Últimos Posts

  • Nada a dizer…

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Notas pessoais no dia 17/05/2011

    O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO (autoria atribuída a Jô Soares)

    O material escolar mais barato que existe na praça é o PROFESSOR!

    É jovem, não tem experiência. É velho, está superado.

    Não tem automóvel, é um pobre coitado. Tem automóvel, chora de “barriga cheia’.

    Fala em voz alta, vive gritando. Fala em tom normal, ninguém escuta.

    Não falta ao colégio, é um “caxias”. Precisa faltar, é um “turista”.

    Conversa com os outros professores, está “malhando” os alunos. Não conversa, é um desligado.

    Dá muita matéria, não tem dó do aluno. Dá pouca matéria, não prepara os alunos.

    Brinca com a turma, é metido a engraçado. Não brinca com a turma, é um chato.

    Chama a atenção, é um grosso. Não chama a atenção, não sabe se impor.

    A prova é longa, não dá tempo. A prova é curta, tira as chances do aluno.

    Escreve muito, não explica. Explica muito, o caderno não tem nada.

    Fala corretamente, ninguém entende. Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário.

    Exige, é rude. Elogia, é debochado.

    O aluno é reprovado, é perseguição. O aluno é aprovado, deu “mole”.

    É… o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

    Tags: , , , ,

  • Não é que é mesmo?

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Notas pessoais no dia 13/05/2011

    Não sei quem é o autor (isso já está ficando repetitivo…!). Gostei e partilho… Tomara que o final de semana seja tranquilo! Salve Nossa Senhora de Fátima!

    Em muitos idiomas europeus, a palavra NOITE é formada pela letra N + o número 8 na respectiva língua. A letra N é o sí­mbolo matemático de infinito e o 8 deitado também simboliza infinito, ou seja, noite significa, em todas as línguas, a união do infinito!!!


    Português: noite = n + oito
    Inglês: night = n + eight
    Alemão: nacht = n + acht
    Espanhol: noche = n + ocho
    Francês: nuit = n + huit
    Italiano: notte = n + otto

    Interessante, não?

    Tags: , ,

  • Falácias vocabulares

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Notas pessoais no dia 12/05/2011

    Há situações em que a gente fica na dúvida se ri ou se chora. A prepotência na atitude de gente que “pensa” que está fazendo muito sucesso e que pode ser considerado exemplo, modelo, arcano… Por outro lado, a estupidez estampada em sorrisos amarelos, quando a dúvida impera solene. Num e noutro casos, bastaria breve consulta ao “pai dos burros” ou, mesmo, à NGB (Norma Gramatical Brasileira), ou ainda ao Vocabulário Ortográfico. Alguns dirão que a velocidade da comunicação e sua rentabilidade prescindem destas consultas… Ledo engano. Esses cães ladram, a caravana continua passando, deixando em seu rastro a sombra da ignorância e a mancha da falta de educação. Feministas de plantão vão gritar, tenho certeza – quase absoluta! Mas Não adianta nem mesmo queimar os soutiens… A língua, nesse caso, usa, absoluta, o seu poder arbitrário e determina. Durma-0se com um barulho desses…

    A presidenta foi estudanta?

    Existe a palavra: PRESIDENTA?

    Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto?

    Miriam Rita Moro Mine – Universidade Federal do Paraná.

    No Português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante… Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade. Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionarem à raiz verbal os sufixos ante, “-ente” ou “-inte”. Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha.

    Diz-se: capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.

    Um bom exemplo do erro grosseiro seria:

    “A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.

    Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.

    Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação.

    Tags: , , , , , ,

  • Realidade(s)

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Notas pessoais no dia 11/05/2011

    No marasmo mental desses dias, li o texto abaixo – recebido de um aluno – e fiquei pensando no tanto que muita gente pensa que pode considerar a idiotice como marca identitárias daqueles a quem querem enganar. Certa perversidade nesta atitude imatura e “imoral” de tentar passar a perna em outras pessoas e se sentir muito “competente” por ter feito isso. Sem moralismos…

    PS: parece que o texto veio da “terrinha”…

    Estratégias de manipulação

    Estratégias e técnicas para a manipulação da opinião pública e da sociedade

    por Sylvain Timsit

    . 1- A estratégia da diversão
    Elemento primordial do controle social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e da mutações decididas pelas elites políticas e económicas, graças a um dilúvio contínuo de distracções e informações insignificantes.
    A estratégia da diversão é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais, nos domínios da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.
    “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais” (extraído de “Armas silenciosas para guerras tranquilas” )
    2- Criar problemas, depois oferecer soluções
    Este método também é denominado “problema-reacção-solução”. Primeiro cria-se um problema, uma “situação” destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis securitárias em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.
    . 3- A estratégia do esbatimento
    Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Foi deste modo que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante os anos 1980 e 1990. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.
    4- A estratégia do diferimento
    Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como “dolorosa mas necessária”, obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. A seguir, porque o público tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que “tudo irá melhor amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
    Exemplo recente: a passagem ao Euro e a perda da soberania monetária e económica foram aceites pelos países europeus em 1994-95 para uma aplicação em 2001. Outro exemplo: os acordos multilaterais do FTAA (Free Trade Agreement of the Americas) que os EUA impuseram em 2001 aos países do continente americano ainda reticentes, concedendo uma aplicação diferida para 2005.
    . 5- Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas
    A maior parte das publicidades destinadas ao grande público utilizam um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, muitas vezes próximos do debilitante, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Exemplo típico: a campanha da TV francesa pela passagem ao Euro (“os dias euro”). Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adopta um tom infantilizante. Por que?
    “Se se dirige a uma pessoa como ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reacção tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos”. (cf. “Armas silenciosas para guerra tranquilas” )
    6- Apelar antes ao emocional do que à reflexão
    Apelar ao emocional é uma técnica clássica para curto circuitar a análise racional e, portanto, o sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, pulsões ou comportamentos…
    . 7- Manter o público na ignorância e no disparate
    Actuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.
    “A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores”. (cf. “Armas silenciosas para guerra tranquilas” )
    8- Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade
    Encorajar o público a considerar “fixe” o facto de ser idiota, vulgar e inculto…
    . 9- Substituir a revolta pela culpabilidade
    Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo se auto-desvaloriza e auto-culpabiliza, o que engendra um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da acção. E sem acção, não há revolução!…
    10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios
    No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio. Isto significa que na maioria dos casos o sistema detém um maior controle e um maior poder sobre os indivíduos do que os próprios indivíduos.

    . .

    © syti.net, 2002
    O original encontra-se em http://perso.wanadoo.fr/metasystems/Manipulations.html .
    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

    Tags: , , , , ,

  • Palavras…

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Sem categoria no dia 04/05/2011

    A palavra “coisa” é um bom bril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma ideia. Coisas do português.
    A natureza das coisas: gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste há “coisar”: “Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?”.
    Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as “coisas” nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. “E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios” (Riacho doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, “coisa” também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: “Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já.” E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a coisinha.
    Na literatura, a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O coisa, em 1943. A coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A força das coisas, e Michel Foucault, As palavras e as coisas.
    Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que lá vem a “coisa”.
    “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (…)”. A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. “Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca.” Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta “Alguma coisa acontece no meu coração”, de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).
    Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem “Coisinha de Jesus”.
    Coisa, também, não tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira “coisíssima”. Mas a “coisa” tem história na MPB.
    No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré (“Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar”), e A Banda, de Chico Buarque (“Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor”), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: “Coisa linda / Coisa que eu adoro”.
    Cheio das coisas

    As mesmas coisas, coisa bonita, coisas do coração, coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o “rei das coisas”. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, “são tantas coisinhas miúdas”). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade (“ô coisinha tão bonitinha do pai”). Todas as coisas e eu é título de CD de Gal. “Esse papo já tá qualquer coisa… Já qualquer coisa doida dentro mexe.” Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: “Alguma coisa está fora da ordem.”
    Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.
    A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: “Agora a coisa vai.” Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!
    Coisa à toa
    Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema “Eu, Etiqueta”, Drummond radicaliza: “Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.” E, no verso do poeta, “coisa” vira “cousa”.
    Se as pessoas foram feitas para ser amadas, e as coisas para serem usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas mas.
    Mas, “deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida”, cantarola Fagner em “Canteiros”, baseado no poema “Marcha”, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: “amarás a Deus sobre todas as coisas”.

    Entendeu o espírito da coisa?

  • Mais um trecho

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Sem categoria no dia 27/04/2011

    Ele se sente fora do mundo, algo assim como um quadro que sai de seu lugar próprio numa casa e se perde pelos descaminhos do tempo e do espaço, nas andanças do destino. A internete não funciona. Pela televisão o tempo escorre em paisagens – algumas conhecidas – da cidade do Porto. Sotaque português que faz recordar os dias que passou na terra de Camões e Eça, também depois de grave e caudaloso curso de tempo. Memórias. O corpo não muda mais, não é mais possível recuperar um tônus que, amiúde, antes de se perceber a passagem do tempo, enchia de energia cada movimento e, como quê, exigia compensação – não raro da ordem do sexual – para se fazer continuamente em movimento, não necessariamente lascivo. Mas movimento que, junto à língua, faz pensar na possibilidade do amor entre falantes de línguas absoluta e radicalmente afastadas fonética, ortográfica, sintática e semanticamente. O corpo se deforma: não mais a moldura nodosa de carne, qual serpente de corda grossa a envolver a ossatura que não perde seu tônus. Não mais a mesma flexibilidade lépida e ágil dos verdes anos, que dourados passaram, numa vitalidade que agora é memória conservada na sabedoria dos movimentos contidos e mais sensatos que a “saúde” – fruição, alegria/felicidade, qual vinho rubro envelhecido em tonéis de carvalho: mais “encorpado” – demanda. Na velocidade do pensamento, respirando com o ritmo do coração, a memória faz enxergar palavras que questionam valores que, antes, mais que lemas, eram obrigações éticas. Andre Gide diz: O primeiro dever dos discípulos é jogar fora a lição dos mestres”. O tempo passa, as lições se aprendem. O tempo passa…

  • Mudanças

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Sem categoria no dia 25/04/2011

    Há alguma coisa mudando, realmente. Pode ser que os apocalípticos de plantão estejam certos: estamos em maio, e 2012 está perto, cada vez mais perto. Às vezes, brincando, digo que o mundo acabou-se mesmo em 2000, como previu Nostradamus. Foi ele mesmo não foi? Digo que o que estamos vivendo, desde então, é meramente memória guardada do que se chamava, e ainda se insiste em chamar de “vida”. Digo isso, lembrando (ops!) de uma aula de Estética da Literatura, na UnB, em 1986, quando fiz mestrado. A professora começou com a observação de que o que estávamos vivendo ali, naquele momento poderia ser apenas rememoração e outra dimensão existencial, que não estávamos “realmente” ali e que ainda não nos tínhamos dado conta desse fato. O delírio durou umas cinco horas, pois quando nos demos conta, eram quase sete da noite, e a aula tinha começado às duas e meia! Pois…

    Outro dia, no início de uma partida de voleibol, a televisão mostrou a “indecisão” de todos os envolvidos, sobre se a partida deveria acontecer ou não. Motivo: com as chuvas de então, corria-se o risco de haver algumas escorregadelas na quadra, o que poderia causar danos às atletas que “profissionais” não poderiam ser expostas a este “risco”. Quando meus pais jogavam voleibol, os jogos aconteciam em quadras de cimento. Muita gente boa já ganhou campeonatos jogando em condições bem inferiores… Tudo bem, o progresso… Eu jamais soube de alguém que tenha encerrado carreira por conta de um escorregão, algumas esfoladelas e, até, pernas e braços quebrados. Que eu saiba, nenhum jogar morreu em quadras de cimento.

    Mais uns dias e… Um grupo grande de adolescentes é assassinado brutalmente por um rapaz desequilibrado. Uma tragédia, sem dúvida. O rapaz mata e depois se mata. A “mídia” exalta-se, corre atrás de depoimentos de sobreviventes e de parentes dos mortos. As perguntas continuam estupidamente as mesmas. Tanto que não merecem sequer um comentário. A polícia diz isso, os políticos dizem aquilo, a imprensa, em nome da sociedade, “exige” medidas de segurança. Mas ninguém se lembrou de dar proteção à família do assassino que, com medo de ser linchada – o que fatalmente aconteceria dado o nível de histeria coletiva que envolveu o imbróglio – não foi resgatar o corpo para enterrá-lo. De acordo com as “leis” há um prazo para isso. Findo este, o defunto é enterrado como indigente”, ainda que o termo n a taxonomia legal não seja exatamente este!

    Para ficar só com dois “casos”, lembro apenas o fato de que o esporte “amador” morreu. Irrevogavelmente. Ninguém mais pratica esporte por gosto, prazer, espírito desportivo. O que “manda” é o dinheiro, a fama, o patrocínio, o desconto no imposto de renda, a mudança para o exterior, a disputa por “um lugar ao sol” ou a capa da revista, ou o cheque de milhares de reais. Claro está que o “mérito” pela vitória – ainda que questionável, muito questionável mesmo, na minha modesta e quase inútil opinião – não se pode deixar de destacar. Numa expressão só: que pena!

  • E agora?

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Sem categoria no dia 22/04/2011

    E eu só queria ver uma amiga recebendo a medalha da Inconfidência. Só isso, mais nada. Mas a “repórter” abriu a bocarra para soltar impropérios, os mais variados, acompanhada por uma “professora” que, rouca, despejava toda a sua “memória” na frente das câmeras, atrapalhando o meu desejo de ver minha amiga querida, Andreia Donadon leal, receber a Medalha da Inconfidência. Parabéns Andreia!!! O fato me fez pensar na “liberdade” de expressão e na distância que ainda existe entre o desejo e o poder. Foucault, às vezes, deve se retorcer, se contorcer, no túmulo, ouvindo as barbaridades que sobre ele falam. A partir de sue pensamento, tão claro e lógico, muita bobagem vai sendo dita, escrita e “vendida” como “verdade”… Em meio a essas elucubrações (adoro essa palavrinha!) chega uma mensagem com uma suposta “resposta” ao Marcelo Tas e à Preta Gil, acerca de recente imbroglio envolvendo o Bolsonaro. Antes dessa mensagem, li uma carta atribuída ao “parlamentar” (sic!) Jean Willis, que conheci em Salvador, muito antes de se tornar uma “celebridade” (pobre cultura nacional) tendo vencido certame televisivo de gosto mais que duvidoso. Todo mundo sabe o nome. Quando o conheci, ele era como eu, mais um professor dizendo o que pensava, numa mesa redonda sobre diversidade sexual e literatura. Vai parecer conversa de velho, mas… naquele momento… Bem… Deixa isso pra lá. Depois de ler o texto do Willis, recebi a tal mensagem com a suposta resposta que reproduzo abaixo, literalmente. Sei não… O que posso dizer é que me fez pensar. Como sou adepto da polêmica, antes de mais nada, quis trazer aqui o texto. Isso não significa que o estou subscrevendo. Também não o repudio. Eu o li e gostei do tal de texto. A opinião de cada um é seu primeiro e suficiente guia para a opinião vir a ser formada. Pensem o que quiserem, mas leiam antes!

    RESPOSTA
    DO Sr. MARCO MAIA AO MARCELO TAS (E PRETA GIL)

    Resposta interessante de um homossexual assumido, que resume o festival de baixarias a que estamos assistindo, em torno do "babado" da hora: Bolsonaro x Preta Gil. A reunião de artistas e metidos a artistas da Globo e outros defensores dos drogados e transloucados vai tentar acabar com o deputado, mas no fundo, no fundo… pensem bem… Leiam o interessante texto-resposta ao sensacionalista do CQC… e lembrem que a mídia vai tentar explorar ao máximo os dividendos que possam advir desse episódio… E se o Marcelo Tas acha inadmissível o deputado ter falado daquele jeito com essa Preta Gil, deveria achar também suas declarações abertas a respeito de ter feito sexo com mulheres e organizado surubas, já que é mãe, casada e EXIGE respeito dos outros… então calasse a boca e guardasse suas intimidades para si… mas essa merda dá dinheiro e fama…

    Tenho 42 anos, sou gay, advogado e moro em Londres. Nunca sofri nenhum tipo de discriminação em virtude de minha orientação sexual. E como gay, penso que tenho alguma
    autoridade nesse assunto.

    Primeiramente – e já contrariando a turba – gostaria de expressar minha sincera simpatia
    pelo Sr. Bolsonaro, que no fundo deve ser uma pessoa de uma doçura ímpar, apesar de suas manifestações "grosseiras e/ou politicamente incorretas". Vou direto ao assunto. Nunca tive problemas em ser homossexual porque sou uma pessoa normal, como qualquer heterossexual. Esse negócio de viver a vida expressando diuturnamente sua sexualidade é uma doença. A sexualidade é algo que se encontra na esfera da intimidade e não diz respeito a ninguém.
    Não tenho trejeitos e não aprecio quem os tem. Para mim, qualquer tipo de extremo é patológico. Minha vida é dedicada e focada em outras coisas. Outros, como doentes que são, vivem a vida focados na sexualidade. O machão grosseiro e mulherengo ou a bicha louca demonstram bem estes extremos. Qualquer tipo de pervertido ou depravado (como a Preta Gil), o
    pedófilo, etc…, estão neste barco.

    Nunca fui numa parada gay e jamais irei, pois para mim aquilo é um circo de horrores, uma apologia à bizarrice e à cocaína – sejam francos e falem a verdade! Hoje aplaudimos o bizarro e a perversão doentia e ainda levamos nossos filhos pra assistir. Se a parada gay realmente fosse um ato político, relembrando sua real importância histórica, muito bem caberia no
    carnaval – abrindo o desfile das escolas de samba. Muito mais apropriado.

    Está rolando sim, um movimento das bichas enlouquecidas, no sentido de transformar o mundo num grande puteiro-hospício gay. Eu tenho um sobrinho de 11 anos e nunca senti a necessidade de explicar para ele que o “titio é gay” – isto é uma palhaçada. As crianças devem ser educadas no sentido de respeitar o próximo e ponto. Isto engloba tudo.

    Se pararmos para olhar como o mundo se encontra, temos que reconhecer que o modelo de educação que se desenvolve há décadas foi criado no sentido de deseducar e desestruturar cultural e intelectualmente as massas. Universidades por todo mundo vomitam milhões de pseudo intelectuais todos os anos, mas tudo piora a cada dia e caminhamos a passos largos para o buraco. Todos os governos do mundo conspiram contra seus próprios cidadãos e se
    transformaram em grandes máfias, junto com os Bancos e as Corporações estão levando tudo, inclusive (e principalmente) nossa própria humanidade. A corrupção se alastra pelo globo e nunca vimos tantas guerras e destruições que vão desde o aspecto moral, até o material – a destruição de nosso próprio planeta.

    A coisa está tão feia, mas tão feia, que somente uma intervenção "divina" é capaz de frear nossos insanos governantes e a turba alucinada. Vejam a quantidade de manifestações de OVNIS pelo mundo. O “disclosure” é iminente. 2012, como símbolo de transformação, está aí e a peneira vai passar.

    Não crucifiquemos o pobre do Bolsonaro. Tenhamos o entendimento de que seu comportamento é um grito de agonia de alguém que está lá para fazer o seu papel, pois se ninguém disser um chega BEM ALTO a coisa sairá dos limites – como já está saindo. Ele é sim a expressão de milhares e milhares de pessoas, para não dizer milhões. Ele pode ser meio atrapalhado, mas não está errado não. E tenho certeza que esse blá blá blá de dar porrada no filho se for “viado” é só da boca pra fora. Ele é uma pessoa boníssima. Eu tenho certeza disso.

    O mundo precisa de amor e filosofia, não de mais ódio e fanatismo.

    E essa Preta Gil é o fim. Vai ser vagaba assim na pqp.

  • Dúvidas…

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Sem categoria no dia 19/04/2011

    Estava eu aqui – apesar de não ser Inês – posto em meu desassossegado sossego (Evoé, Pessoa!), pensando em alguma coisa para publicar em meu blog: algumas vezes, consigo vencer minha proverbial preguiça e alcanço tal intento, pasmem! Pois… Pensei em falar de um lugar esquisito com gente estranha. Um lugar em que os carros que descem as ladeiras têm a “preferência”, contrariando uma das mais básicas leis de trânsito. Lugar em que as pessoas, com a desculpa de falta de espaço, andam no meio, literalmente, no meio das ruas e ainda reclamam, bravas, quando um carro as ultrapassa, rente ao braço, à perna, à bunda, etc… Um lugar em que vendedores e atendentes do comércio, primam pelo sorriso perverso quando respondem com um redondo e sonoro “não”, ao cliente que pergunta por determinado artigo; e que, por vezes, ainda têm a pachorra de dizer que se o cliente quiser, que leve o artigo que está exposto. Isso não é privilégio desse lugar, mas aqui a coisa se acentua por conta do tempo… em suas edificações que o testemunham incólumes. Tal situação me fez lembrar de uma vendedora de papelaria – que também vendia livros! – em outro lugar. Perguntada que foi, por mim, sobre a existência, no estoque, de determinado livros. Ela, impassível, sem mover um só músculo além dos necessários para articular uma frase – pois nem um sentimento ela sequer tentou esboçar com/na sua resposta – disse o famigerado “não”. Pasmado, retruquei que a memória desta “indivídua” era insofismável, motivo de orgulho e inveja. Ela se assustou e arriscou um porquê. Então minha vingança veio, torpe e absoluta: porque com sua resposta, você pensa ter demonstrado que a tem, a tal memória insofismável. Sabe de cor e salteado o nome dos livros e de seus autores, demorada e empoeiradamente depositados nas estantes da loja. Dei-lhe as costas e fui-me embora… Tempos outros… Mas não era bem isso o que eu eu queria. Daí, fui olhar minha “caixa postal – eletrônica… – e vi mensagem que me envia um primo, com suposto texto de estudante de Direito da região Sul do Brasil. Como adoro uma polêmica, resolvi copiar o texto e colocar aqui. Da leitura, para mim, resta a pergunta que não quer calar: será???!!!

    O DIREITO DE IR E VIR BARRADO PELOS PEDÁGIOS

    Entre os diversos trabalhos apresentados, um deles causou polêmica entre os participantes. “A inconstitucionalidade dos pedágios”, desenvolvido pela aluna do 9º semestre de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Márcia dos Santos Silva chocou, impressionou e orientou os presentes.

    A jovem de 22 anos apresentou o “Direito fundamental de ir e vir” nas estradas do Brasil. Ela, que mora em Pelotas, conta que, para vir a Rio Grande apresentar seu trabalho no congresso, não pagou pedágio e, na volta, faria o mesmo. Causando surpresa nos participantes, ela fundamentou seus atos durante a apresentação. Márcia explica que na Constituição Federal de 1988, Título II, dos “Direitos e Garantias Fundamentais”, o artigo 5 diz o seguinte:

    “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”, e no inciso XV do artigo: “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. A jovem acrescenta que “o direito de ir e vir é cláusula pétrea na Constituição Federal, o que significa dizer que não é possível violar esse direito. E ainda que todo brasileiro tem livre acesso em todo o território nacional; o que também quer dizer que o pedágio vai contra a constituição”.

    Segundo Márcia, as estradas não são vendáveis. E o que acontece é que concessionárias de pedágios realizam contratos com o governo Estadual de investir no melhoramento dessas rodovias e cobram o pedágio para ressarcir os gastos. No entanto, no valor da gasolina é incluído o imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), e parte dele é destinado às estradas. “No momento que abasteço meu carro, estou pagando o pedágio. Não é necessário eu pagar novamente. Só quero exercer meu direito, a estrada é um bem público e não é justo eu pagar por um bem que já é meu também”, enfatiza.

    A estudante explicou maneiras e mostrou um vídeo que ensinava a passar nos pedágio sem precisar pagar. “Ou você pode passar atrás de algum carro que tenha parado. Ou ainda passa direto. A cancela, que barra os carros é de plástico, não quebra, e quando o carro passa por ali ela abre. Não tem perigo algum e não arranha o carro”, conta ela, que diz fazer isso sempre que viaja. Após a apresentação, questionamentos não faltaram. Quem assistia ficava curioso em saber se o ato não estaria infringindo alguma lei, se poderia gerar multa, ou ainda se quem fizesse isso não estaria destruindo o patrimônio alheio. As respostas foram claras. Segundo Márcia, juridicamente não há lei que permita a utilização de pedágios em estradas brasileiras. Quanto a ser um patrimônio alheio, o fato, explica ela, é que o pedágio e a cancela estão no meio do caminho onde os carros precisam passar e, até então, ela nunca viu cancelas ou pedágios ficarem danificados. Márcia também conta que uma vez foi parada pela Polícia Rodoviária, e um guarda disse que iria acompanhá-la para pagar o pedágio. “Eu perguntei ao policial se ele prestava algum serviço para a concessionária ou ao Estado.

    Afinal, um policial rodoviário trabalha para o Estado ou para o governo Federal e deve cuidar da segurança nas estradas. Já a empresa de pedágios, é privada, ou seja, não tem nada a ver uma coisa com a outra”, acrescenta. Ela defende ainda que os preços são iguais para pessoas de baixa renda, que possuem carros menores, e para quem tem um poder aquisitivo maior e automóveis melhores, alegando que muita gente não possui condições para gastar tanto com pedágios. Ela garante também que o Estado está negando um direito da sociedade. “Não há o que defender ou explicar. A constituição é clara quando diz que todos nós temos o direito de ir e vir em todas as estradas do território nacional”, conclui. A estudante apresenta o trabalho de conclusão de curso e formou-se em agosto de 2008. Ela não sabia que área do Direito pretende seguir, mas garante que vai continuar trabalhando e defendendo a causa dos pedágios.

    FONTE: JORNAL AGORA

    Texto recebido em mensagem enviada para mim por meu primo, Fernando César Pacheco, que, por sua vez, recebeu do engenheiro Max Lucena.

  • Impressões para romance

    0 comentários

    por: José Luiz Foureaux de Souza Júnior, em Notas pessoais no dia 08/04/2011

    images[1]

    Sou pretensioso. Quero escrever um romance. Quem sabe um dia. Enquanto isso, como agora, registro passagens. Escrevo trechos. Penso migalhas para, quem sabe um dia, vir a transformar tudo isso em “matéria narrativa”, ainda que, ao fim e ao cabo, a gente jamais seja capaz de dizer e-xa-ta-men-te o vem a ser isso, mesmo com todas as leituras, teorias e elucubrações dos mais renomados e eminentes medalhões. Nesse enlevo de devaneio em tarde modorrenta, encontrei, num banco de praça, um caderno. Fiquei um tempo na dúvida: pego ou não pego? Ninguém me conhecia naquela cidade (fica ao norte de Minas e não é lá muito grande). Ia ficar por ali apenas dois dias e o primeiro já se tinha ido. Mais dúvida e insegurança. Fiz hora, olhei para os lados. Demorei mais um pouco e, finalmente, venci a vergonha, o embaraço, o medo de ser pilhado. Peguei o dito cujo. Não havia muita coisa escrita. Na verdade, estava quase em branco, a não ser pelas últimas páginas – fato estranhíssimo – que mostravam alguns parágrafos que transcrevo abaixo. Resolvi copiar, entre sôfrego e amedrontado. Já não era tão cedo, a luz escasseava e eu tinha esquecido meus “olhos de ler” no hotel. Copiei. Deixei o caderno no banco da praça e corri para o hotel. Guardei a cópia que abaixo segue. Depois voltei à praça, como quem não quer nada, e fiquei no passeio, à frente de um bar – numa dessas mesinhas esdrúxulas de plástico. Observava o cair da noite. Entre um chope e outro, tentei vislumbrar o banco em que fiquei sentado, copiando. Não consegui divisar o caderno – talvez por fraqueza de foco visual, talvez pelo enevoamento leve e gostoso do álcool. Até hoje estou na dúvida: o dono o reencontrou? Alguém foi mas corajoso que eu e o levou para casa? As “margaridas” o recolheram ao serviço de limpeza urbana? Uma alma caridosa – geralmente senhora ou senhor de certa idade – o entregou para um policial que, porventura por ali passava? O que terá acontecido, meu Deus, com aquele caderno? De quem seria? Por que fora deixado ou esquecido ali? Perguntas e mais perguntas e nenhuma resposta.Penso que é um incidente interessante para constar de um romance. Eu e minha pretensão ficamos satisfeitos! Segue a cópia!

    “Faz algum tempo, numa escola em que trabalhei, os alunos do segundo ano reclamavam comigo sobre a obrigatoriedade de uso de uniforme na escola. Diziam que era feio, que a camiseta tinha uma cor horrorosa e que o logotipo do colégio era medonho. A única “vantagem” que viam era poder usar o tal “uniforme” (na verdade, apenas a camiseta) com jeans. As freiras não exigiam o mesmo calçado. Comecei a rir. Quando me deram chance, pedi a eles que se olhassem uns aos outros, atentamente. Depois de alguns segundos perguntei: o que vocês usam para carregar o material de vocês? Resposta uníssona: mochila. Que tipo de calçado vocês preferem usar? De novo, a uma só voz: tênis. Por fim, arrisquei: que tipo de calça estão usando? Uníssono, para gáudio da “galera” (ops… um anacronismo…): jeans. Deixei que ficassem me olhando, em silêncio – entre interrogativos e superiormente gozadores, como soe acontecer com boa parte dos “aborrescentes” do planeta – e disse: e são vocês a reclamarem de uniforme???

    Agora, lembrando disso, fico pensando nos “rapazes” e “moças” – entendam estas aspas como quiserem – que estudam onde dou aulas. A cada dia que passa, firma-se mais a minha convicção de que estamos parados no tempo, em certo sentido. Um ex-colega costumava dizer que havia uma cabeça de burro enterrada embaixo do prédio magnífico. Prédio mais que centenário, que guarda em suas paredes histórias que linguagem alguma é capaz de contar. Os documentos existenciais ali arquivados ficarão eternamente no oblivium,por impossibilidade de expressão. Os que ali viveram, os que por ali passaram e os que estão ali agora já fazem parte desta memória que vai ser, um dia, como é hoje, praticamente ancestral. Pois… É nesse lugar que corrijo a assertiva do colega. Penso que não uma cabeça de burro apenas, acredito – cada dia mais – que há cabeças de uma manada de burros. Magotes e magotes dos mamíferos que ali ficaram, soterrados, puxando para baixo as energias que mantêm viva a arquitetura barroca, tombada pelo patrimônio. Digo isso não sem alguma tristeza, pois seria mais que interessante, nesse lugar, plasticamente e visualmente deslumbrante – pela antiguidade – poder contar com todos os confortos científicos em seu interior. Mas não é bem assim. À parte isso, causa-me espanto, para não dizer ojeriza – ó… disse! – a estética do proletariado tardio, dos hippies sonolentos e dos revolucionários renitentes. Essa estética que mistura a falsa impressão de desobediência civil, a camuflada aventura da aprendizagem, o superficial verniz das benesses em falácia didático-pedagógica e o fulgor da vaidade acadêmica. Ao lado desse dramatis personae, voeja, qual mariposas em postes de iluminação pública em dias de forte calor e pouca chuva por vir, aqueles que andam de chinelos de dedo, carregam sacolas de pano e ou mochilas penduradas nos ombros, usam bermudas e camisetas surradas, cabelos despenteados – nisso não são pós-modernos: com a graça de Deus não enfiaram o dedo na tomada para eletrificar os cabelos e/ou empastaram a cabelama com goma arábica, fazendo imagem e semelhança de cacatuas falantes e muito, mas muito eruditas, interdisciplinares, neo-politizadas e muito descoladas, fashion mesmo!”

    Hoje, relendo essas linhas, penso na sua autoria. De quem será? Como é que vive ele ou ela nos dias que correm, se é que vive. Se for professor de ensino médio, pode ter sido ameaçado por algum aluno mais exaltado, filho de pai importante na cidade, ameaçando a autoridade pedagógica caso fosse reprovado. Se de ensino superior, pode até ter sido assassinado por um estudante desequilibrado, como aconteceu na capital. Vai ver, participou e um movimento de apoio a alguma estudante mais ousada que resolveu ir às aulas já pronta para a “balada”. Ou então é alguém que não se nota, que entra e sai do prédio em que trabalha sem ao menos ser notado. Terá sido alguém que ainda tem família, ou já vivia só, sem mais parentes, quando escreveu aquelas linhas. Onde ela ou ela estará agora? O que estará fazendo? Dorme vestido(a)? Quantas perguntas meu Deus, quantas dúvidas, quanta curiosidade…

    images[10]

    Tags: , , , ,