CORDEL – Maré de puro escarro

MARÉ DE PURO ESCARRO, 2 de maio de 2017.

MARÉ DE PURO ESCARRO, 2 de maio de 2017.

Outra manhã vai passando
Correndo pr’o fim de mais um dia
Hoje a chuva dominando
Uma terça de melancolia
Estantes tapam minha vista
Produtos, mureta, pista
Alimentam a monotonia

Vem chegando mais um cliente
Fazendo girar as engrenagens
Que deixa o homem contente
Lhe concedendo certas vantagens
Tem gente careca de saber
E eu to ficando de não entender
No meio de tantas ferragens

Quanto mais leio e procuro
Mais distante me sinto
Mais descontente, mais recluso
Com cada coisa que pressinto
A cada passo, mesmo sem queda
Mesmo que não me atirem pedras
Sigo perdido no labirinto

Que tal baixar mais um joguinho
Pra esquecer tanto problema?!
Nem que seja por um tempinho
Sem ansiedade, sem dilemas
Manter dopada a mente
Talvez seja, infinitamente
O melhor de todos os esquemas

Aproxima-se do meio dia
O céu, agora, triste e escuro
Pessoas repetem a correria
Por um desejo prematuro
Disparam olhares de julgamento
Assim como as julgo neste momento
Enquanto, em mente, me torturo

E é com muito fervor
Que borbulha o caldeirão
Transbordando com tanta dor
Dúvidas, raiva, insatisfação
E o pior de tudo isso:
Permanecemos todos omissos
A quem só jura solução

Entre indiretas e “textões”
Dá-se uma nova “revolução”
Modernas polarizações
Dividindo toda uma nação
Por interesses de uma classe rica
O pobre iludido arrisca
Todo futuro em ilusão

Vai custar muito pra aprender
Que o povo é ingovernável
Até lá vamos sofrer
Nessa maré incontrolável
Onde aprendemos todo dia
Sobre uma falsa democracia
Meritocrata e execrável

Agora o dia vai acabando
Como uma tragada de cigarro
Que até a espuma vai queimando
E a fumaça ofusca o escárnio
O que se pode aproveitar
Antes d’outro dia se afogar
Em mais um mar de puro escarro?

FIM!

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