético, religioso, histórico etc.; assim, se paga mais por produtos com “assinatura”, “design”, “marca” ou “origem”; isso impõe, inclusive, a defesa de sua produção através de certificações de origem: “chocolate de Ilhéus”, “carne de sol de Itororó”, “cachaça da Chapada Diamantina”; 4 – favorece a atração de trabalhadores qualificados, empresários e empresas, na medida em que assegura uma melhor qualidade de vida – cidades atraentes têm intensa vida cultural; 5 – a cultura aumenta o grau de coesão e a harmonia entre os agentes econômicos locais, na medida em que contribui para a redução da exclusão social, estimula o trabalho cooperativo, a inovação e o empreendedorismo.

2) Como o Estado da Bahia tem pensado a Economia da Cultura? Quais são as linhas gerais?

O primeiro desafio do estado é iniciar o trabalho de mensurar o tamanho desta economia, seus modelos de negócios, gargalos e oportunidades, permitindo a otimização dos recursos públicos direcionados para o setor. Para isso, temos desenvolvido estudos e pesquisas sobre o carnaval, o audiovisual, o livro e a música baiana, além de debates com especialistas de todo o país para que nossos estudos dialoguem com iniciativas similares no resto do Brasil.

Implantamos também linhas de crédito específicas para a cultura, em parceria com o Desenbahia, agência de desenvolvimento estadual. Hoje temos disponível a linha de microcrédito para pessoas físicas que necessitem de até R$ 10 mil e uma linha de crédito para empresas de R$ 10 mil a R$ 1 milhão, cobrindo a faixa intermediária entre nosso microcrédito e as linhas do BNDES.

Estamos também implantando linhas específicas de capacitação dos empreendedores com cursos focados nas peculiridades da economia da cultura e iniciando uma política de promoção da produção cultural baiana independente, extremamente diversificada e de alta qualidade, no país e no exterior.

Do ponto de vista dos investimentos públicos, aumentamos consideravelmente o investimento direto, através do Fundo de Cultura e estamos procurando parcerias com outras secretarias, já que o estado é um grande comprador de produtos culturais, através por exemplo de secretarias como a de Educação.

3) A indústria do carnaval é uma realidade na economia baiana há algum tempo, mas pesquisas e reportagens mostram que ainda há uma série de gargalos a serem superado (como a informalidade e as precariedades das condições trabalhistas), o que vem sendo feito e quais os próximos passos?

O Carnaval foi objeto das nossas primeiras pesquisas. Hoje sabemos que ele movimenta mais de R$ 500 milhões de reais, sendo a maior parte destes recursos oriundos de patrocinio ou renda com gastos dos foliões. Sabemos também que o Carnaval constitui-se em uma oportunidade privilegiada de geração de emprego e renda, movimentando
a economia formal, os pequenos negócios e, sobretudo, a economia informal. Foram cerca de 100 mil soteropolitanos trabalhando na festa em 2009 (4% da População em Idade Ativa). São profissionais de várias áreas – servidores públicos, artistas, músicos, policiais, técnicos, ambulantes, cordeiros, seguranças particulares, encarregados de limpeza etc. Este ano, o poder municipal, responsável pela organização da festa, anunciou a criação do Estatuto do Carnaval que tem o objetivo de regular áreas de serviço e trabalhistas durante o Carnaval, dentre elas, estavam regras para garantir um melhor tratamento dos “cordeiros” que são os que mais sofrem com as condições de trabalho durante a festa. Em 2010, a Secretaria de Cultura deu um apoio institucional para a cooperativa de catadores de resíduos sólidos, numa parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, para melhorar os locais de coleta desses resíduos no circuito do Carnaval.

4) Qual a estratégia do governo de fomentar a criatividade e a cultura como um negócio? Existem setores estratégicos?

A estratégia está fundamentada em 5 eixos: “Informação e Reflexão”, com o levantamento de dados consistentes e reflexão qualificada sobre a dimensão econômica da cultura no Estado; “Qualificação”, estimulando a formalização e promovendo uma cultura empreendedora e a apropriação de conhecimentos técnicos específicos para os negócios em cultura; “Promoção” com o desenvolvimento de material representativo dos artistas dos diversos segmentos assim como o apoio com o deslocamento para feira de negócios nacionais e internacionais; “Fomento especializado”, com linhas de créditos formatadas especificamente para o setor cultural.

Estamos trabalhando com todas as áreas, sem restrições, mas temos tido maior procura dos empresários do audiovisual, música e do segmento do livro.

5) Qual a importância da criação do Cultura em Pauta no desenvolvimento da Economia da Cultura no Brasil?

Ainda é recente as experiências de políticas públicas para a economia da cultura ou economia criativa, como alguns países preferem trabalhar. Por isso a criação de um espaço para trocas de experiências e reflexões sobre este campo é essencial para acelerar o amadurecimento de políticas eficientes para a área. Na área da Cultura, dados são fundamentais para a implantação de políticas e o Cultura em Pauta pode ser uma ferramenta a mais nesse universo.


Notícias diárias sobre Economia da Cultura

A partir de agora, o blog da Coordenação Geral de Economia da Cultura e Estudos Culturais também traz diariamente uma lista de notícias sobre o tema no Brasil e no mundo.

Acesse a listagem aqui, comente e contribua.


Coordenação Geral de Economia da Cultura, secretarias e fundações estaduais de Cultura lançam “em_pauta”

No dia 27 de janeiro, a iniciativa “em_pauta” foi apresentada no Fórum de Secretários Nacionais de Cultura. A iniciativa reúne a Coordenação Geral de Economia da Cultura e Estudos Culturais do MinC e as secretarias de Cultura de vários estados para a promoção de políticas de economia da cultura.

O projeto foi idelaizado em parceria pelas secretarias de Estado de Pernambuco, Bahia, Acre, Rio de Janeiro e Santa Catarina.O objetivo é incentivar a esfera pública a pensar Economia da Cultura e a construir um programa comum entre Governo Federal e Estados.

No encontro foram apresentados alguns conceitos e metas que o grupo pretende trabalhar. Confira a apresentação aqui.

Apresentação do “em_pauta” (PDF)


O mercado editorial da música na época da reprodutibilidade digital

Sydnei Sanchez Nehemias Gueiros e Gustavo Aniteli na discussão dos direitos autorais

Sydnei Sanchez Nehemias Gueiros e Gustavo Aniteli na discussão dos direitos autorais

Nada é pequeno quando se fala do crescimento na Internet. Um estudo da Cisco Visual Network Index confirma que o tráfego da Internet no Brasil irá praticamente triplicar em 2009 e crescer 24 vezes em 2013 em comparação ao que era no final de 2008.

Até 2013, mais de 200 horas de vídeo irão percorrer a internet a cada segundo, apenas no Brasil. Considerando todos os países analisados no estudo, o Brasil tem uma das mais altas taxas de crescimento previstas. O aumento do tráfego móvel no país será estratosférico, atingindo, em cinco anos,  um volume 124 vezes maior do que se registrava no final de 2008.

Com números tão grandiosos, os editores e seus advogados colocam uma questão: para onde vai a questão dos direitos autorais nos próximos anos? Como o autor pode sobreviver nesses dias?Afinal, boa parte desse tráfego diz respeito ao download gratuito de arquivos em mp3, filmes e games.

As respostas ainda parecem bem distantes. Pelo menos, o debate mostrou uma realidade em que o confronto ainda é a mola mestra.

A discussão foi polarizada e reuniu de um lado os advogados de direitos autorais, Nehemias Gueiros Jr. e Sydney Sanchez, o editor Marcos Jucá, da Nossa Música Edições Musicais, e de outro  o produtor Gustavo Aniteli, que trabalha com o grupo Teatro Mágico e é um dos fundadores do Música pra Baixar (MPB).

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Como monetizar o seu fonograma?

Debatedores em busca de modelos para venda dos fonogramas

Debatedores em busca de modelos para venda dos fonogramas

Apesar de nunca ter sido a principal fonte de receita do músico, a venda de discos sempre foi um dos indicadores de seu sucesso. Com a internet, a venda de CDs despencou e, no Brasil, ainda não se encontrou a melhor alternativas de se comercializar os tais fonogramas.

Um dos painéis da Feira Música Brasil 2009 tocou exatamente nessa questão.  O debate girou em torno da pergunta: “Como monetizar o seu fonograma?”.

 A mesa reuniu o diretor do UOL Showbizz, Jan Fjeld, o sócio da Monstros Discos, Léo Bigode, o presidente da ABMI (Associação Brasileira de Música Independente), Roberto de Carvalho, a fundadora e presidente do bloco Ara Ketu, Vera Lacerda, e o superintendente do Auditório Ibirapuera em São Paulo, Pena Schmidt.

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O mercado de shows no Brasil

Ofuji, Mancebo, Amorim, Mamoni e Youssef no debate

Da esq. pra dir.: Ofuji, Mancebo, Amorim, Mamoni e Youssef no debate

A polarização entre casas de grande e médio porte marcou o primeiro painel do Feira Música Brasil 2009. O debate contou com a presença do diretor-executivo da Feira Música Brasil, Carlos “KK” Mamoni, do proprietário do grupo Tom Brasil, Paulo Amorim, do sócio e curador do Studio SP, Alexandre Youssef, do gerente do Sesc São Paulo, Felipe Mancebo, e do  produtor da Banda Móveis Coloniais de Acaju, Fabrício Ofuji.

Para Paulo Amorim – que administra grandes casa de show como o Vivo Rio, o HSBC Brasil e outras -, o mercado está de morno para fraco. Segundo ele, não houve renovação das grandes estrelas da MPB. São poucos os que firmam como nomes estabelecidos para todas as classes sociais e por isso o retorno de um espetáculo internacional é mais garantido.

“Os artistas mais consagrados do showbiz brasileiro têm custos muito altos e o retorno deles tem sido incerto. Eles não se renovaram e também estão perdendo público”, defendeu Amorim. O empresário ainda acha que o público mais jovem não quer modelos de casa de shows onde a pessoa paga ingresso, assiste o show e vai embora. “O público jovem acha que o dinheiro tem de render mais. Eles querem o show e a festa junto”.
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Alexandre Youssef concordou que os novos espaços têm mesmo que trabalhar o conceito da festa, mas discordou de Amorim quanto à temperatura do mercado de shows. Segundo ele, em espaços como o Studio SP, na capital paulista, e o Teatro Odisséia, no Rio, a cena musical tem “borbulhado”.

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Mercado da Música em pauta

Hoje começa a Feira Música Brasil 2009. Maior evento do gênero na América Latina, a FMB2009 reúne shows, painéis, rodada de negócios e vai ser um ponto de encontro para se discutir toda cadeia de produção da música no Brasil e seus dilemas.

O evento tem apoio do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec), da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura e o blog da Coordenação de Economia da Cultura do MinC vai cobrir toda a conferência.

A idéia é reunir material para se debater quais devem os próximos passos da cadeia da música no Brasil. A FMB2009 começa hoje e vai até sábado. Até lá estaremos de olho na programação. Confira:



Painéis

Local: Teatro Apolo

Rua Apolo 212, Bairro do Recife

Dia 1 – 10/12 – MERCADO BRASILEIRO

Painel 1 |   11:00 às 13:00

O MERCADO DE SHOWS NO BRASIL – UM RAIO-X

Como está a temperatura do mercado de show nacional? Quente, morno ou frio? O show ao vivo está realmente provendo o músico com a receita necessária para contrabalançar a queda nas vendas dos CDs e a decolagem do mundo digital? Essas e outras vertentes do atual mercado de shows no Brasil serão debatidas por quem entende do assunto.

Painel 2 |  14:00 às 16:00

NOVA ERA… NOVO MODELO – COMO MONETIZAR SEU FONOGRAMA

O mundo da música se transforma na velocidade da luz. Como a indústria está se reposicionando em relação ao valor do fonograma? Esse painel irá debater os desafios e soluções que o músico está enfrentando para contemplar o seu auto-sustento através da música.

Painel 3  |  16:00 às 18:00

UM PANORAMA DO MERCADO EDITORIAL NOS DIAS DE HOJE

Especialistas do segmento discutem a relação do mercado e da rápida ascensão do digital.

Dia 2 – 11/12 – CULTURA DIGITAL

Painel 1  |  11:00 às 13:00

MARKETING E DIVULGAÇÃO NA ERA DIGITAL

Como usar as ferramentas disponíveis hoje para a música atingir seus objetivos no universo digital?  Atualmente, milhares de pessoas podem se comunicar com outras milhares, mas essa fragmentação requer muito mais esforço que no passado. Onde estar, como estar e para que estar presente em tudo? Esse painel discutirá esse tema essencial na carreira de qualquer artista.

Painel 2  |  14:00 às 16:00

DOWNLOAD X STREAMING

O MP3 já é coisa do passado? O download legal está realmente crescendo? Como olhar para essas tendências e conseguir estar no lugar certo, na hora certa. Descubra nesse painel se o download ou streaming pode se complementar e saciar o consumidor de hoje?

DISCURSO KEYNOTE FEIRA MUSICA BRASIL: GERD LEONHARD, MUSIC 2.0 |  16:00 às 18:00

O alemão Gerd Leonhard, é autor dos livros The Future of Music, com David Kusek, e Music 2.0, considerados leituras obrigatórias sobre os caminhos da música na era digital, virá à Feira Música Brasil 2009. tuando há mais de 25 anos na indústria de tecnologia e entretenimento nos Estados Unidos, Europa e Ásia, Gerd Leonhard é também co-fundador e CEO da Sonific, empresa sediada em São Francisco que provê widgets musicais e aplicativos para blogs, redes sociais e comunidades online. Ganhador do prêmio Quincy Jones em 1986 e graduado pela Berklee College of Music foi eleito pelo The Wall Street Journal como um dos principais futuristas dos meios de comunicação no mundo. Seu trabalho é focado no futuro da mídia, conteúdo, tecnologia, negócios, comunicação e cultura, Web / Media 2.0, redes sociais, mudanças culturais através das novas tecnologias, copyright versus questões tecnológicas, modelos de comércio online, convergência de mídia, entretenimento móvel, empreendedorismo, futuro da publicidade e branding de planejamento, entre outros.

Dia 3 – 12/12 – TENDÊNCIAS

Painel 1  |  11:00 às 13:00

GESTÃO DE CARREIRAS – O EMPRESÁRIO COMO FOCO DA NOVA ARQUITETURA ARTÍSTICA

Hoje o papel do empresário é mais importante do que nunca. Estratégia, conhecimento, perspicácia e visão são fundamentais na vida de um artista. O que significa ser um empresário hoje em dia? Empresários de diversos portes e áreas apresentarão suas visões nesses desafiadores tempos musicais.

Painel 2: 14 às 16h

O MERCADO BRASILEIRO NA AMÉRICA LATINA E IBÉRIA – A NOVA FRONTEIRA AINDA NÃO EXPLORADA?

Com o mercado Europeu e Norte-Americano cada vez mais apresentando obstáculos de divulgação para o artista brasileiro, será que se olharmos para nossos mercados vizinhos poderemos contemplar melhores retornos? Porque ainda é tão desafiador entrar nesses mercados de uma forma forte e impactante? Pode ser essa a nova tendência? Nosso painel irá analisar esse e outros desafios que o artista brasileiro se depara quando tenta conquistar esses mercados tão próximos.

Painel 3  |  16:00 às 18:00

A RÁDIO NOS DIAS DE HOJE – ONLINEOFFLINE ONDE ESTÁ E PARA ONDE VAI?

Nosso painel irá discutir as novas tendências no mercado de rádio e o seu papel na atual revolução digital. A internet estará dominando o sinal terrestre? O ouvinte está mesmo caminhando para o mundo do rádio online? Nossos palestrantes farão um diagnóstico do que é “ouvir radio” atualmente.


Um pouco da nossa concepção

Segue um artigo de Tauana Monteiro Guedes dos Santos, da Coordenação Geral de Economia da Cultura, com um pouco da concepção do Ministério da Cultura sobre a área. 

A dimensão econômica da cultura deve ser entendida como a capacidade de a cultura ser vetor de crescimento econômico e de desenvolvimento social e regional. Para tanto, o conceito de Economia da Cultura tem ganhado espaço nos debates que entendem que a cultura tem de ser vista como ativo econômico, ou seja, tem de conseguir ser mensurada e demonstrar com quanto contribui para o agregado da economia nacional. A Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura tem-se empenhado em fortalecer, por meio de eixos de atuação estratégicos, essa área como vanguardista e apta a evidenciar a vitalidade do setor cultural como fornecedor de receitas.

Definir o conceito de Economia da Cultura é delimitar um termo cujos contornos interdisciplinares ainda não estão claros. Muitas vezes conhecida como Economia Criativa, a Economia da Cultura é caracterizada por agregar valor às parcelas de criatividade, simbologia, inovação e propriedade intelectual nos produtos tradicionais. Entender as ligações que unem os agentes culturais aos econômicos e a dinâmica de oferta e demanda cultural é o objeto principal de análise desse setor.  Além disso, a diversa e sofisticada produção cultural brasileira, além da sua indiscutível relevância deve ser entendida como um dos grandes ativos econômicos do país, especialmente por conta do seu potencial de gerar desenvolvimento qualificado, trabalho, renda, oportunidades empreendedoras e crescimento. É preciso reconhecer esse potencial e fomentá-lo, pois isso significa a valorização da cultura brasileira, além de inserção qualificada do País no cenário internacional.

As Indústrias Criativas, tais como, música, design, moda, fotografia, jogos de computador, cinema, entre outras, estão sendo apontadas como os setores com maior potencial de desenvolvimento sustentável do século XXI. Já respondem hoje pela geração de riquezas e apresentaram crescimento no comércio global de bens e serviços criativos de 8,7% (de 2000 a 2005), equivalendo ao montante de US$335 bilhões exportados em bens criativos e US$89 bilhões em serviços (dados Unctad). O MERCOSUL exporta US$ 2,6 bilhões e US$ 3,5 bilhões em bens e serviços, respectivamente, dos quais o Brasil contribui com US$ 2,2 bilhões em bens e US$ 2,9 bilhões em serviços. Além disso, de acordo com o Cadastro Central de Empresas (2005), do IBGE, no Brasil existem 320 mil empresas ligadas à produção cultural, empregando 1,6 milhões de pessoas com salário médio 47% superior à média nacional. Ainda de acordo com o IPEA, 3% do orçamento das famílias são destinados ao consumo de produtos culturais. Vê-se que mesmo que os números sejam significativos, há espaço de expansão expressiva para o crescimento das indústrias criativas no Brasil, com forte potencial de empregabilidade de mão-de-obra bem remunerada.

Esses dados só reforçam as oportunidades oferecidas pela cultura. Dessa forma, o Estado brasileiro deve participar de forma ativa no fomento à Economia da Cultura e o caminho apresentado pelo MinC, por meio do desenvolvimento de programas e políticas públicas específicas para o setor, avoca a tarefa de dar condições para desenvolver as potencialidades e posicionar a cultura como mola propulsora para o desenvolvimento sócio-econômico nacional, com real impacto no PIB e como fator importante para a diminuição de desigualdades sociais.

Assim, alguns eixos devem ser priorizados para que o setor possa crescer. A oferta de produtos financeiros destinados a empresas e agentes culturais tem de ser ampliada para que a economia da cultura se expanda. Outro aspecto que deve ser repensado refere-se à capacitação e a formação dos agentes culturais de modo que eles possam posicionar-se melhor no mercado de trabalho e tenham suas capacidades empreendedoras expandidas. Ainda sobre esse tema, é preciso ampliar a formalidade do trabalhador empregado em atividades culturais. A promoção de negócios culturais também tem de ser expandida por meio de feiras, festivais, rodadas e outras iniciativas capazes de alavancar o lado business da cultura. E, finalmente, deve-se repensar a questão tributária voltada ao setor no sentido de estimular a proliferação das indústrias criativas.

A Economia da Cultura deve ser, portanto, vertente prioritária nas políticas culturais brasileiras.  Aproveitar os potenciais que a cultura possui para gerar crescimento econômico, desenvolvimento social e progresso regional é a primeira de uma série de ações que devem ser empreendidas. O Ministério da Cultura posiciona a Economia da Cultura como centro na estratégia de fazer com que a cultura torne-se vetor indispensável para a economia nacional.