CORDEL – Boca do inferno (PARTE 2)

BOCA DO INFERNO (Parte 2), 3 de março de 2017. Dedicado ao amigo Ivanildo.

BOCA DO INFERNO (Parte 2), 3 de março de 2017. Dedicado ao amigo Ivanildo.

Mais umas rimas vou contar
Do mentiroso Invanildo
Que deve tá puto comigo
Depois de outros eu rimar
Mas não posso deixar passar
Muito caso cabuloso
Desse grande mentiroso
Que tanto tenta enganar

Como já contei bem antes
Que se meteu a padeiro
Também quis ser fazendeiro
E dá uma de importante
Mas ele contou o bastante
Pra descobrirmos a mentira
E o miserável quase pira
Pois foi quase humilhante

Disse ser bom auxiliar
Em São Paulo, grande cidade
Mas seu currículo não tem metade
Do que costuma nos contar
Se for parar pra escutar
Tudo que ele tem pra mentir
Tu vai prender pra não rir
Mas no fim não vai aguentar

Com seu sorriso gigante
E seus dentes enormes
Não sei como o caba dorme
Depois de ser tão intrigante
E por caixeiro viajante
Toda empresa o apelidou
Pois muito diz que viajou
Sem ter dinheiro um instante

Das mentiras em sua lista
Que contou sem nenhum corte
Dizendo que foi no BOPE
E tentou ser bem realista
Citou até muito otimista
Um tal de Coronel Zé Pedro
Inventando mais um enredo
D’uma mentira calculista

Uma coisa não vou negar
O caba é inteligente
Pois pra enrolar tanta gente
Já era de se esperar
Quando muito ele calar
Pode esperar outra conversa
Pois sua mente fica dispersa
Quando mentiras quer criar

Foi no Chico, uma vez, contar
Sobre um de seus transtornos
Disse que foi chamado de corno
Quando foi namorar num bar
Eu só não lembro agora o lugar
Se foi São Paulo ou Rio de Janeiro
Só sei que disse ser encrenqueiro
E, nos caba, foi atirar

Disse que, na mesa, meteu o pé
E os caba foram levantando
Canela seca ele foi puxando
E perguntando logo: – qual é?!
Disse que os caba ficaram em pé
Tremendo de muito medo
E esse foi mais um enredo
Que ele só enganou mané

Agora eu vou relembrar
Sobre o caso de um bandido
Que ele compartilhou comigo
E que não pude acreditar
Ele disse presenciar
Uma pesada ocasião
Que um tal de Paulo Cachorrão
Chegou a protagonizar

Foi mais uma briga de bar
Que ele disse ter visto tudo
Mas foi muito absurdo
Pra qualquer um acompanhar
Pois começou no citado bar
E passou por muitas ruas
Onde a simples vista sua
Já não podia enxergar

Ele disse que o tal bandido
Preparou uma emboscada
Pra pegar um mói de caba
E não foi nem escondido
Bebendo e fingindo ser amigo
Dos caba que ia matar
Chegou a hora dele falar
Que todo mundo tava em perigo

Os caba querendo levantar
Ele atirou, um foi ao chão
Outros dois correram, então
Pra numa moto escapar
Ele foi finalizar
O que tava no chão caído
E depois de um tempo perdido
Os outros ele foi pegar

Numa moto o Paulo vazou
Sem medo e com ousadia
E o Nidim que me dizia
Como, os outros, ele pegou
Disse que da moto atirou
E mais um foi pra o chão
Foi aí que o Cachorrão
O segundo derrubou

Da mesma forma ele contou
Que Cachorrão matou o terceiro
E eu escutando já cabreiro
Como a história terminou
Ele só não explicou
Como viu todo acontecido
Já que foi tudo tão corrido
E muito longe acabou

Nem que muito ele corresse
Conseguiria acompanhar
E nem ia me admirar
Se até isso me dissesse
Pois mesmo se ele tivesse
Moto pra ver todo esse enredo
Aposto que teria medo
De ver tudo se pudesse

E por aqui eu vou parar
Mais uma rima sobre o cara
Que a verdade só mascara
E só estórias quer contar
Agora não vou me lembrar
Mas se eu lembrar faço de novo
Mais versos sobre o mentiroso
Que a todos tenta enganar

FIM!

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