CORDEL – Mídia sanguinária

MÍDIA SANGUINÁRIA, 10 de fevereiro do 2017.

MÍDIA SANGUINÁRIA, 10 de fevereiro de 2017.

Os anos vão indo embora
E as coisas vão mudando
Sua mente se adaptando
Ou, de atraso, ela estoura
Mas o que não é como outrora
É a tal da segurança
Que diminui a cada matança
Que a TV banaliza agora

Por justiça o povo clama
E no jornal aparece
Numa mídia que entristece
Incita um ódio que descama
Um povo entre o caos e a lama
Vendo a tarde na sua tela
Perto d’um corpo numa ruela
Tanta criança e nem se espanta

Uma criança atrás d’um corpo
Dando tchau na sua telinha
Mandando “alô” pra turminha
E o “jornalista” dá esporro
No cara que tá no chão morto
Dizendo ser mais um bandido
Que merecia ter morrido
E a família ver com desgosto

Existe uma seletividade
Quando se trata de crime
Pois com gosto se oprime
Bandido de comunidade
Amarram, em postes, menor de idade
Pra aplicar própria justiça
Em um ato extremista
E de desumanidade

Quando se trata da elite
O crime passa despercebido
Eles nem chamam de bandido
E evitam dá até palpite
Chove dinheiro, a mídia omite
Ou trata o caso com cautela
Pois gente assim, da laia dela
É que muito a lei transgride

Se negro e pobre é o bandido
É que aumenta o alvoroço
Pena de morte, é o que ouço
Ou linchamento é o pedido
Em um sistema já falido
Que o dinheiro é quem manda
O povo só cai e desanda
Num caminho quase perdido

Cometeu crime?! Tem que pagar!
E se o país vende justiça?!
Aí que o povo se atiça
E quer fazer no seu lugar
Mas vale a pena lembrar
Que emoção não faz justiça
Se a nossa anda com preguiça
Contra isso vamos lutar!

E o papel do jornalismo
Que eu saiba, é informar
E não ao povo agitar
E propagar tanto extremismo
Nojento o sensacionalismo
Sobre alheia desgraça
Ainda há quem ache graça
E exploda tanto egoísmo

E nem só de violência
Que o nosso país vive
Pois tem cultura, acredite
Todos precisam ter ciência
Negue a plena obediência
Desgrude da televisão
Vamos brigar por educação
E assim viver com mais decência

Educação de qualidade
É um bom caminho traçado
Pode ser duro e demorado
Se não tem oportunidade
Com estímulo, vem a vontade
E o povo quer estudar
Por isso muito tem que mudar
Nessa cruel sociedade

E essa sanguinária mídia
Nem considero jornalismo
Ta mais pra sadomasoquismo
Ou show de pirotecnia
Gera matéria doentia
Em cima de sangue e morte
E programas desse porte
Nem audiência merecia

FIM!

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