CORDEL – Julgamento

JULGAMENTO, 18 de março de 2017.

JULGAMENTO, 18 de março de 2017.

Quando se fala em julgamento
Vem logo no imaginário
O poder judiciário
Cabido nesse regulamento
Mas se pensarmos um momento
Também vamos nos lembrar
Que o velho ato de julgar
Vive em nosso pensamento

O juiz seu martelo bate
Encerra o caso no tribunal
E no dia a dia é normal
Gente que julga, rebate, late
Concluindo o que nem sabe
Dando muita solução
Mas é na falta informação
Que muito comentário cabe

Em certos casos no jornal
A gente já julga o culpado
Enquanto o caso ainda é julgado
E discutido no tribunal
É tanta opinião banal
Que só de ouvir fico cansado
E fico mais inconformado
Quando uso o mesmo mal

A gente julga inimizades
E as amizades também
Julga quem tem ou não tem
Julga humor, felicidade
Julga tamanho, julga idade
Julga roupa, comportamento
Só não julgamos nenhum momento
A nossa própria humanidade

A gente julga o concubinário
Julga a mãe, julga o pai
Julga gay, moça, rapaz
Julga o negro, o operário
Julga esse sistema precário
Ele julga, tu julgas, eu julgo
A gente julga todos e tudo
Pra julgar não tem horário

A gente julga qualquer esquema
A gente julga a todo instante
Polícia, pobre, traficante
Vítimas do mesmo sistema
A gente julga qualquer tema
Moral, sexo, prostituição
Não importa a ocasião
Julgar é sempre o nosso lema

A gente julga o professor
Julga o aluno, o favelado
Julga o bêbado, o drogado
O artista, o historiador
Julga o poeta, o doutor
Julga a vítima, o ferido
Até o morto e o agredido
Julgar virou ato de amor

A gente julga quem perdeu
Julga a mulher, julga o ladrão
O mulçumano, o cristão
Principalmente o ateu
Julga o espírita, o judeu
A gente julga, incita, boicota
Então um salve pr’os idiotas
Incluindo você e eu

Equidade virou um mal
A inclusão, nem vou falar
Pois tô querendo evitar
Pra não cair no tribunal
É muita ética e moral
Pra imoral e ignorância
O que mais quero é distância
Pra não agir pior ou igual

FIM!

 

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