CORDEL – Reféns do dinheiro

REFÉNS DO DINHEIRO, 27 de janeiro de 2017.

O tal dinheiro é um papel
Tem poder e costa quente
Que corrompe muita gente
Até inocente vira réu
Sem ele é um escarcéu
Gente beira a loucura
Porrada no mêi da rua
É pau do inferno até o céu

Pessoas vivem de restos
À margem da realeza
Sonhando em ter riquezas
Ou apenas em ter um teto
Sinto-me mal e confesso
Mesmo que’u tente, não consigo
Deixar passar despercebido
Estando, eu, longe ou perto

É duro ver tanta gente
Precisar do tal dinheiro
Com perrengue o ano inteiro
Ter uma vida mais decente
E é tanta gente carente
Sem regalia e fartura
Levando uma vida tão dura
Sem futuro, só presente

A frase “vencer na vida”
É amante do dinheiro
Pois é o lado financeiro
Que, o sucesso, justifica
E pra quem pega água em bica
Ouvir tal coisa desumana
O mundo anda e desanda
E o povo mais pobre fica

Ser humano, desumano
Se matando por beleza
Brigando por mais riqueza
E o resto vai se danando
Assim o mundo vai acabando
Entre mentira e vaidade
E essa triste realidade
A gente vai alimentando

Tem cheque e tem o cartão
Pra saciar sua vontade
Pagar tudo ou metade
Tudo em torno do cifrão
Tem shopping, carro e salão
Tem roupa, casa, sapato
E o imposto só sai mais caro
Pra quem não tem nem um tostão

O tal dinheiro e seu poder
Juntos a qualquer momento
Aturde o crescimento
Você compete com você
No velho sonho de crescer
Trocar por “lucro” é importante
Exaustão, suor e sangue
Quem que vai ganhar ou perder?!

Tantos canhotos e destros
Brigam exaustivamente
Pre segurar nossas correntes
Mal disfarçados honestos
Sobre governos, todo resto
Já deveríamos entender
Pois só tendemos a perder
Mesmo com tantos manifestos

Saudosa Emma falava
Nem meus pais eram nascidos
Coisas que o capitalismo
Desde o início nos tirava
Por isso ela alertava
Sobre vidas dependentes
Na pobreza, decadentes
Que tal sistema já causava

Em um livro publicado
Que muitas coisas extraio
“Anarquismo e Outros Ensaios”
Já deixa bem colocado
Sem notar somos roubados
Nos tiram o que têm vontade
Pra oferecer caridades
Nos mantendo acorrentados

Toda uma sociedade
Em fantoches reduzida
Num sistema que incita
A nociva rivalidade
Imagino que a verdade
É nos manter ignorantes
Suprimindo todo instante
Sonhos e necessidades

“Uns tem pouco e outros tanto”
Você deve ter escutado
Esse famoso ditado
O povo sempre tá contando
Sempre me pego pensando
Repetimos, mas na real
Não sabemos que é o capital
Que, isso tudo, vem gerando

Entre tantas coisas presumo
Que essa rima manifesta
O que ofereço não presta
Pois não gera grande consumo
Por meio desta resumo
Inquieto sobre esse tema
Que mantém vivo um sistema
Tão desigual e imundo

O que desejo na real
Não é só dar opinião
E, sim, gerar reflexão
Sobre um sistema desigual
Onde eu julgo ser anormal
Que se tenha capacidade
De desenvolver equidade
E não um abismo social

O capital não é pra todos
Somos meras engrenagens
Nos vendemos por vantagens
E o degrau quem sobe é outro
Mas há uma escada com lodo
Aquela escorregadia
Chamam de meritocracia
E você não chega no topo

E o pobre é quem se dana
Nesse meio capitalista
De uma cultura narcisista
Que só quem tem dinheiro ama
E a cada passo só desanda
Com a humanidade mais perdida
Tentando curar a ferida
A qual o sangue nunca estanca.

FIM!

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