CORDEL – Boca do inferno (PARTE I)

BOCA DO INFERNO (Parte 1), 14 de fevereiro de 2017. Dedicado ao amigo Ivanildo.

BOCA DO INFERNO (Parte 1), 14 de fevereiro de 2017. Dedicado ao amigo Ivanildo.

Ivanildo é um rapaz
Que se diz muito viajado
Diz que morou em muito estado
E que pretende ir a mais
O caba é conversador demais
Tem gente que até se inspira
Mas maioria diz que é mentira
São esses que le tiram a paz

Presta serviço no Conde
Trabalha de conferente
Parece sempre sorridente
Pois os dentes nunca esconde
Me lembro como se fosse ontem
Fez entrevista em outra empresa
E num ato de safadeza
Da atual, deu o telefone

Ainda foi selecionado
E a outra empresa foi ligar
Mas não podia adivinhar
Pra onde tinha telefonado
Começou dá o recado
E percebeu a história toda
Foi aí que a coordenadora
Virou o próprio diabo

Botou o Ivan contra a parede
E começou a grita-lo
Com um olhar endiabrado
E o dedo na cara dele
Ela disse logo pra ele
Que muito ele rezasse
Pois se ela não o perdoasse
Seu último dia era aquele

Ele pediu tanto perdão
Que faltava até saliva
E ela meio dividida
Aliviou o coração
Ele aproveitou então
Saiu fingindo ser o tal
Disse que botou moral
Mas na real foi arregão

Dizem que pabuloso ele é
Que em tudo conta vantagem
Mente que faz muita viagem
Mas só engana mané
E se tu não bota fé
Até uns anos passados
Disse que tinha uma tornado
Mas vivia andando à pé

O moído dessa tornado
Muito rendeu na empresa
Diziam que era safadeza
E ele ficava enrolado
Fingia ir no encarregado
Pra ver se parava a resenha
Diziam: se for mentir, venha
Mas esteja preparado

Bicho doido da porra
Antes teve outra intriga
Quis indicar uma amiga
Que disse ser trabalhadora
Mas não contava com uma coisa
Uma história se espalhou
Que o empilhador afirmou
Que a “amiga” era sua esposa

Foi mais uma confusão
Ivan quase foi demitido
E se declarou inimigo
Do empilhador mandão
Ele sonhava em ser patrão
Mas ficou com ressentimento
Abandonou o recebimento
E foi parar na produção

_”Você quer mudar de vida?”
Ivan perguntou pra Chico
Que indagou desiludido
O que, em mente, ele teria
_”Eu vou montar uma padaria
E se tu tiver interesse
Pra que a mesma crescesse
íamos ser uma parceria”

Chico ficou calado
Fingiu pensar na proposta
Mas logo fez uma fofoca
E todos riram adoidado
Tiraram onda com o coitado
Gritaram quase o dia inteiro
Perguntando pelo padeiro
Que nunca um forno tinha usado

Dizem que ele, em qualquer canto
Chega dizendo suas mentiras
Arrumando muita intriga
E o povo fica questionando
Como é que um paraibano
É descarado até o talo,
Passa um mês lá por São Paulo
E volta com a fala chiando?!

É muita história pra contar
Envolvendo esse amigo
Que vai ficar puto comigo
Depois que a rima eu terminar
Mas vai ter que me perdoar
Talvez seja só o começo
E pode ter mais um enredo
Com mais mentiras pra rimar

FIM!

 

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