Eu ouço música na Rádio Guarani e/ou na Rádio Alvorada e, às vezes, tenho vontade de chorar, porque me lembro de coisas que já se passaram, cheiros, cores, sensações, momentos… Eu assisto o Roda-roda Jequiti, todos os domingos. Eu ainda leio antes de dormir, a não ser que esteja exausto ou um tanto alcoolizado. Eu ainda rezo. Eu também leio apenas as manchetes do primeiro caderno Estado de Minas, quando estou em casa, e a coluna da Dad Squarisi, o horóscopo, os textos sobre literatura/cultura do caderno Pensar. Também gosto de ler os cadernos de informáticas e a página “Segunda via”, só com reclamações. Catarse… Sou, de fato pessoa comum, que procura demonstrar para os alunos que o mais interessante da Literatura é lê-la. A teoria vem depois, se vier… Assim, fico de quatro, mentalmente, quando começo a pensar em certas e coisas e do nada me veem as linhas que segue…

É assim mesmo. São três linhas. Na primeira uma palavra em inglês. Na segunda, o início de uma pergunta, na terceira o seu fim. Ponto final. Chamam a isto, poema. Sim, poema. Com todas as letras. Há inúmeras explicações para isso. Todas elas, plausíveis. Ainda que se já comum encontrar pessoas que não entendem muito bem como e porquê, mas, ao final, tudo se acerta. É um poema. Este é um pressuposto suficiente para discorrer sobre o assunto: poesia. Ou seria Literatura? As duas palavras não remetem para um mesmo campo de “conhecimento”, o da linguagem? Se assim é, por que usar uma em situações diferentes da outra. Não se pode usar uma “pela” outra? Isso seria considerado um “desastre”? Ou apenas um erro comum, corriqueiro, apesar de grosseiros. Simples, apesar de comprometedor? Como explicar um sofisma como este. Sim, porque é praticamente um sofisma.

Sofisma: substantivo masculino. No campo da Lógica, significa “argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa”. Argumentação que aparenta verossimilhança ou veridicidade, mas que comete involuntariamente incorreções lógicas; paralogismo. Sua derivação leva à consideração de que se trata, por extensão de sentido, qualquer argumentação capciosa, concebida com a intenção de induzir em erro, o que supõe má-fé por parte daquele que a apresenta; cavilação. Outra derivação leva a pensar em (informal) mentira ou ato praticado de má-fé para enganar (outrem); enganação, logro, embuste. Seu sinônimo mais próximo é “falácia”. A palavra tem origem grega e significa: habilidade, destreza; artifício; intriga. Viu só? Toda a gente pode acreditar que se trata de encontrar uma verdade que vá responder a boa parte de suas dúvidas – afirmar que vai encontrar “todas” seria muita pretensão. Pois então… Um sofisma, veja só. E pensar que durante todos esses anos acreditou-se que a “verdade” poderia estar simulada entre tantas opiniões divergentes e congruentes. Tanta dissensão, tanta certeza. E agora, ao deparar com estas três linhas, assalta a mente a possibilidade plausível, de um sofisma. Pois bem, três linhas. Uma palavra em inglês e uma pergunta “quebrada” em duas linhas. Por que será que se chama a esse sintagma, poema?

Parece que tudo isso fica do avesso quando se fica a saber que a pessoa que escreveu estas três linhas é um poeta…