• Sai a segunda edição do Cultura em Números

    Acaba de sair a segunda edição do Cultura em Números. A publicação que foi originalmente publicada em 2008, reúne uma série de dados compilados pela Coordenação Geral de Economia da Cultura e Estudos Culturais (CGEC/MinC). Para captar o universo de informações presente nessa publicação, a pesquisa aproveitou bases de dados do IBGE, Inep/MEC, Ibope e sistema MinC. O uso de informações e indicadores culturais passaram a servir de base na discussão da política cultural pelos diferentes agentes internos e externos do Sistema da Cultura. Na nova edição, o material reúne textos do ministro da Cultura, Juca Ferreira, do secretário de Políticas Culturais, José Luiz Herencia, do Diretor de Estudos e Monitoramento de Políticas Culturais, Afonso Luz, da Coordenadora Geral de Economia da Cultura e Estudos Culturais, Juliana Nolasco, e da equi´pe da CGEC. O objetivo dessas análises é mostrar a importância dos levantamentos de dados no aprofundamento de políticas consistentes para Cultura. É possível acessar a publicação (em PDF) por aqui. Faça o download e comente

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  • Edital estimula empreendedorismo cultural por meio de incubadoras

    O Ministério da Cultura publicou no dia 10 de junho o Edital para Seleção de Incubadoras de Empreendimentos Culturais e Artísticos. Serão selecionadas até quatro incubadoras de empresas que receberão o apoio de R$ 150 mil cada, totalizando um investimento de R$ 600 mil.

    As inscrições vão até o dia 14 de agosto e o objetivo do edital é estimular as incubadoras universitárias a fornecer cursos de capacitação e orientar empresas culturais nascentes e iniciativas já estabelecidas. O trabalho procura fortalecer projetos culturais e artísticos do ponto de vista do empreendedorismo.

    A seleção contempla incubadoras que já funcionam nas universidades há no mínimo três anos. Como é conhecido, estas instituições atuam como centro de consultoria jurídica, empresarial, tecnológica, financeira e administrativa às empresas incubadas. No entanto, poucas trabalham com empreendimentos culturais. O projeto do MinC pretende estimular este trabalho nas instituições universitárias.

    O edital convida as universidades a trabalhar com a dinamização de diferentes setores da cultura como artesanato, moda, design, arquitetura, culturas populares, cultura afro-brasileira, música, dança, teatro, circo, livro e leitura, artes visuais, arte digital, culturas indígenas e design.

    As instituições proponentes deverão oferecer contrapartida de 20% do valor do projeto, no valor mínimo de R$ 30 mil, que poderá ser na forma de bens e serviços economicamente mensuráveis.

    O edital faz parte do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura, o Prodec. As inscrições devem ser enviadas por Correio para a Diretoria de Estudos e Monitoramento de Políticas Culturais/CGEC – Secretaria de Políticas Culturais – Ministério da Cultura no endereço: Esplanada dos Ministérios, Bloco B, 2º andar – CEP 70068-900 – Brasília-DF.

    Para mais informações, acesse o edital (em PDF). Outros esclarecimentos podem ser obtidos pelo e-mail lauro.mesquita@cultura.gov.br ou pelo telefone (61) 2024-2229.

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  • Estados se mobilizam pela Economia da Cultura

    Em reunião extraordinária do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, em Brasília, no último dia 13 de maio, treze secretários de Estado da Cultura assinaram uma Carta-Compromisso pelo qual governo federal e governos de Estado assumem cinco pontos para estimular a Economia Criativa no Brasil.

    A proposta foi elaborada pela Rede de Gestores Públicos da Economia Criativa, o Em Pauta, constituído por profissionais do Ministério da Cultra e das entidades gestoras da Cultura nos Estados que planeja e propõe

    O projeto trabalha com conceitos como:

    – Institucionalização;
    – Fomento, Promoção e Acesso;
    – Desenvolvimento Regional e Local;
    – Trabalho, Renda e Empreendedorismo;
    – Inovação e Direito Intelectual

    Por meio do documento, as autoridades afirmam o compromisso de consolidar a produção de indicadores e informações da Economia Criativa; aumentar e diversificar as linhas de financiamento e fomento para as cadeias produtivas no setor; e estimular a percepção cada vez mais clara de que a cultura pode gerar emprego e renda para o trabalhador brasileiro.

    Estudo conduzido pela PricewaterhouseCoopers aponta que o peso econômico do setor cultural no mundo passará de US$ 1,3 trilhão, em 2005, para US$ 1,8 trilhão, em 2010. A taxa de crescimento é de 6,6% ao ano, acima da média da economia mundial. A mesma pesquisa mostra que Brasil tem o maior setor criativo da América Latina. As atividades que compõem a economia criativa no país movimentaram US$ 11,540 bilhões em 2001 e US$ 14,648 bilhões em 2005 – ou 5% do PIB. Em 2010, o setor deve superar US$ 22 bilhões, com uma taxa de crescimento anual média de 8,4%.

    As políticas referendadas pelos secretários da Cultura dos Estados de Santa Catarina, Acre, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Tocantins, Pernambuco, Sergipe, Paraíba, Maranhão, Pará, Bahia e Rio Grande do Norte.

    Clique aqui para ler a carta de compromissos do EmPauta.

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  • Estado do Rio aposta na formalização e qualificação do setor cultural, entrevista com Marcos André

    A Secretaria de Cultura do Rio desenvolve um forte trabalho com a Economia Criativa. Além de reconhecer design, a arquitetura e a moda, como eixos de transversalidade das várias produções culturais, o governo do Rio também tem desenvolvido ações pioneiras como o Escritório de Apoio Cultural – que oferece consultorias gratuitas aos produtores culturais no Rio  ­- e as Incubadoras de criação criativa.

    Essas iniciativas tem o objetivo de profissionalizar a classe cultural no Rio de Janeiro e prepara-las para a a participação em grandes eventos que vêm para a capital carioca, como a Copa e as Olimpíadas. Muito mais que isso, procura valorizar uma vocação para a criatividade que já está no DNA da cultura carioca.

    O Blog da Coordenação de Economia da Cultura conversou com Marcos André, coordenador de Economia Criativa da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, sobre esses projetos e debateu a importância da produção cultural na economia do Estado do Rio.

    1) Como começou o trabalho sistemático com a economia criativa no governo estadual do Rio?

    Logo no início dessa gestão. A secretaria Adriana Ratteis veio do mercado cultural, da área de audiovisual e tem uma ampla experiência desse mercado. A nova gestão da secretaria definiu que além do aspecto simbólico e da cidadadnia, a cultura deveria ser também pensada pelo seu aspecto econômico. Isso passou a se tornar essencial no desenvolvimento e construção de políticas culturais no Estado.  Sempre levamos em conta o desenvolvimento que a culura pode trazer.

    2) No Estado do Rio, o governo trabalha com o conceito de economia criativa, como o governo entende esse conceito e o aplica no Estado?

    Essa discussão já está presente em outros lugares do mundo há quinze anos. É um conceito ampliado de economia da cultura e que engloba indústrias que estão sempre bebendo na criação cultural como a Moda, o Design e a Arquitetura. Resolvemos ampliar estrategicamente e incluir esses outros setores. A idéia ér entender o impacto dessa criação no PIB. Os designers, os arquitetos, os estilistas têm sempre de partir da criação artística, em diálogo permanente com as artes visuais, com a produção cultural, com o que eles vêm nas ruas. Esse ambiente tem muito a ver com o âmbito com que a Secretaria de Cultura trabalha.

    Para nos aprofundar nesse conceito, nós pesquisamos e fizemos missões internacionais na Inglaterra e Barcelona e em todos esses centros de criatividade o conceito é o da economia criativa. De acordo com dados fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), a indústria criativa é que mais cresce no mundo e movimenta mais de US$ 1,3 trilhão, o que representa 7% da economia.

    A maior parte das indústrias criativas está ligada a indústria cultural e as que não estão bebem diretamente da cultura, da criação e da criatividade. É um momento em que a cultura toma o protagonismo da economia mundial. Por isso, é importante pensar o setor cultural a partir de um ponto de vista multidisciplinar e o seu impacto também na economia, no turismo, na educação, na produção industrial, nas cidades e na construção da imagem no exterior.

    3) Por causa do rádio no começo do século 20 e da TV  e do cinema posteriormente, a indústria cultural carioca sempre foi uma vitrine da produção brasileira. Qual é o impacto de um cenário tão relevante em todos os setores do ponto de vista econômico?

    A cidade do Rio faz parte do inconsciente coletivo mundial. As belezas naturais, a música, a criação do samba e da Bossa Nova, o cinema e a televisão permeiam o imaginário do brasileiro. O Rio tem uma marca muito forte no mundo todo, um valor simbólico muito forte. A economia criativa se baseia nesses valores simbólicos, intangíveis.

    Além disso, por ter sido capital do Império e capital federal, a cidade tem um hstórico grande de ser sede de muitas das principais indústrias culturais do país, principalmente na área de música e audiovisual. O impacto disso na economia e na vida da cidade é muito significativo.

    Do ponto de vista nacional o Rio também tem um potencial muito forte para ser o irradiador da diversidade da cultura brasileira. A partir dos grandes eventos como as Olimpíadas e a Copa, as políticas culturais devem pensar o Rio como uma porta de entrada para a produção cultural de todos os estados. É um local de irradiação e de estímulo ao aprofundamento na cultura brasileira.

    A conquista das Olimpíadas vai gerar esse potencial. É onde o Brasil pode aproveitar toda essa visibilidade para a atrair a atenção do país como um todo.

    4) E o que a Secretaria de Cultura vem fazendo nesse sentido?

    A secretaria tem dois projetos centrais na área de indústrias criativas, o  Escritório de Apoio a Produção Cultural e as Incubadoras de Empreendimentos de Economia Criativa.

    O Escritório de Apoio a Produção Cultural já existe há um ano e meio e é uma parceria com o Sebrae/RJ e o Ministério da Cultura. Com ele,  nós procuramos dar apoio aos agentes culturais na elaboração de seus projetos. A Secretaria disponibiliza consultores que atuam nas áreas de formalização; prestação de contas e contabilidade; marketing e produção cultural; e cultura digital.

    A metodologia de aulas particulares é muito interessante. São consultores gratuitos que oferecem aulas individuais a cada um dos produtores culturais. O mercado como um todo é muito inexperiente em gestão. No geral, as pessoas ligam pra cá e agendam suas reuniões. Aqui eles apresentam as dúvidas aos consultores que dão respostas de acordo com a necessidade do projeto.

    O escritório atende desde agentes de cultura popular até produtores de cinema ou música. Outro papel do escritório é divulgar as diversas linhas de financiamento para a cultura como, por exemplo, as Leis de Incentivo Estadual (ICMS) e federal (Rouanet), além do mecanismo dos editais lançados pelos governos e por empresas públicas e privadas.

    5) E qual foi a diferença desse Escritório na vida cultural do Rio?

    Antes de tomar contato com o Escritório de Apoio, muitos desses produtores não conheciam as técnicas de elaboração de projetos. Mesmo com anos de prática da produção, eles não conseguiam colocar os projetos no papel. Por isso, era difícil viabilizar as suas iniciativas.  A secretaria também percebeu que muitos produtores culturais não tinham acesso aos mecanismo de financiamento, porque estavam na informalidade. Era preciso dar condições deles se formalizarem. Por isso, atuamos forte nas ações de formalização e depois ajudamos eles a colocar os projetos deles no papel.

    Um resultado importante é que hoje o Rio é recordista de inscrições no Programa Mais Cultura. Dos 715 projetos de Pontos de Cultura, inscritos no programa, 51% vieram do interior do Estado do Rio, da Baixada e do Leste Fluminense, enquanto 49% partiram da capital. Foram selecionados 150 projetos de 69 municípios (o que cobre 75% do estado) para a criação de Pontos de Cultura,.

    Por causa disso, o Escritório de Apoio também tem um núcleo voltados somente para os 230 novos pontos, que atuam com foco principalmente na gestão e na prestação de contas.

    6) E como funcionam as incubadoras?

    Enquanto o escritório esta voltado para a sustentabilidade de projetos que pode ser um ponto de cultura, uma peça de teatro ou um filme. A incubadora está voltada para a sustentabilidade do empreendimento criativo, para o artista ou produtor que decidiu criar uma instituição. A idéia é dar subsídios para ela sobreviver no mercado.

    O Sebrae tem um dado de que 80% dos empreendimentos culturais acabam em até cinco anos. No entanto, quando esses empreendimentos passam pelo processo de incubação a estatística  se inverte, 80% das instituições sobrevivem depois de cinco anos no mercado.

    Os emprreendimentos aprovados nas incubadoras contam com um escritório por um ano e meio, sala de reuniões e de palestras e condições para a residência. Mais importante que a infra-estrutura, a instituição recebe qualificação gratuita sobre plano de negócios, empreendendorismo, assessoria jurídica, assessoria de imprensa, contabilidade etc.

    Durante dezoito meses, essa instituição que está nascendo vai ganhar corpo, se fortalecer, se qualificar e vai poder investir o seu recurso na compra de equipamentos, na qualificação dos integrantes e vai ter condições de desenvolver seu projeto com mais segurança. Depois desse período, a instituição vai estar preparada para atuar no mercado com mais segurança.

    A princípio estamos lançando duas incubadoras, uma na capital e a segunda, provavelmente, na baixada fluminense. O edital deve ser lançado em maio para 16 projetos na capital e oito na baixada. As incubadoras contam com a parceria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciencia e Tecnologia do Rio de Janeiro, da prefeitura do Rio e do Instituto Gênesis da PUC-Rio.

    7) Qual a importância da criação do Cultura Em_Pauta no desenvolvimento da Economia da Cultura no Brasil?

    Eu acho que a Economia Criativa é uma pauta estratégico para o Ministério da Cultura e as secretarias de Cultura dos estados. Para o Brasil, o desenvolvimento da Economia Criativa é um assunto novo, mas já é um tema bastante comentado no resto do mundo.

    Esse encontro é muito importante pra troca de informações, para a construção de cooperações técnicas e principalmente para a criação de um discursoi comum de prioridades e na elaboração desse manifesto que alerta a importância do setor cultural para a economia do país. O Brasil ainda está tomando conhecimento da grandeza da Economia Criativa como um agente de crescimento sustentável e de possibilidades incríveis pro país.

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  • Comissão de Educação aprova emendas do Senado ao projeto do vale-cultura

    Aprovadas nesta quarta-feira, 31 de março, na Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados, as Emendas do Senado Federal ao Projeto de Lei nº 5.798/2009, que institui o Programa de Cultura do Trabalhador e cria o Vale-Cultura.

    A CEC acompanhou o parecer do deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), relator do PL na Comissão, favorável às Emendas do Senado Federal, que ampliam o leque de serviços e produtos culturais previstos na proposta do Poder Executivo.

    Opcional
    A proposta cria o Vale-Cultura de R$ 50 mensais para trabalhadores com salários até cinco mínimos (R$ 2.550). O pagamento do vale pelas empresas é opcional.

    Servidores públicos federais, estagiários das empresas participantes e aposentados também receberão o vale-cultura. Para os aposentados, o valor será de R$ 30. Em todos os casos, o vale se aplica aos que ganham até cinco salários mínimos.

    O incentivo ao consumo cultural pretende dinamizar a economia dos setores da cultura.

    Saiba mais: blogs.cultura.gov.br/valecultura/.

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  • Impacto do setor cultural na economia portuguesa impressiona

    No começo de março, o Ministério da Cultura de Portugal divulgou o estudo “O sector Cultural e Criativo em Portugal”, coordenado pelo economista e ex-ministro Augusto Mateus.

    O estudo mostra que a riqueza produzida pelo setor cultural e criativo em 2006 no país ibérico foi maior que de indústrias poderosas como a de alimentos, a imobiliária e a textil.

    O setor cultural é entendido, neste estudo, como o agrupamento dos subsetores de áreas culturais nucleares (patrimônio histórico e cultural, artes do espectáculo, artes visuais e criação literária), das indústrias culturais (música, edição, software educativo, cinema e vídeo, rádio e televisão) e das atividades criativas (software, arquitetura, publicidade e design).

    A cultura, no ano estudado, respondeu por 2,8% da riqueza criada em Portugal, gerando uma riqueza bruta de 3,7 bilhões de euros. Cerca de 6,5 mil pessoas foram empregadas na área cultural, o que representa um crescimento cumulativo de 4,5%. No mesmo período, o crescimento do emprego no país foi de 0,4%.

    Em Portugal, 87% do setor é constituído de micro e pequenas empresas. São empreendimentos com menos de dez trabalhadores. A presença das mulheres no setor também é superior a média nacional. As mulheres representam 55% da força de trabalho nos setores de patrimônio, artes do espectáculo, artes visuais, criação literária, desenvolvimento de software, arquitetura, publicidade e design.

    Os trabalhadores do setor ainda tem escolaridade superior a média portuguesa. Cinquenta e um por cento dos funcionários têm curso superior.

    Mais da metade do valor de todo o setor vem das indústrias culturais, com destaque para a atividade de edição, rádio e televisão, que concentram cerca de 80% do valor gerado, enquanto as atividades criativas e culturais nucleares registam 14% e 8%, respectivamente.

    As artes e o património ainda têm uma “dimensão demasiado estrita”, uma vez que em 2006 originaram um valor acrescentado bruto de 277 milhões de euros, cerca de 0,2% do total nacional. No entanto, as artes do espectáculo (3,9%), as artes visuais e a criação literária (2,7%), constituem as áreas com maior relevância.

    Mesmo assim, as chamadas atividades nucleares registraram um crescimento de 10% ao ano de 200 a 2006. Já as indústrias culturais cresceram 14,7% no mesmo período. O resultado, como revela a pesquisa, é marcado pela disparidade do crescimento do cinema, vídeo e turismo cultural, e da queda de setores como música, rádio e televisão e edição.

    O estudo pode servisto na íntegra por aqui (em PDF) ou em uma versão resumida (PDF).

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  • País quer dobrar peso da cultura na economia

    Confira a entrevista do ministro Juca Ferreira ao jornal Brasil Econômico do último dia 20 de março

    Governo vai aumentar de 5% para 10% peso das atividades culturais em cinco anos, ampliando número de empreendedores

    O governo brasileiro espera que a consagração do país, em 2020, como quinto maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo venha acompanhada de igual posição na economia cultural. A estratégia comandada pelo Ministério da Cultura (MinC) aposta no gradual aumento dos investimentos públicos na infraestrutura do

    setor e na modernização das leis de incentivo para capacitar o BRASIL a disputar um crescente mercado global de centenas de bilhões de dólares. “A economia da cultura responde por 5% da economia nacional, mas poderá chegar a 10% em cinco anos, incorporando novos empreendedores e consumidores”, disse Juca Ferreira, ministro da Cultura, ao Brasil Econômico.

    Ele explica que o país deu seus primeiros passos nos últi-mos anos no sentido de tratar as atividades culturais como importante fator de progresso material. O Banco Mundial (Bird) estima que a chamada economia criativa responda por 7% dos US$ 60 trilhões do PIB global, sendo que em alguns países esse percentual chega a 20%. “Estamos um pouco abaixo da média internacional e podemos facilmente dobrar a participação da Cultura na economia com a reorganização do segmento”, comenta o ministro, acrescentando que a condição de quinto maior PIB do mundo em uma década, ultrapassando Reino Unido e a França,também eleva naturalmente a demanda interna por bens culturais.

    Juca Ferreira reconhece que as estatísticas brasileiras sobre o mercado ainda são limitadas, mas já começam a mostrar grande potencial em diferentes cadeias produtivas. “Calcula-se que 5% dos trabalhadores participam desse mercado, mas sabemos que esse número é bem maior devido à grande informalidade ainda presente”, ilustra. Uma das áreas que faz questão de citar como uma das mais promissoras é a de geração de conteúdos digitais para a televisão, em particular a animação. “Temos tudo para ser um dos maiores pólos exportadores de desenhos animados do mundo”, disse.

    Uma forma mais fácil de per-ceber a expansão da indústria cultural no país está no cinema. O ministro lembra que a média de 20 longametragens nacionais produzidos no começo dos anos 2000 chegou a 85 no ano passado e deverá ter novo impulso nas próximas décadas graças a parcerias com canais de TV, por exemplo. O MinC considera como integrantes da cadeia produtiva, desde o produtor de cinema ao pipoqueiro na porta.

    Ferreira está empenhado junto ao Congresso em aprovar um pacote cultural que engloba mudanças na Lei Rouanet, de incentivos fiscais e em vigor há quase 20 anos, e cria mecanismos de fomento à atividade cultural, como o Vale-Cultura. “Temos de proporcionar o reencontro da educação com a Cultura para formar plateias. Não há mais espaço para improviso. A hora é de aperfeiçoar técnicos, artistas e gestores”, resume.

    Defensor de mudanças para ampliar, diversificar e desconcentrar regionalmente os recursos obtidos com incentivos fiscais, Ferreira também brigou para aumentar a verba da pasta, que era de 0,2% do total do orçamento da União em 2003: comemora ter chegado este ano ao patamar histórico de 1%, considerado o mínimo pelas Nações Unidas. Segundo ele, o ideal seria 2,5%, conforme proposta de emenda constitucional que tramita na Câmara dos Deputados. “A cultura mostrou ser atividade importante em geração de renda e emprego e isso vem confirmar nossa tese de que atividade cultural deve ser considerada pela política econômica.”

    ENTREVISTA JUCA FERREIRA Ministro da Cultura
    “Momento é de investir”

    Ministério luta para reformar leis que permitam avanço das atividades culturais

    O sociólogo e ambientalista João Luiz Silva Ferreira, conhecido como Juca, é um entusiasmado defensor da CULTURA brasileira e da ampliação do acesso à arte pela população. Para vencer o desafio histórico, o baiano de Salvador que comanda o Ministério da Cultura há dois anos propõe reforço em políticas para capacitar o setor a dar um salto. “Ao contrário do que dizem os críticos, o investimento do Estado não visa o dirigismo ou o aumento da presença do gover-no no setor”, disse.

    Neste último ano do governo Lula, o senhor está sempre no Congresso, defendendo reformas legais, como a da Lei Rouanet, a modernização do direito autoral e a criação do Vale-Cultura. Vai dar tempo?

    Creio que sim. Os projetos estão bem encaminhados e podem ser aprovados na maior parte antes das eleições. São mudanças importantes e es-truturais, que estamos debatendo há mais de seis anos dentro e fora do ministério, em todas as frentes possíveis. É uma discussão aberta, à luz do dia, em favor da Cultura no geral em todo país. A modernização do direito autoral é urgente, se considerar as distorções existentes sobre o domínio das famílias sobre obras de grandes escritores brasileiros.

    Qual o peso da chamada economia criativa na atividade econômica, com geração de emprego e renda?

    O Brasil tem uma capacidade criativa enorme e uma poderosa diversidade cultural, mas carece de infraestrutura para crescer. Exemplo? Apesar de participar do hit parade internacional, nossa música, apontada como uma das melhores do mundo, pode ter espaço maior, proporcional ao seu prestígio. Isso se deve ao fato de o Estado não ter enfocado historicamente a Cultura como fator de desenvolvimento econômico e assumido sua responsabilidade como indutor, criando elos onde o mercado ainda não tem condições de oferecer. Temos reafirmado no ministério o conceito de economia da Cultura com o lançamento de políticas públicas, estudos de cadeias produtivas e buscando capacitar os agentes do setor. Para se ter uma ideia da importância estratégica dessa área, os produtos culturais são o principal item das exportações dos EUA. Desde 2003, o Ministério da Cultura (MinC) tem pedido aos órgãos de pesquisa, como IBGE e Ipea, além dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento,que passem a incluir atividades culturais nas sondagens sobre emprego e renda. Propus a criação de um instituto de pesquisas para o MinC no modelo da Educação.

    O presidente Lula defendeu mais investimentos públicos para o cinema nacional, para a TV estatal e para a inclusão digital. O Estado também quer influir na demanda?

    A criação de plateias nacionais para a Cultura passa pela família, pela escola e por espaços públicos como bibliotecas. Os números que encontramos mostram o tamanho do desafio para o Estado: 90% das cidades não têm cinemas, só 17% dos brasileiros compram livros e por aí vai. Ao contrário do que dizem nossos críticos, o investimento público não visa dirigismo da cultura ou o aumento da presença do governo no setor. Apesar de responder por mais de 70% do gasto com cultura, o orçamento público e de estatais ainda é pequeno e visa mais contrapartida privada. Não queremos proteção de mercado, mas desenvolver oportunidades. Queremos o fim do paternalismo e fazer com que a Cultura ande com suas próprias pernas.

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  • Itaú Cultural premia pesquisas para o setor da cultura

    Até o dia 30 de junho estão abertas as inscrições para a terceira edição do Rumos Pesquisa, do Itaú Cultural. O projeto  mantém a meta de estimular a produção de projetos de pesquisa e a divulgação de monografias, dissertações e teses acadêmicas voltadas para o setor cultural.

    Os incentivos são voltados a pesquisas aplicadas que podem abranger: bancos de dados sobre o setor cultural (informação cultural, diretórios), elaboração de métodos de avaliação de programas culturais, avaliação de programas culturais, elaboração de indicadores culturais, análise dos impactos econômicos e sociais de alguma atividade cultural etc. Para essa área devem ser oferecidas bolsas de R$60 mil para até três projetos de pesquisa.

    Outra categoria é o de Pesquisa Acadêmica Concluída que deve oferecer bolsas de R$10 mil para quatro escolhidos que já tem pesquisas concluídas. O objetivo aqui é divulgar monografias, dissertações ou teses acadêmicas, resultantes de cursos de pós-graduação concluídos nos anos de 2007, 2008, 2009 ou 2010 (até julho de 2010), cujos temas estejam relacionados ao setor cultural (gestão, economia da cultura, políticas culturais, patrimônio, diversidade cultural e questões transversais).

    Para saber mais sobre o programa, as premiações e o funcionamento das inscrições, leia o edital. Para participar, acesse o formulário de inscrições.

    inscrições pelo site itaucultural.org.br/rumos
    quarta 3 de março a quarta 30 de junho de 2010
    dúvidas
    rumospesquisa@itaucultural.org.br

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  • “A cultura aumenta o grau de coesão e a harmonia entre os agentes econômicos locais”, entrevista com Carlos Paiva

    Só por ter nomes como Dorival Caymmi, João Gilberto, Jorge Amado, Glauber Rocha, Caetano Veloso, Gilberto Gil e mais uma seleção dos mais importantes artistas brasileiros, a Bahia já teria um lugar permanente no cenário cultural em todo mundo.

    Além desses panteões e de uma das mais ricas tradições populares no país, a Bahia foi um dos primeiros estados brasileiros a organizar sua produção cultural em uma lógica da economia da cultura.

    A importância de manifestações como o carnaval, a cultura afro e a arquitetura de todo o Estado tem um impacto significativo na Economia local.

    O blog de Economia da Cultura conversou com o Superintendente de Promoção Cultural da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Carlos Paiva que deu os detalhes sobre a participação no Cultura em Pauta e sobre como o Estado vem pensando a economia no setor cultural.

    1) Qual a importância da cultura na economia baiana?

    Devido a diversidade cultural da Bahia e seu valioso patrimônio histórico, a cultura impacta a economia de pelo menos cinco maneiras: 1- assegura a atração de turistas e visitantes interessados no patrimônio cultural de Estado ou em suas atividades artísticas; é o caso do Carnaval de Salvador; 2 – injeta renda e cria empregos na economia local; 3 – agrega valor ao produto local através da incorporação de valor simbólico – estético, religioso, histórico etc.; assim, se paga mais por produtos com “assinatura”, “design”, “marca” ou “origem”; isso impõe, inclusive, a defesa de sua produção através de certificações de origem: “chocolate de Ilhéus”, “carne de sol de Itororó”, “cachaça da Chapada Diamantina”; 4 – favorece a atração de trabalhadores qualificados, empresários e empresas, na medida em que assegura uma melhor qualidade de vida – cidades atraentes têm intensa vida cultural; 5 – a cultura aumenta o grau de coesão e a harmonia entre os agentes econômicos locais, na medida em que contribui para a redução da exclusão social, estimula o trabalho cooperativo, a inovação e o empreendedorismo.

    2) Como o Estado da Bahia tem pensado a Economia da Cultura? Quais são as linhas gerais?

    O primeiro desafio do estado é iniciar o trabalho de mensurar o tamanho desta economia, seus modelos de negócios, gargalos e oportunidades, permitindo a otimização dos recursos públicos direcionados para o setor. Para isso, temos desenvolvido estudos e pesquisas sobre o carnaval, o audiovisual, o livro e a música baiana, além de debates com especialistas de todo o país para que nossos estudos dialoguem com iniciativas similares no resto do Brasil.

    Implantamos também linhas de crédito específicas para a cultura, em parceria com o Desenbahia, agência de desenvolvimento estadual. Hoje temos disponível a linha de microcrédito para pessoas físicas que necessitem de até R$ 10 mil e uma linha de crédito para empresas de R$ 10 mil a R$ 1 milhão, cobrindo a faixa intermediária entre nosso microcrédito e as linhas do BNDES.

    Estamos também implantando linhas específicas de capacitação dos empreendedores com cursos focados nas peculiridades da economia da cultura e iniciando uma política de promoção da produção cultural baiana independente, extremamente diversificada e de alta qualidade, no país e no exterior.

    Do ponto de vista dos investimentos públicos, aumentamos consideravelmente o investimento direto, através do Fundo de Cultura e estamos procurando parcerias com outras secretarias, já que o estado é um grande comprador de produtos culturais, através por exemplo de secretarias como a de Educação.

    3) A indústria do carnaval é uma realidade na economia baiana há algum tempo, mas pesquisas e reportagens mostram que ainda há uma série de gargalos a serem superado (como a informalidade e as precariedades das condições trabalhistas), o que vem sendo feito e quais os próximos passos?

    O Carnaval foi objeto das nossas primeiras pesquisas. Hoje sabemos que ele movimenta mais de R$ 500 milhões de reais, sendo a maior parte destes recursos oriundos de patrocinio ou renda com gastos dos foliões. Sabemos também que o Carnaval constitui-se em uma oportunidade privilegiada de geração de emprego e renda, movimentando
    a economia formal, os pequenos negócios e, sobretudo, a economia informal. Foram cerca de 100 mil soteropolitanos trabalhando na festa em 2009 (4% da População em Idade Ativa). São profissionais de várias áreas – servidores públicos, artistas, músicos, policiais, técnicos, ambulantes, cordeiros, seguranças particulares, encarregados de limpeza etc. Este ano, o poder municipal, responsável pela organização da festa, anunciou a criação do Estatuto do Carnaval que tem o objetivo de regular áreas de serviço e trabalhistas durante o Carnaval, dentre elas, estavam regras para garantir um melhor tratamento dos “cordeiros” que são os que mais sofrem com as condições de trabalho durante a festa. Em 2010, a Secretaria de Cultura deu um apoio institucional para a cooperativa de catadores de resíduos sólidos, numa parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, para melhorar os locais de coleta desses resíduos no circuito do Carnaval.

    4) Qual a estratégia do governo de fomentar a criatividade e a cultura como um negócio? Existem setores estratégicos?

    A estratégia está fundamentada em 5 eixos: “Informação e Reflexão”, com o levantamento de dados consistentes e reflexão qualificada sobre a dimensão econômica da cultura no Estado; “Qualificação”, estimulando a formalização e promovendo uma cultura empreendedora e a apropriação de conhecimentos técnicos específicos para os negócios em cultura; “Promoção” com o desenvolvimento de material representativo dos artistas dos diversos segmentos assim como o apoio com o deslocamento para feira de negócios nacionais e internacionais; “Fomento especializado”, com linhas de créditos formatadas especificamente para o setor cultural.

    Estamos trabalhando com todas as áreas, sem restrições, mas temos tido maior procura dos empresários do audiovisual, música e do segmento do livro.

    5) Qual a importância da criação do Cultura em Pauta no desenvolvimento da Economia da Cultura no Brasil?

    Ainda é recente as experiências de políticas públicas para a economia da cultura ou economia criativa, como alguns países preferem trabalhar. Por isso a criação de um espaço para trocas de experiências e reflexões sobre este campo é essencial para acelerar o amadurecimento de políticas eficientes para a área. Na área da Cultura, dados são fundamentais para a implantação de políticas e o Cultura em Pauta pode ser uma ferramenta a mais nesse universo.

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  • Notícias diárias sobre Economia da Cultura

    A partir de agora, o blog da Coordenação Geral de Economia da Cultura e Estudos Culturais também traz diariamente uma lista de notícias sobre o tema no Brasil e no mundo.

    Acesse a listagem aqui, comente e contribua.

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