CORDEL – O juiz que não apitava

O JUÍZ QUE NÃO APITAVA, 23 de outubro de 2016.  Dedicado ao amigo Carlos Alberto.

Eu conheço um nó cego
Vou contar sua história
É um caba preguiçoso
Que onde chega se escora
Se na sua casa ele chegar
E não tiver onde sentar
Já liga a moto e vai embora

O caba faz corpo mole
Pra ir na esquina comprar pão
Até pra isso vai de moto
Você não tem noção
Pra quem não o conhece eu falo
Sobre esse chamado Carlos
Mais conhecido por Negão

Trabalhou um certo tempo
Descarregando mercadoria
Ele tentava sem esforço
Adentrar uma categoria
Mas quando menos esperava
Sua rescisão era assinada
Pelos carrascos: a chefia

Ele saiu dessa empresa
Chamando a mesma de rabujo
Pelo menos pros amigos
Não saiu de nome sujo
Mas quando falam em emprego
O miserável treme de medo
Diz: – repita que eu fujo

Muitas vezes tem preguiça
Até mesmo pra falar
Enrola poucas palavras
Parecendo mastigar
O povo diz: – fale pra fora
E com voz grave ele bafora
– meu irmão, vá se lascar!

Certo dia nossos parceiros
Daquela já citada empresa
Me convidaram pr’uma pelada
Eu disse: – vou, com certeza
Esse vai ser o jogo do ano
Com o Pó de Serra, um veterano
Time aqui das redondezas

Na mesma hora prossegui
– eu vou chamar Carlão
Joseildo, empilhador
Logo respondeu que não
– Cabeludo, você tá doido
Ele vai roubar o povo
Deixe de ser vacilão

– Joseildo, meu parceiro
Ele saiu já dessa vida
Vai me dá uma carona
E pode apitar a partida
Ele só quer ver o jogo
E os parceiros de novo
Disso ninguém duvida

Joseildo concordou
E então me respondeu
– Eu acredito, Cabeludo
Ele também é amigo meu
Mas diga a ele desse jeito
Que é pra apitar direito
E se não apitar, fodeu

Eu logo liguei pra Carlos
E fui dando o recado
Se enrolando com as palavras
Se mostrou encabulado
O que ele disse não entendi
Mas a carona eu consegui
E o jogo tava confirmado

Chegou o dia da pelada
Todo mundo empolgado
O Negão chegou com a moto
E o nosso rumo já traçado
Quase não achava o campo
Saiu pra todos perguntando
Mas no fim foi encontrado

A pelada toda pronta
E o Negão sem muito esforço
Pegou o apito e os cartões
Já meio mole e preguiçoso
Não apitou pra começar
Ficou mexendo no celular
Nem atenção prestou no jogo

Negão de costas pro campo
E com a cabeça baixa
Não olhou pra nenhum lance
A moleza tava alta
O jogo era porrada e grito
Não se escutava o apito
Nenhuma marcação de falta

Um boy no chão gritava
– Isso é falta, seu juíz
O Negão disse: – tá doido
E apitar ele não quis
Mandou o boy se levantar
Deixou a bola rolar
E nenhum time mais feliz

E assim o jogo acabou
Sete a zero pro Pó de Serra
O Carlão desconsolado
Indagando: – e quem não erra?!
E o time inteiro da empresa
Reclamando a safadeza
– Esse juíz não vale merda!

Então Carlos começou
Um pedido de desculpa
E disse querer marcar
Ali uma nova disputa
Que não iria apitar
Queria mesmo é jogar
E tentar não levar culpa

FIM!

 

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