CORDEL – O caminhar da ignorância

O CAMINHAR DA IGNORÂNCIA, 26 de janeiro de 2017.

O CAMINHAR DA IGNORÂNCIA, 26 de janeiro de 2017.

A ignorância é um caba véi
Que chega sem dá recado
Bota a lucidez de lado
Nem te avisa quem é
Come miolo de mané
Afoga a gente em heresia
Em coletiva anestesia
Esquecendo até quem é

A ignorância anda cansada
Pegou até quem não queria
Levando falsas alegrias
É tudo à troco de nada
Parte pra outra em gargalhada
Sem peso na consciência
Entra na porta da inocência
Sai pelos fundos renovada

Pior é quando se mete
A fazer pacto com a ganância
Que é irmã da arrogância
Prima de um mói de infitete
Pior que o povo se submete
Libera a porta pr’essas desgraças
As três, de longe, achando graça
Gente na base do cassete

A gente se ilude muito
Alimenta falsa razão
Estufa o peito de convicção
E grita pra todo mundo
Num binarismo vagabundo
O pau canta dos dois lados
Enquanto um mói de alienado
Julga quem vai pra o outro mundo

Essa tal de ignorância
Passa por uma perturbação
Já pegou tanto cidadão
Que desespera com constância
Com nessa circunstância
Não sabe se é triste ou alegre
Já que ela virou febre
E permanece em abundância

Tá buscando feito estrupício
Em cada país e estado
Cidade, bairro e povoado
Loteamento e município
Por intelecto fictício
E inocência de gente humilde
É aí que a tal reside
E espalha todos seus princípios

O caba véi tá em todo canto
Trabalho, trânsito, mansão,
Política, música, religião,
Se fazendo até de santo
E eu prossigo sem espanto:
Ta na polícia, em nossas leis
Em quem odeia negro, gay,
Pobre ou gente d’outro canto

O ódio por si só
Enche o bucho da ignorância
Condena em qualquer instância
Corta laços sem dó
Faz a gente andar só
Pensando tá acompanhado
Mas, na verdade, anda ao lado
Do extremismo pra pior

Agora chego no final
De mais uma estória rimada
Que saiu meio embolada
E pode até acabar mal
Mas o motivo não é banal
A gente não é imune a tudo
Mas podemos ver o mundo
E praticar algo legal.

FIM!

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