CORDEL – Policial ou bandido?

POLICIAL OU BANDIDO?, 7 de abril de 2017. Dedicado ao policial aposentado, autoritário e frustrado, Constantino.

POLICIAL OU BANDIDO?, 7 de abril de 2017. Dedicado a um policial aposentado, autoritário e frustrado.

Eu não decido quem é bandido
Também não sou quem julga o crime
Muito menos sou quem oprime
Ou separa joio do trigo
Vivo o que é pra ser vivido
Enquanto essa guerra atinge a gente
E todo dia morre um inocente
Quem, dessa vez, puxou o gatilho?!

“Foi traficante ou foi polícia?”
Mais um caso a investigar
Ou mais um pra arquivar?!
Dependendo da perícia…
Quem acha tudo uma delícia
É quem lucra com essa guerra
Que há muito tempo não se encerra
Por causa de tanta malícia

A gente dorme e não acorda
E cada vez mais é normal
Uma “ditadura” individual
Onde o ódio só engorda
Se alguém fala e você discorda
Já gera um grande atrito
Foi o que ocorreu comigo
E um policial calhorda

Sobre polícia, tenho dito
Contra, à favor?! Paciência!
Eu sou contra essa truculência
Pois, pra mim, não faz sentido
Transborda o autoritarismo
Impregnado à sociedade
Que leva à óbito a liberdade
Nesse sistema corrompido

O policial acima citado
Com quem tive um atrito
Se declarou meu inimigo
E ainda fui ameaçado
Só por eu ter discordado
Com a volta da ditadura
Que, segundo ele, só tortura
“Bandido e caba safado”

Só porque resolvi falar
Que não era bem assim
Ele se alterou pra mim
E tentou me pressionar
Começou logo a gritar
Se usando como exemplo
E eu disse sem perder tempo
Pra não só nele pensar

Então resolvi questionar
Se também eram “bandidas”
As crianças desaparecidas
Na ditadura militar
Ou se também ia ignorar
Tanto repórter que tinha sumido
Alguns presos até ao vivo
Por não se deixarem censurar

Me respondeu o policial
O seu bordão preferido
“ERAM SAFADOS E BANDIDOS”
Berrando feito animal
Nem animal irracional
Tem tanta falta de empatia
E essa guerra todo dia
Não é entre o “bem” e o “mal”

Mandou-me escolher um lado
Tentando me intimidar
“Você tá com polícia militar
Ou com bandido e caba safado?”
E eu disse que não era obrigado
Entrar nessa dicotomia
Que o mundo não se resumia
Nesse assunto isolado

Desejou que eu fosse assaltado
E que apanhasse do ladrão
Porque, só assim, então
Eu ficaria do seu lado
Pensava ele, enganado
Pois já sofri essa violência
Mas mantenho minha consciência
Não vivo, assim, tão perturbado

Ele me disse que amigo
Ele tentava ajudar
E que não excitava em matar
Quem fosse seu inimigo
E eu perguntei se era comigo
Essa clara ameaça
E ele negou meio sem graça
Mas tentando impor perigo

Minha família, usou de exemplo
Até minha filha de dois anos
Ficou sensacionalizando
E polarizou meu pensamento
Então continuou dizendo
Que eu não concordava naquilo tudo
Por não serem vítimas de estupro
Minha esposa e filha, até o momento

Eu me senti impotente
E revoltado também
Com esse tal cidadão de bem
Que se diz tão competente
Com ignorância persistente
Quer que todos pensem igual,
Que violência policial
Das demais, é diferente

Fico muito incomodado
Com esse tipo de ignorância
Que de cara com a discordância
Te imputa o que não foi falado
Como ele disse que eu tô do lado
De bandido, gente errada…
Não quer ter opinião tocada?!
Fica calado ou internado

Eu entendo que a população
Está farta de violência
Que pra viver com decência
Ta quase fora de padrão
Me revolta essa situação
Mas não podemos ser iludidos
Pois os mais fortes bandidos
Fazem as leis dessa nação

O que mais vemos são crimes
De motivação racial
E ainda acham normal
Brigar por um regime
Que quem for contra ele oprime
E a lei mais forte é a censura
Em fusão com a tortura
Num jogo que só tem um time

O cara clama pena de morte
Mas na favela já existe
Até quem a lei não transgride
Recebe uma pena desse porte
A velha lei do mais forte
Só em bairro nobre que não existe
O pobre que até o fim resiste
Tem sempre que contar com a sorte

FIM!

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