terça-feira, 16 de março de 2010

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  • Fórum » O que é comunicação digital? (12 posts)
  • andredeak disse 7 months atrás:

    Antes de começarmos a debater os problemas e as possíveis soluções relacionadas à comunicação digital é interessante definirmos sobre o que exatamente estamos falando. Comunicação digital é simplesmente a comunicação que se realiza através de bits e bytes? É uma outra comunicação ou é a mesma comunicação mais rápida, mais poderosa? Qual é o campo da comunicação digital e seus aspectos mais relevantes?
    Mais detalhes para a discussão no blog do grupo:
    http://www.culturadigital.br/comdigital/2009/08/13/comunicacao-digital-delimitacao-do-campo/

  • Takashi Tome disse 7 months atrás:

    Olá André, Rodrigo e tod*s,
     
    Eu creio que os temas indicados são altamente pertinentes, e gostaria de comentar sobre o primeiro deles: a preservação (e evolução) da língua.
     
    Antes de mais nada, eu sugiro, como uma referência estatística, alguns números do Wikipedia. Na “capa” do site (http://www.wikipedia.org/) temos o número de verbetes nos principais idiomas. Como vcs podem ver, não estamos mal: o português (Brasil, Portugal,..) está entre os 10 mais.
     
    Em uma outra página, http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Size_of_Wikipedia,
    vcs podem ver a evolução do número de verbetes ao longo dos anos. Esses dados indicam o dinamismo da sociedade lusófona, da qual o Brasil é parte importante.
     
    Mas voltando ao início: a pergunta que vc coloca é bastante oportuna: “Comunicação digital é simplesmente a comunicação que se realiza através de bits e bytes ou é uma outra comunicação?”.
     
    Leigamente – dado que não sou lingüista e muito menos filólogo – mas aprendendo com os mesmos, e também por constatação empírica, vejo que a língua sofre mutação ao longo do tempo. Novas palavras surgem, outras têm seu significado modificado em função do contexto social e correspondente cultura tecnológica. Basta ver, nas últimas décadas, (o benefício d’) a uniformização lingüística promovida pela televisão brasileira mas, ao mesmo tempo, o estrago provocado ao destruir culturas locais, não apenas em termos de sotaques mas especialmente em termos de significação dos termos. A destruição de significados das palavras pode, rapidamente, ao cabo de uma geração, levar à destruição de conhecimentos tradicionais acumulados representados por aquelas palavras, e é aí que reside o problema para o qual gostaria de alertar.
     
    A cultura digital – a cultura dos gadgets digitais e da globalização – possui essa dualidade. Ela pode ser benéfica ao facilitar a nossa comunicação, ao adaptar o nosso vocabulário ao meio tecnológico no qual estamos inseridos, mas ao mesmo tempo pode sepultar conhecimentos tradicionais que deveriam ser preservados e que dependem da “velha cultura”.
     
    Assim, acredito que, considerando apenas esse sub-sub-aspecto, temos dois desafios pela frente:
    a) a preservação da língua tradicional e o conhecimento que ela representa; e
    b) cuidar para que a introdução dos novos vocábulos atenda a um mínimo de regramento, para evitar que nossas professorinhas de portugûes tenham ataques cardíacos em massa…
     
    Abraços
    Takashi

  • Bárbara Lobato disse 6 months atrás:

    Enquanto os meios de comunicação discutem mil e uma idéias sobre como monetizar o conteúdo na internet, pesquisadores e acadêmicos mostram como os jornais estão apenas perdendo tempo, porque estão ultrapassados não apenas no próprio uso das redes, mas sobretudo em entender como mudou a forma de as pessoas consumirem notícias por completo.
    Um relatório comercial da Ericsson aposta que até 2014, 80% da banda larga do mundo será acessada por tecnologias móveis em vez de computadores de casa ou de trabalho.
    Fica a questão: se os jornais não parecem sequer entender seus próprios sites oficiais na internet, estarão os meios de comunicação preparados para oferecer produtos e serviços para uma sociedade em plena mobilidade, quando 140 caracteres de uma “twittada” às vezes parecem mais que suficiente?
    Enquanto isso, o Wall Street Journal noticia que em quatro anos a Ásia, principalmente a China e a Índia, vai responder por 43% do tráfego da internet contra 13% dos Estados Unidos. E é justamente lá onde a internet móvel sempre esteve um passo a frente das demais regiões do mundo. É bom ficar de olho.

    Acho que esse post do Knight Center abre uma luz no túnel.

    Abs,

    Bárbara

  • Glaucio Aranha disse 6 months atrás:

    Em relação às perguntas, por que não sistematizá-las um poucoi mais se queremos chegar à alguma conclusão eficiente?
    1)Comunicação digital é simplesmente a comunicação que se realiza através de bits e bytes?
    2) É uma outra comunicação ou é a mesma comunicação mais rápida, mais poderosa?
    3) Qual é o campo da comunicação digital e seus aspectos mais relevantes?”
    Entendo que devamos partir de conceitos já estabelecidos para evitar devaneios sobre o que já está mais, ou menos, consolidado. Assim, em relação à primeira pergunta, sugiro partir da evidência mais concreta, ou seja:
    “Conceito de Comunicação Digital: Transmissão de informação em forma digital a partir de uma fonte geradora da informação até um ou mais destinatários.”.
    Se partirmos disso, não se trata de uma ferramenta “mais poderosa ou menos poderosa”, mas de um novo modelo de comunicar. A partir deste recorte mais objetivo, podemos, aí sim, pensar a questão de “o que está dentro de seu campo de abrangência”. Por exemplo:
    A comunicação digital pode ser entendida como um conjunto de processos de transferência de conteúdo por meios digitais, caracterizado pela convergência de mídias com foco na troca de informação e na interatividade do processo comunicativo.

  • Hikari disse 6 months atrás:

    Eu entendo como comunicação digital qualquer canal de comunicação que envolva a digitalização de dados. A revolução vem pela flexibilidade e pela dinamicidade, não por um “mundo digital” como alguns divagam.

    É o mesmo q vc ligar pra um amigo pelo telefone, ou ir numa área de grande circulação de gritar num alto falante.

    Só naum sei se deve-se excluir do conceito a digitalização de canais já existentes, como telefone digital, TV digital, rádio digital, etc. Afinal esses canais não foram demasiadamente transformados pela digitalização, só deixaram d transmitir analogicamente e passaram a usar dados digitais, conseguindo assim maior qualidade, mas o funcionamento básico continua o mesmo.

    Gostei muito do q Takashi falou e concordo totalmente. Cada região do Brasil, cada cidade, cada bairro tem um estilo próprio de falar. O português é apenas a linguagem base, mas ele naum está morto como o Latim e evolui a cada instante.

    Formas de falar vistas por muitos com preconceito, como gírias e sotaques, são partes importantíssimas das culturas locais, e devem ser valorizadas e respeitadas. Mesmo qd falamos com pessoas de regiões diferentes, devemos nos expressar de acordo com nossa cultura, ter nossa cultura respeitada e respeitar a das pessoas com q falamos.

    A comunicação digital ajuda a valorizar as culturas locais, ao permitir de qqr pessoa do mundo possa se comunicar e produzir seu próprio conteúdo, ao contrário de TV e rádio onde a produção é centralizada e o conteúdo é disseminado por grandes regiões.

    Com a democractização do conteúdo promovida pelos vários canais de comunicação digital, as pessoas podem divulgar sua cultura local pra todo o mundo, e várias pessoas se comunicarem diretamente sem depender de grandes corporações da área de comunicação.

  • Glaucio Aranha disse 6 months atrás:

    Entendo que uma das principais dificuldades em se chegar a um denominador comum está no fato de que alguns tratam Comunicação Digital com foco no meio de comunicação e outros com foco nos processos de comunicação. É necessário promover a convergência dos dois focos ou a definição de qual perspectiva o grupo privilegia.

  • josemurilo disse 6 months atrás:

    Na perspectiva da formulação de políticas públicas, acredito que o cenário da ‘comunicação digital’ se apresenta como uma possibilidade de democratização no uso da mídia. Neste caso, o processo contempla capacitação e fomento a iniciativas de comunicação comunitária que explorem as ferramentas do ambiente digital.
     
    O tema foi de alguma forma abordado na intervenção do Antonio Martins por ocasião do evento de lançamento do fórum #culturadigitalbr, registrado no vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ojE6SGQ_PW4.br /> 
    As iniciativas do MEC e do MMA que contemplam a introdução de atividades e práticas de ‘Educomunicação‘ me parecem ações relacionadas ao que podemos formular neste eixo.
     

  • Tremma disse 6 months atrás:

    Concordamos plenamente com você José Murilo, na perspectiva da formulação de políticas públicas voltadas para a democratização no uso da mídia.
    Quando falamos a respeito da comunicação digital voltada à cultura, as políticas públicas tem um papel fundamental, principalmente ao incentivar a criação de novas mídias digitais e promover a cultura regional.
    Sobre o que o Hikari menciona, a comunicação digital colabora de modo a valorizar as culturas locais, especialmente quando essas mídias digitais se utilizam do jornalismo cultural como proposta de promoção da cultura.
    É na perspectiva do uso da comunicação digital, quer seja por meio de blog´s, de portais e de usos de outros canais de comunicação digital, que a cultura deve ser fomentada.

  • Ceila Santos disse 5 months atrás:

    José Murilo e Tremma, uma dúvida: então comunicação Digital passa a ser visto como projetos editoriais vinculados a comunidades estabelecidas ou entidades da área de cultura?  Ou enxergam a possibilidade de Comunicação Digital ser o conceito de projetos editoriais independentes de entidades vinculadas a cultura? gostaria de entender os limites dessa política. projetos que nasceram na própria internet, que foramaram sua própria comunidade virtual sem vínculos com a cultura offline ou q/q outra entidade política não-hegemônica, mas que tem um público de nicho que precisa de cultura é descartado dentro desta diretriz, ou não?
     
     

  • Miguel Said Vieira disse 3 months atrás:

    Olá, pessoal — uma contribuição mais teórica do que prática, para ajudar a responder as questões do André Deak, e de quebra problematizar um pouco a ideia do digital: acho que é comum confundirmos digital e eletrônico (pra mim são coisas diferentes); e acho que a distinção digital / analógico pode ser gradativa, e não só “preto / branco”.

    Associamos essa palavra a coisas produzidas ou interpretáveis por computadores ou outros aparatos eletrônicos. Sua etimologia, porém, remete a um contexto que em comparação é arcaico: o sistema de numeração decimal. A referência aos dedos (“dígitos”) vem da prática de contar com os dedos, da qual derivou esse sistema.
    Adequado à contagem manual, o sistema de numeração decimal relaciona-se muito menos com a tecnologia computacional do que o sistema de numeração binária, pelo qual toda informação em um computador é representada. Por que, então, “cultura digital”, e não “cultura binária”? A razão é que, na distinção entre analógico e digital, a importância recai menos sobre o algarismo, ou sobre a base decimal, e mais sobre o próprio ato de numerar, de contar. O digital, nessa contraposição, é discreto, descontínuo — e essa é sua característica mais importante.
    Pois ao contrário do que acontece com as representações analógicas, só pode ser numerado ou contado aquilo que é descontínuo, que possui unidades distintas, e que pode ser expresso em números — ou, vendo a questão por outro lado, numerar ou contar seria justamente determinar essas descontinuidades, essas distinções entre as unidades.

    (Copiei esse texto de um artigo que escrevi em 2004: Geometrização do mundo e imagem digital.) Seguindo por esse raciocínio, eu suspeito que a diferença entre a comunicação que usualmente chamamos de digital e os tipos de (tecnologias da) comunicação “anteriores” não é uma diferença qualitativa, mas sim uma diferença de grau. Quer dizer, não há um corte preto / branco, em que o preto é a comunicação por computadores (e celulares etc.) e o branco é tudo o que veio antes, mas sim uma gradação: a digitalização, nesse sentido que mencionei acima, já vinha avançando junto com as técnicas de comunicação, que permitiam registros cada vez mais descontínuos e uniformes, que podiam ser facilmente reproduzidos. Ela já está presente (ainda que em menor escala) mesmo no mundo impresso.
    Dois exemplos disso são a comunicação verbal e a comunicação por imagens (eles estão mais aprofundados no artigo que mencionei acima). Na comunicação verbal, essa presença e avanço da digitalização pode ser identificada na seguinte progressão (bastante esquemática…), em ordem crescente de digitalização: linguagem oral, escrita silábica, escrita alfabética, imprensa de tipos móveis.
    No caso das imagens, uma progressão similar seria: registro manual de original único (desenhos, pinturas etc.), gravuras reproduzíveis (como os clichês usados na impressão de figuras em livros antigos), impressão por meio de retícula (como nos jornais e revistas que conhecemos).
    É relevante que a impressão de imagens por retícula siga princípios bem parecidos aos da imagem digital, como a decomposição da imagem em matrizes de pontos e em um número finito de cores (combinadas em intensidades variadas, mas também finitas).
    Isso tudo posto, estou totalmente de acordo que a comunicação que chamamos de digital é, ao menos em potencial, um grande avanço em termos de participação, acesso etc. Mas as tecnologias “anteriores” também eram, à sua maneira, avanços potenciais nesse sentido, e no entanto a comunicação que temos hoje (baseada nessas tecnologias) está longe de ser participativa ou democrática; ao contrário, ela é amplamente dominada pelo mercado. Com essa problematização queria apontar que um risco parecido também existe na comunicação por computadores (coisa óbvia, mas que não se pode perder de vista).