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No último posto contei para vocês da decisão de que o valor dos cursos de Março seriam pautados pelo custo da hora do facilitador acrescida de um valor de “caixinha” para a escola.livre e quando existisse, custo de material do curso.

No entanto, apesar de ter postado cursos e valores acho que vale recuperar aqui as discussões que levaram a decisão por esses montante. Para todos nós, os facilitadores e eu, depois de muito discutir passamos a pensar em um valor para a hora de “aula” da oficina, do curso, do workshop. No entanto esse parâmetro não foi e nem parece ser o melhor que poderíamos usar. Digo isso por muito motivos. O primeiro deles, e talvez o mais importante, é que existe antes e depois do encontro marcado com os participantes muitas horas de dedicação do facilitador preparando os encontros, estudando o material a ser discutido, respondendo à dúvidas.

Aqueles poucos minutos, que muitos devem conhecer, quando o encontro se encerra e o facilitador ainda está entre nós é rico demais para muitos dos participantes. Poderíamos discutir aqui os motivos que fazem esses instantes serem tão especiais, mas certamente o trabalho individual do facilitador com cada participante pesa a favor da mágica.

No caso dos cursos de Março só consideramos o que chamei aqui de hora de “aula”. E para complicar a discussão, feita essa conta e dividindo o valor pelo número de alunos que se espera nos deparamos com valores que nos parecem caros demais. O que se seguiu foi uma discussão que diminuía valor por hora, repensava a divisão, aumentava número de alunos por curso. Em uma ginástica enorme para equacionar o necessário a ser arrecadado para o curso acontecer e o justo para não impedir que mais pessoas pudessem participar.

De tudo o que discutimos e buscamos ainda fica a pergunta: Como garantir que o facilitador possa dedicar mais horas ao encontro (recebendo bastante bem para isso, claro!), respondendo por exemplo, a possíveis demandas individuais dos participantes, e, ao mesmo tempo que o valor a ser pago por cada aluno seja acessível a todos e cada um que tiver interesse. Encontrar uma forma de equilibrar as variáveis: o “justo” a ser pago, ou seja, o quanto cada um pode (que é bastante variável e individual) e o necessário para que os facilitadores recebam também de forma justa pelas horas que dedicarão ao trabalho é o desafio que temos pela frente.


Nos reunimos dias atrás, André Deack, Lia Rangel, Aline Rabelo, Dani Silva, Pedro Markun, Thiago Carrapatoso, Gabi Agustini e eu, para conversarmos sobre os primeiros cursos que começam agora em Março.

O modelo que permitirá manter a escola.livre como espaço de troca de conhecimento na construção de uma cultura de fato livre ainda está longe de estar pronto. Mas com a ajuda voluntária e mais que especializada do Thomas de Souza Buckup vamos colocando os primeiros tijolos pensando em formas de tornar transparente e públicas nossas despesas e partilhar para construir colaborativamente, envolvendo alunos, facilitadores, pessoas da Casa e colaboradores, o que será de fato, a cada momento, a escola.livre.

Estipular ou não um valor fixo para os cursos já fazia parte das preocupações que tínhamos. Mas sem dúvida essa questão ganhou outra importância e se inseriu em um contexto muito maior, nos fazendo rever nosso ponto de partida, depois da primeira conversa que tivemos com Thomas na Casa da Cultura Digital, anterior a essa conversa sobre os Cursos, de que falo aqui.

Desde Janeiro conversamos com pessoas de todas as instituições da Casa, e vários membros dessas instituições conversaram com pessoas de fora, mapeando possibilidades de cursos. Ainda antes da conversa com Thomas já tínhamos três cursos organizados para serem iniciados em Março.

Partilhando da ideia de que essa construção é um processo que está apenas no início decidimos manter esses cursos em Março ainda que não soubéssemos qual modelo financeiro adotar. O que fizemos foi inverter a lógica financeira que tínhamos. Nossa proposta para esses cursos de Março foi pensar em quanto os facilitadores achavam justo receber por hora/aula nos cursos que propuseram e acrescentar a esse valor uma quantia pequena que será destinada a escola como caixinha para pequenos gastos provavelmente ainda de instalação e infra-estrutura. Além disso, acrescentamos um valor de material para o curso BioDigital.

Dias atrás a Garapa, proponente do curso Imersão em fotojornalismo multimídia, decidiu adiar um pouquinho a poposta. Ficamos, portanto com dois cursos agora em Março.

BioDigital, nas palavras de Maira Begalli (uma das proponentes e facilitadora):

Como público-alvo esperamos produtores, gestores ambientais, estudantes, patrocinadores e idealizadores de eventos governamentais e corporativos – entre outros.

A proposta será composta por aulas expositivas-colaborativas, em 5 encontros (distribuídos em 3 semanas) com 2 horas de duração cada. Sendo:

Encontro 1
Apresentação da proposta e professores
Apresentação dos Alunos
Introdução ao tema [slides + discussão]
Leitura, Vídeos e Imagens indicados como estudo para o próximo encontro

Encontro 2
1 hora para exposição [slides]
1 hora para debates

Encontro 3
Lab para elaboração hipotética de eventos ou sedes usando BioDigital

Encontro 4
Apresentação das Propostas Elaboradas e Discussão

Encontro 5
Lab sobre a Metodologia:
– Dúvidas encontradas
– Melhorias que podem ser feitas
– Como contribuir para possíveis ajustes
– Como e em que evento/sede aplicar

Datas do workshop, 19h30, na escola.livre
24/03
29/03 e 31/03
5/04 e 7/04
Valor – R$ 300 turma com 2 a 6 alunos; R$ 150 turma com 7 a 12 alunos
alunos por turma – 12
mais infos – oi@veredas.net – ou comentários nesse post, que não serão publicados.

&

Produção Marginal na Era dos Blogs, nas palavras de Felipe Meyer (um dos proponentes e facilitador):

Objetivos: Transmitir técnicas alternativas de produção e disseminação de conteúdos culturais, de forma que os participantes possam, ao fim da oficina, publicar seus próprios livros, revistas, fanzines e/ou histórias em quadrinhos mesmo sem possuírem condições ficanceiras (ou o desejo) de arcar com grandes tiragens e os processos tradicionais de impressão.

Produção Marginal

O advento da internet e a popularização de ferramentas de publicação de conteúno online, como blogs, twitter e as chamadas redes sociais, transformaram do dia para a noite cidadãos “comuns” em autores, críticos e formadores de opinião. Mas muito antes dessas tecnologias surgirem e estarem ao acesso de (quase) todos, diversos movimentos chamados de “marginais” se utilizavam de técnicas alternativas (ou “amadoras”) para a produção e disseminação de conteúdo crítico e autoral, a exemplo dos “poetas de mimeógrafo” dos anos 1960 e 1970, dos “fanzineiros” do quadrinhos underground dos anos 1980 ou mesmo dos famosos “catecismos”, pequenas revistas eróticas produzidas em baixas tiragens e vendidas às escondidas em plena ditadura militar. Esses e outros movimentos são comumente batizados de Cultura Marginal; a produção artística que não se enquadra dentro dos padrões tradicionais de se produzir cultura. A Cultura e a Produção marginais abusam da experimentação e do que muitas vezes é chamado de “amadorismo”, sempre buscando novas formas de expressão e novos olhares e muitas vezes aproximando a arte do universo coloquial.

A oficina “Produção Marginal na Era dos Blogs” explora algumas técnicas alternativas (ao digital) para a disseminação de conteúdos culturais, abordando movimentos de ontem e hoje e explorando as experiências pessoais de seus três oficineiros:

Gil Tokio é formado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP e recebeu um prêmio HQMix (o Oscar dos quadrinhos brasileiros) por seu trabalho final, “Na Bodega”, uma história em quadrinhos publicada em tiragem limitada e utilizando técnicas como serigrafia. Ainda na FAU, participou do Núcleo de quadrinhos onde publicou cinco edições da revista colaborativa “Cogumelo”. Publicou dois fanzines aproveitando as disciplinas de programação visual, “Tu” e “Santa do Pau Oco” (que lhe rendeu outra indicação ao HQMix), também utilizando métodos alternativos de impressão. Atualmente é sócio da Pingado Sociedade Ilustrativa junto com Leandro Robles e Beto Uechi, trabalhando como ilustrador, designer gráfico e animador. (ver currículo completo)

Cadu Simões é historiador e estudante de grego antigo, tendo trazido essas paixões para dentro de sua carreira como quadrinhista, nas HQs “Nova Hélade” e “Odisséia” (esta última ainda em processo de roteirização). Venceu o prêmio HQMix na categoria Roteirista Revelação e lançou de forma independente diversos fanzines antes de lançar em off-set a revista “Homem-Grilo”, cujo personagem-título é publicado também na internet. Foi um dos fundadores do Quarto Mundo, coletivo de quadrinistas vencedor de diversos prêmios e editou, junto com o grupo Sócios Ltda a revista em quadrinhas “Garagem Hermética”. (ver currículo completo)

Felipe Meyer é publicitário e redator, tendo colaborado para sites de quadrinhos como o “Sobrecarga”, “Catapôu!” e “Nanquim”, do qual era também editor. Fundou com Pedro Markun a Gasosa Comunicação, especializada em projetos editoriais, e editou mais de vinte edições do Jornal de Debates, periódico de jornalismo colaborativo inspirado na publicação de mesmo nome que circulou no Rio de Janeiro dos anos 1940. Publicou diversos fanzines antes de lançar, junto com Cadu Simões e Daniel Esteves, a revista “Contos da Madrugada”, indicada ao HQMix na categoria Melhor Publicação Independente Especial. Organizou na última edição da Campus Party Brazil a oficina “Produção Mimeografada”, com Cadu Simões, na qual essa nova oficina é inspirada. (ver currículo completo)

Tópicos

Cultura Marginal
Produção colaborativa
Métodos alternativos de impressão
Formas de distribuição
Online x Offline

Metodologia

A oficina é dividida em duas partes: na primeira delas são discutidos conceitos e origens da Produção Marginal e aspectos da Produção Colaborativo, e apresentados tutoriais; na segunda parte os presentes se unem aos palestrantes para produzir, colaborativamente, uma publicação que se utilize das técnicas apresentadas.

Carga horária: 8 horas
Data: 20 de março, das 10hs às 18hs (com pausa para almoço)
Valor da inscrição: R$ 100,00
Mínimo de alunos: 12
Máximo de alunos: 20
Público-alvo: Blogueiros, estudantes de jornalismo, escritores e comunicadores em geral.

PARA SE INSCREVER ACESSE ESSE LINK


No post anterior tentei explicar o que é a P2PU e contei como entramos nessa. Agora, reforço o convite para os cursos que estamos oferecendo em português neste semestre:

Cidadania e Redes Digitais, com Sergio Amadeu;

Civic Hacking, com Daniela Silva e Pedro Markun;

Introdução ao Pensamento de Paulo Freire, comigo (Bianca Santana) e Lu Scuarcialupi.


P2PU

Primeira versão do projeto da escola. Encontro virtual com a coordenação da P2PU. Ideia de oferecer um curso em língua portuguesa. Proposta de três cursos. Parceria construída. Aproximação. Compreensão da metodologia. Esboço dos programas. Google alerta comunica que somos parceiros da P2PU. Inscrições abertas. Twitter. Listas de discussão. Brasil é o país que mais acessa a plataforma. Muitos inscritos. Rede. Creative Commons. Link. Mensagem de amigo americano que soube da parceria por outro amigo chinês. Imersão para compreender a plataforma e melhorar as propostas de cursos. Reflexão para lidar com o volume de inscrições. Post pra tentar explicar, afinal, como funciona essa história de P2PU.

Em pouco mais de dois meses, a vontade de estruturar cursos em Língua Portuguesa com a P2PU nos levou a este atropelar de boas-novas. Muito temos a agradecer aos queridos Thomas Buckup (Wikimedia Brasil) e Carolina Rossini (reabr) por nos colocarem em contato com a P2PU gang. Depois, Ana Rosa, Bekka, Phillip, Alison, Eri, Bee, Lilian… muita gente bacana nos incentivando e apoiando a fazer a coisa andar.

Mas o que é P2PU, afinal? Remixei o formato de debate relâmpago, inaugurado pelo Savazoni, pra tentar responder. São trechos da página do projeto, de depoimentos publicados na lista brasileira de recursos educacionais abertos e minha livre-interpretação 😉

“Mais que uma ferramenta de ensino-aprendizagem a distância ou uma plataforma para a aprendizagem colaborativa, a P2PU é parte do movimento internacional pelo conhecimento livre. São ativistas do compartilhamento de informação, espalhados por Brasil, China, Estados Unidos, África do Sul, Alemanha, dedicados a testar possibilidades de aprendizagem distribuída, inspirados pela arquitetura distribuída da internet.”
Bianca Santana, euzinha, membro da Casa da Cultura Digital e da escola.livre. Faço mestrado na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

“A missão da P2PU é potencializar – pelo poder da Internet e do software social – a capacidade das pessoas  de contribuirem, em comunidade, com a aprendizagem umas das outras. P2PU combina recursos educacionais abertos, cursos estruturados e pesquisas sobre conhecimento / aprendizagem a fim de oferecer oportunidades educativas de alta qualidade e baixo custo.”
“>Sobre a P2PU, texto institucional.

“A P2PU é revolucionária, ela prova mais uma vez a possibilidade da auto-organização da sociedade para estruturar sistemas educacionais no ciberespaço. Com certeza existe uma série de desafios a serem vencidos, mas isso é outra história.
A P2PU é inspiradora, um modelo de universidade wiki, Linux, ou seja, baseada na colaboração entre os pares. Outras iniciativas deverão sugir. As idéias iniciais da P2PU serão remixadas com outras para atender a contextos específicos. Mas esse é o destino de toda grande idéia: servir de inspiração, dar frutos – e frutos virão.
Outro aspecto muito importante é que a P2PU é um modelo que atende ao projeto da inteligência coletiva, pois ela resgata e valoriza as competências humanas, mobiliza-as e agrega saberes acadêmicos e não-acadêmicos.”
José Erigleidson, entusiata da Educação a Distância, blogueiro e fotógrafo. É coordenador de educação a distância da Justiça do Trabalho em São Paulo.  Mestrando no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC- SP.

“Acompanho o trabalho da P2PU desde o começo e conheço o grupo incrível dos fundadores. São pessoas dedicadas ao trabalho de REA há anos e muito competentes. Você tem professores, Harvard PhD, representantes de Ministérios da Cultura de outros países, etc etc etc. Todos os voluntários que tem se juntado a esse esforco também são de primeira e do mundo todo! Esses cursos são os primeiros em língua não inglesa da P2PU! Brasileiros, como sempre, liderando! Clap Clap Clap!!!
A P2PU é revolucionária pois traz para o centro da discussão o aprendizado colaborativo e valoriza  educadores proximos a tal cultura.”
Carolina Rossini, Professora e Advogada de Propriedade Intelectual, Pesquisadora de Harvard, Coordenadora do OER-Brazil: Challenges and Perspectives (http://www.soros.org/initiatives/information/focus/access/articles_publications/publications/oer-brazil-201001

Pra fechar: o release institucional, em inglês:

The Peer 2 Peer University announced its second round of free and open online courses today, opening sign-ups for 14 courses dealing in subject areas ranging from Physics to Transformational Art. Some of the courses were offered in the first phase of the pilot which launched last September, but seven are brand new, including “Urban Disaster Risk Management,” “Mashing Up the Open Web,” and “Solve Anything! Building Ideas through Design.” P2PU is also excited to announce its first Portuguese language courses organized by Brasil’s Casa de Cultura Digital, one of which is an introduction to the thinking of Paulo Freire (educational theorist who is author of Pedagogy of the Oppressed). The P2PU community has grown and is excited to have these new courses and their organizers on board.

One of P2PU‘s new community members, Fulbright Scholar at the Vienna University of Technology, Vivek Rao, talks about what made him volunteer to design and run his own course:

“When I learned Calculus with a college library group or picked up the latest Photoshop tricks from my coworkers, it wasn’t about teaching, it was about sharing. That’s the most natural way I learn–sharing with peers out of curiosity. To me, P2PU is all about embracing this type of learning through sharing via a very accessible platform. Now I’m looking forward to share what I know as course organizer of “Solve Anything! Building Ideas through Design,” and keep pushing the P2PU platform ahead.”

Since last November’s workshop in Berlin, a few changes have taken place at P2PU. P2PU is still run and governed by volunteers, but the P2PU Council, with the support of the community, has elected Philipp Schmidt as its representing Director. Philipp is one of the co-founders of the project, as well as a Shuttleworth Foundation Fellow, which enables him to devote himself full time to P2PU. On becoming Director, Philipp says, “We have proven that the model works and are seeing tremendous interest from people all over the world to learn together. I am very excited to help guide the project through the next phase of growth and the opportunity to work with the inspiring and talented volunteers that make P2PU so special.”

When asked how P2PU will affect the education landscape, Council member Delia Browne says, “P2PU will revolutionize how people learn. It will help create a global open culture of learning for the 21st century.”

The P2PU community consists of a diverse group of people. They are writers, teachers, designers, doctoral and alternative grad students, artists, copyright specialists, scientists, and blues guitar players. Above all, they are learners–peers working together to learn from each other.

Sign-ups for all courses are available at http://p2pu.org. Deadlines for sign-ups are 28, Feb 2010. The second pilot phase will run for six weeks from 12 March to 23 April. Each course application may require additional information.

For more information, please mail:  thepeople@p2pu.org

Lia Rangel, Aline Rabelo e eu somos os “seeders” de infraestrutura.
Nossa tarefa é cuidar desde a abertura de paredes, compra de mesas e cadeiras, até a decoração de cada cantinho da escola.livre. Em outras palavras temos que, nessa semana que começou antes de ontem, comprar, encomendar e reformar tudo que for compor as salas e espaços de convivência da nossa escola.

O problema maior, que é também a parte mais divertida, é garantir que a escola tenha pelo menos parte do que cada um de nós sonhou para ela. Só que hoje somos mais de 30 integrantes da Casa da Cultura Digital! Outro desafio é o nosso orçamento que está bem curto. Aliás, fica registrado o agradecimento a Oboré que doou mesas, estantes e outras coisinhas que vão ajudar muito a escola.livre.

Para as salas dos cursos pensamos em mandar fazer mesas individuais, mas modulares, que se encaixem. O barato dessas mesas é que elas podem ser montadas várias maneiras diferentes – em círculos, como bancadas, ou podem simplesmente serem espalhadas pela sala – e quebram um pouco aquele formato careta de cadeiras com prancheta, uma atrás da outra.

A ideia é abandonarmos também o giz de lousa. Pensamos em colocar uma placa de vidro fixada na parede. Nas paredes, na verdade. Vamos colocar duas “lousas” formando um L na sala. As duas de vidro que facilita a limpeza e permite uso de qualquer canetão.

O andar de baixo, o espaço de convivência, deve ganhar tapetes, pufs e almofadões coloridos. Para as mesas que ficarão no espaço de coworking pensamos em encapar com plástico mais grosso. Ainda estamos atrás de uma solução para as estantes que vão estruturar nossa biblioteca. Ganhamos várias, de ferro. Precisamos encontrar uma forma de desamassá-las e talvez passar uma tinta para dar vida nova.

Ah, estamos em busca de grafiteiros que topem um trabalho com espaço delimitado e 30 malucos palpitando. Alguém arrisca?

Talvez uma árvore fosse uma boa ideia. Uma figueira, como as da vila onde fica essa casa.


Trilha Pedagógica

Como “seeders” desta trilha, eu, Deak e Samadeu ficamos de puxar a conversa sobre a programação inaugural da nossa escola, em janeiro. Para tanto, vale retomar o objetivo central da escola.livre, que definimos neste primeiro projeto:

” Construir um espaço de reflexão e produção de informação, conhecimento e cultura, baseado nas práticas colaborativas da cultura digital, testando na proposta pedagógica e nas relações entre os pares (que assumem o papel de educadores e educandos) os limites, contradições e benefícios da arquitetura distribuída de rede nos processos formativos.”

Para alcançá-lo, pensamos em experimentar quatro modelos. É claro que a definição de cada um deles e os modelos em si podem e devem ser discutidos. Abaixo, colocamos nossa proposta, mas contamos com as contribuições de vocês antes de avançar.

1. trilhas de aprendizagem P2P (peer-to-peer, pirtiupir e pir tupy);

Baseado nos modelos de rede distribuída, tentaremos aqui criar um sistema de aprendizagem que seja construído também pelo aluno. A ideia é termos alguns “seeders”, ou seja, pessoas que sejam reconhecidas pelo conhecimento que detêm em tal área. Por exemplo: poderíamos ter pessoas com conhecimentos sobre cultura digital, em vários aspectos. Então, teríamos cerca de 10-15 seeders de cultura digital.

Num período determinado, os alunos (sem ter um nome melhor, e pra não chamar de leecher) poderiam escolher quais assuntos seriam discutidos, com quais seeders, em encontros presenciais e virtuais. Os presenciais se fariam na escola, uma ou duas vezes por semana, e funcionariam como uma desconferência.

Na Prática:
Escolhemos um tema (que pode ser Cultura Digital, Comunicação, Educação, Produção de Vídeo ou qualquer outro) e convidamos especialistas ou ativistas pra “seederizar” o processo de aprendizagem distribuída. Quem quiser participar da trilha, manda um breve currículo ou descrição de aptidões e expectativas, e disponibilidade de horário (para o teste inicial, na última semana de janeiro, durante uma semana). Com as informações sobre os “seeders” e os outros participantes, montamos uma tabelinha dizendo quem vai estar na escola e em que horário. A partir daí, as pessoas podem aparecer e construir conhecimento como quiserem, orientadas pelos “seeders” (se quiserem).

Este modelo é muito experimental e pode ser sensacional ou dar bem errado. Por mais que tenhamos que pagar alguel, luz, água, telefone, conexão etc etc etc, poderíamos oferecer a trilha sem cobrar dindin, mas pedindo ajuda pra mobiliar e decorar a escola. Fazemos uma lista tipo “chá-bar” e cada um traz o que quiser, montando a escola de maneira colaborativa – até no que é material 🙂

2. cursos definidos de maneira colaborativa;
Já temos um wiki com cursos propostos pelos membros da Casa da Cultura Digital. Mas teríamos, também, um wiki para que as pessoas sugerissem cursos que gostariam de ter. Fazem a sugestão do curso e inscrevem o nome nele, como pretendente. O curso é montado online e, quando atinge determinado número de alunos, acontece.

Na prática:
Jogaremos temas na página http://wiki.casadeculturadigital.com.br e vamos montando a programação juntos. Dependendo das necessidades, encontramos e convidamos mediadores – sejam professores, oficineiros ou palestrantes. Temos pouquíssimo tempo até janeiro, então precisamos correr para oferecer um curso assim na última semana do mês.

Pra este formato, podemos pensar num valor hora-aula pra alunos pagarem e mediadores receberem, levando em conta os gastos mínimos de manutenção da escola.

3. mini-cursos propostos de maneira tradicional, mas que privilegiem o saber de quem vem como “aluno”;
Neste modelo vale consultar os membros da Casa de Cultura Digital (e quem mais topar ser professor voluntário) pra propor cursos bacanudos. O professor dá as aulas como doação pra estruturação da escola e os alunos pagam um valor justo que ajude nas despesas do mês de janeiro.

4. palestras ou mini-cursos tradicionais, de modelo top-down.
Aqui, o modelão tradicional, 10 horas por curso, 5 dias da semana num dos períodos, ou uma oficina durante um fim de semana todo. E palestras de duas horas, com perguntas. Tudo, se possível, transmitido online.

Podemos sondar os interesses dos possíveis alunos e oferecer palestras, workshops ou mini-cursos com professores contratados por um valor hora-aula bacana. O valor por aluno seria um pouco mais alto que nos outros modelos, mas aindaassim mais baratos do que o mercado costuma cobrar.

Poderíamos montar a programação da última semana de janeiro lotando a escola toda com atividades variadas, de manhã, de tarde e de noite. Seria uma bela inauguração!

Que tal discutir os modelos aqui nos comentários e em qualquer lugar da rede com as tags #modelos #escolalivre ? Podemos debater até quinta-feira, pra depois compilarmos as contribuições e avançarmos nas propostas.


Rede de implementação

Passamos o final de semana (12 e 13 de dezembro) na Casa de Cultura Digital compartilhando projetos, pensando em formas de nos organizarmos, planejando 2010 e confraternizando . Como não podia deixar de ser, a escola.livre foi pauta importante, discutida na tarde de domingo. Os próximos passos pra sua concretização foram divididos nas “trilhas” que definimos pra gerir a casa e a escola até março de 2010. O Savazoni vai escrever um post explicando melhor o modelo, mas a ideia básica foi definir responsáveis (“seeders”) por puxar o papo em cinco trilhas temáticas – diferentes de grupos de trabalho por serem abertas à participação de qualquer pessoa em todos os temas. A divisão ficou assim:

questões institucionais: Aline e Thiago

estrutura física: Aline, Lu e Lia

ações pedagógicas: Bianca, Samadeu e Deak

divulgação: Pedro, Dani e Andressa

financiamento: Samadeu, Savazoni e Marquinho

Um “seeder” de cada trilha vai relatar as discussões aqui no blog, convidando as pessoas de dentro e de fora da Casa de Cultura Digital para colaborarem, numa metodologia inspirada na Ciranda de Textos.


versão beta do projeto

Há uma semana decidimos rascunhar a primeira versão do projeto da escola.livre. Além de iniciar a sistematização de nossas expectativas, podemos buscar parceiros que topem apoiar o início da empreitada 😉

Se quiser dar uma olhada, baixe aqui o PDF do projeto. Constribuições são mais que bem-vindas!


Nasceu, em junho deste ano, de utopias reunidas, a Casa de Cultura Digital. Éramos quase trinta – agora somos quase quarenta – a ocupar um castelo e uma casinha no Parque Savoia, “vila dos sonhos“, na Santa Cecília, em São Paulo. Ainda estamos discutindo quem somos e talvez este processo nunca termine. Mas já comemoramos realizações em que muitos de nós trabalhamos juntos, recebemos parceiros com objetivos comuns, partilhamos tristezas, e nos deliciamos com a convivência (quase) sempre harmoniosa de gente diferente e interessante.

No meio do caminho, em meados de outubro, apareceu outra casa pra alugar na vila. Ao lado do castelinho, com porta pra rua, preço acessível. O coletivo se reuniu, na manhã de 19 de outubro, pra avaliar a possibilidade de ocupação. “Cada um falou um pouco, quase todos convictos de que alugar a Casa 2 pode ser uma oportunidade interessante para a consolidação da Casa da Cultura Digital ao se criar a Escola de Cultura Digital”, registrou a Lia, no relato de reunião compartilhado em nossa lista de e-mails.

Desde então, a palavra “escola” apareceu 197 vezes na lista, realizamos quatro reuniões presenciais e trocamos muito nos corredores. E de um jeito meio atropelado – já que em dezembro pagamos o aluguel da terceira casa 🙂 – vamos planejando e concretizando nossa escola. Na práxis de agir e (re)descobrir teorias. De maneira coletiva e colaborativa. Utilizando este blog e uma página wiki pra construir e registrar o caminho.


Ministério da Cultura e RNP