CORDEL – Vai como o vento

VAI COMO O VENTO, 8 de Junho de 2017. Arte adaptada da obra digital “Sênior casal sentando em dia frio” de Ronjoe.

Flutuam sonhos com o vento
Palavras que vão sem volta
Murmúrios que a ninguém toca
Anseios procede o tempo
Feliz descontentamento
Contente na voz do triste
Vivendo com um dedo em riste
Que insiste em julgamentos

Com o vento se vão desejos
Impulsionados por migalhas
Com o vento se vão as falhas
Repetidas em mais segredo
Se vão tão reais enredos
Convertidos a meras histórias
Com o vento se vão vitórias
E as vezes só resta o medo

Das flores, as mais bonitas
O vento leva sem contestar
O de mais belo e singular
Ou reles coisas finitas
Dificilmente algo fica
Se não se forem como o vento
Entra em ação o velho tempo
Com vida rica e infinita

Ideia que se vai em vão
Com o vento junto voa
E o sistema não perdoa
Tudo acaba em chavão
Com o vento vai solução
Esquecida com o tempo
Quase tudo vai como vento
Restando um simples canivão

Com o vento se vai o dia
Perdido desde o amanhecer
Em precedência do emudecer
Com o temor à covardia
Reforçando uma arredia
Que o vento esquece e não leva
Como um sopro apaga uma vela
Que um brilho triste irradia

Com o vento vai a inspiração
Que resiste e promete volta
Que cumpre a promessa agora
E some ao fim de sua missão
Com o vento vai uma canção
Escrita com muito fervor
Carregada de amor e dor
Maior que qualquer oração

Com o vento vão esses versos
Que muito me roubou rimas
Com o vento se vão sinas
As quais já me despeço
A idiotice do esperto
E a esperteza do idiota
Com o vento insiste e volta
Na frequência que me disperso

E apesar de tantos pesares
O que vento leva, também trás
Num ciclo infinito e capaz
Trás o anseio de novos ares
Transmuda tantos olhares
Que como o meu tão pessimista
Com forte dose niilista
E liberdades tão vulgares

Tanto leva sem pedir
Quanto trás sem preguntar
Tanto acha sem procurar
Quanto dá sem servir
Tanto escuta sem ouvir
Quanto diz sem falar
Tanto ocupa sem estar
Quanto é vazio ao vir

Nessa rotina cansativa
O vento vai e depois volta
Pelas partes mais remotas
Como o vôo de uma patativa
De formas tão convidativas
E relativas ao mesmo tempo
Assim chega e sai o vento
Com intromissão paliativa

FIM!

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