CULTURA DIGITAL 2010: PERIGO E OPORTUNIDADE

Quando começamos a Cultura Digital no MinC, chamávamos isso de 3a geração da “Inclusão Digital”.
A primeira geração era a onda de “informática para os pobres” com a lógica obtusa e perversa de que sem “informártica” o pobre “não vai ser ninguém na vida”.

A segunda eram os Telecentros da Prefeitura de São Paulo, capitaneados pelo Sergio Amadeu, um projeto extraordinariamente importante e paradigmático que apontava para a potencialidade político/cultural da Internet e ferramentas livres.

A terceira seria a compreensão que a revolução das tecnologias digitais só poderiam ser entendidas a partir de parâmetros culturais e que deveria avançar para além dos telecentros e das ferramentas. Esta foi a lógica da Ação de Cultura Digital para os pontos de cultura que tinha como vetores 1- a questão da tecnologia apropriada. Apropriada no sentido de ser própria para sua finalidade e apropriável pelas pessoas e pelas comunidades e coletivos. e 2- Que a Cultura Digital do MinC precisaria ser construida em um território que borrasse as fronteiras entre o governo e sociedade civil.

As coisas se deram como se deram. Fantásticos avanços e fantásticos equívocos. ((Governos não foram feitos para dar certo))

Mas independentemente das atribulações, chegamos num momento crucial para a Cultura Digital.

A coisa caiu na boca do governo e do povo. O fenômeno das Lan Houses, por um lado e o que chamo de efeito Obama (que para ganhar eleições, é preciso saber usar a Internet) por outro abriram os espaços para um novo patamar de Cultura Digital tanto no governo quanto na sociedade civil.

Isso é bom, claro, mas é ruim e perigoso também.

No governo se construiu 2 grupos políticos. A turma da “Inclusão Digital” dos Telecentros e a turma da Cultura Digital.
Os primeiros, a turma da “Inclusão” se tornaram rapidamente fundamentalistas e corporativistas que querem aumentar seu feudo político.

O segundo grupo, o povo da Cultura Digital, que prega autonomia tecnológica pleno uso das inacreditáveis possibilidades da interatividade na intenet na construção de uma sociedade em rede.

Quero provocar essa discussão no Fórum Paulista de Cultura Digital.

E tenho um objetivo que gostaria de atingir: A convergência estratégica fundamental da Ação de Cultura Digital da SCC (que ajudei a construir) com o Fórum da Cultura Digital Brasileira (do qual sou membro do comitê executivo).
E, como território desta sinergia, a Teia Digital em março 2010 em Fortaleza.

Minha fala e minha ação no Fórum Paulista será para articular isso tudo.Temos uma inacreditável oportunidade.
Esta é uma “briga” política importantíssima!!

Claudio Prado

coordenador do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital

Leave a Comment

Please leave these two fields as-is:

Protected by Invisible Defender. Showed 403 to 29 bad guys.