Com uma homenagem a cineasta Suzana Amaral e show musical de Chico César, começa hoje, a partir das 20 horas, no Centro de Convenções Victor Brecheret, em Atibaia, São Paulo, a quinta edição do FAIA – Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual. A solenidade de abertura contará ainda com a presença de autoridades governamentais locais, estaduais e federais, de representantes de entidades não governamentais do setoraudiovisual brasileiro e de lideranças cineclubistas de quatorze países.
Todas as atividades programadas são gratuitas e abertas a participação da comunidade. O evento terá continuidade até o próximo dia 16 de janeiro e além de reunir em sua Mostra Competitiva “Troféu Sapuari” os curta-metragens e vídeos digitais premiados em 26 dos principais festivais brasileiros realizados em 2009 e oferecerá aos interessados várias atividades paralelas, entre as quais merecem destaque a exibição de Mostras Não Competitivas organizadas pelos produtores dos Festivais de Contis (França) e FIKE - Festival Internacional de Curta Metragens de Évora (Portugal).
Ao promover pelo segundo ano consecutivo um encontro de representantes das entidades associadas ao CBC - Congresso Brasileiro de Cinema, a programação do 5 FAIA consolida o evento como um dos mais importantes espaços de reflexão e debate sobre os problemas relacionados ao audiovisual brasileiro. Preparatório ao 8 Congresso Brasileiro de Cinema, o encontro já tem confirmadas as participações de representantes de 45 das 54 entidades filiadas ao CBC, de entidades filiadas ao FAC epersonalidades do audiovisual brasileiro. Representando o setor governamental já estão confirmadas as presenças do Secretário Executivo e Ministro Interino da Cultura, Alfredo Manevy, do Secretário Nacional do Audiovisual, Silvio Da Rin, do Presidente daANCINE - Agência Nacional de Cinema, Manoel Rangel e de inúmeras lideranças parlamentares estaduais e federais.
Segundo o cineasta cearence e atual presidente do CBC, Rosemberg Cariria o encontroobjetiva promover um balanço geral das atividades desenvolvidas pela entidade durante o ano de 2009 e estabelecer o temário que deverá nortear a programação do 8 Congresso Brasileiro de Cinema previsto para acontecer em junho deste ano em Porto Alegre (RS). “Vivemos um momento de profundas modificações na cultura audiovisual e precisamos estar atentos e preparados para enfrentar todos os novos desafios colocados. Neste contexto entendemos ser fundamental a promoção do diálogo e de um processo reflexivo envolvendo o maior número possivél de entidades, lideranças e gestores governamentais que estejam dispostos a contribuir com o fortalecimento do audiovisual e da diversidade cultural brasileiras. Esse é o objetivo desta reunião que estaremos realizando em Atibaia e diante das participações já confirmadas nossa expectativa é de que conseguiremos alcançar plenamente nossos objetivos”. – ressaltou.
Reafirmando também seu caráter cineclubista e internacional, a programação do V FAIA – Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual contempla também a realização do VEIAC - Encontro Iberoamericano de Cineclubes e do I Encontro Internacional dos Direitos do Público. Organizados em parceria com a FICC - Federação Internacional de Cineclubes e do CNC - Conselho Nacional de Cineclubes estas atividades já tem confirmadas a participação de lideranças cineclubistas de cerca de 15 países. Segundo o Vice-Presidente da FICC e Presidente do CNC, Antonio Claudino de Jesus os encontros pretendem fortalecer e consolidar a integração entre os movimentos cineclubistas dos países iberoamericanos e a campanha mundial pelos Direitos do Público que vêm sendo empreendida pela FICC.
O 5 Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual é uma realização da Associação de Difusão Cultural de Atibaia / Difusão Cineclube em parceria com Prefeitura da Estância de Atibaia, através da Secretaria Municipal de Cultura e Eventos de Atibaia e conta com o apoio do Ministério da Cultura através da SAV - Secretaria do Audiovisual e daSPC - Secretaria de Políticas Culturais.
Homenageada
Suzana Amaral
Paulistana, nascida em 1932, é atriz, roteirista e cineasta.
Suzana Amaral iniciou sua carreira aos 37 anos no final da década de sessenta (1968 e 1971) quando, já mãe de nove filhos e quase avó, prestou vestibular para a primeira turma do curso de cinema na Escola de Comunicação e Arte da USP.
Sua estreia como diretora se deu em 1971 com o curta “Sua Majestade Piolim” sobre o famoso palhaço e suas ligações com o teatro popular; e com “Semana de 22″, um panorama da Semana de Arte Moderna.
Em 1974, foi produtora e diretora da TV Cultura, rodando mais de cinquenta documentários em curta-metragens para o extinto programa Câmara Aberta.
Posteriormente fez pós graduação em Nova Iorque, onde, durante seu mestrado, continuou a produzir e dirigir.
Em 1979 foi premiada no Festival de Brasília com o curta “Minha Vida, Nossa Luta” (melhor filme), obra que serviu de pano de fundo e inspiração para a luta pelas creches da periferia de São Paulo.
Em 1985, Suzana Amaral estreia em longas de forma arrasadora na bela adaptação cinematográfica do livro homônimo de ClariceLispector, “A Hora da Estrela”.
O filme foi consagrado pela crítica e premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (1986), ganhando seis prêmios na mesma edição, ficando na história do festival como longa mais premiado. Revelou o talento da atriz Marcélia Cartaxo para o mundo e conquistou o Leão de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim.
“A Hora da Estrela”, que conta também com atuações marcantes de José Dumont, Fernanda Montenegro e Tâmara Taxman, fez sucesso em vários festivais internacionais levando a diretora a acompanhar exibições do filme em cerca de 25 países.
No mesmo ano foi premiada como melhor direção no Festival de Havana.
Durante alguns anos Suzana Amaral percorreu diversos países promovendo a obra “A Hora da Estrela”. Neste tempo escreveu cinco roteiros e produziu filmes para a emissora de TV portuguesa RTP.
Na década de 90 Suzana Amaral continuou sua carreira com produções para televisão e atuou no média metragem português “O regresso do homem que não gostava de sair de casa”, de M.F. Costa e Silva.
Em 2001, Suzana Amaral volta à direção com outra adaptação literária, “Uma Vida de Menina”, de Autran Dourado. Também mais uma vez a cineasta revela outra ótima atriz, a enigmática Sabrina Greve como a interiorana Biela. Uma Vida em Segredo” recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília e quatro prêmios no Cine Ceará: Melhor Filme, Melhor, Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.
Sua mais recente obra é o longa “Hotel Atlântico” (2009), adaptação do livro homônimo do escritor gaúcho João Gilberto Noll.
Filmografia:
- “Semana de 22″ (1968)
- “Sua Majestade, Piolim” (1971)
- “Os Mortos Viram Terra” (1971)
- “Érico Veríssimo” (1975)
- “A Pair of Shoes” (1976)
- “Circularity” (1977)
- “Views of My Father Weeping” (1978)
- “Minha Vida Nossa Luta” (1979)
- “Crescer Para Ser Quem?” (1979)
- “A Hora da Estrela” (1985)
- “Procura-se” (1992)
- “Uma Vida em Segredo” (2001/2002)
- “Perto do Coração Selvagem” (2004)
- “Hotel Atlântico” (2009)
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JBPN / 2010.
–
João Baptista Pimentel Neto
Diretor de Articulação e Comunicações do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema
Secretário Geral do CNC – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
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