OPINIÃO POSTADA NO GRUPO
”DE OLHO NO CONGRESSO”
Em alusão ao artigo sugerido por Thiago Skárnio, afirmo que o considero de vital importância para ser discutido em qualquer tipo de fórum, assim como no Fórum da Cultura Digital Brasileira.
Excelente o tema proposto.
Lamentável a violência implícita, porém evidente no discurso das quatro pessoas lá existentes, não por sua ”culpa” (termo religioso e doutrinário, inclusive!), e sim pelo Cientificismo ou Religiosismo latente e expresso.
Restam evidências de que, de fato, o estado deve ser laico, e de fato, a Educação deve favorecer mais à Sociologia e menos à Teologia, a menos que possa existir, no futuro, uma Teologia da Sociedade Ambiental, Econômica e Sociocomunitária-popular absolutamente respeitosa das diferenças, porque onde houver duas pessoas, ali começa a DIVERSIDADE IDEOLÓGICA, e com ela a possibilidade de violência, mesmo que em nível abstrato e no campo das ideias.
Meu ponto de partida para observação e análise é a realidade local, onde interpreto as leis e outras forças agentes sobre a vida cotidiana à luz da REALIDADE SENSORIAL, portanto factível, enquanto parcela inadministrável das Qualidades Transcendentais (UNIDADE, VERDADE, BONDADE).
Minha opinião é de que, em boa hora, desisti de ser professor, porque me submeter ao comando de pessoas tendenciosas, ignorantes do direito do outro de ser, preconceituosas e violentas – como ouvi ontem uma candidata a diretora de escola vencedora dizer para a derrotada ”Onde você vai enfiar esses votos agora???” – é um pequeno recorte da realidade que se apresenta como fruto evidente do ”Patrimônio Cultural da Humanidade”, onde todo o conhecimento acumulado e passado de geração a geração chegou a isso, serviu para que existam pessoas assim, com estas atitudes mundanas, e isso perpassa a LOCALIDADE, está em todos os lugares do planeta…
Conheço uma outra professora cristã que simplesmente briga e obriga seus alunos a ler passagens da Bíblia, e ela não é católica, é evangélica, o que significa que, se ela for submetida, como refere o artigo, às fortes tendências do Catolicismo Apostólico Romano, mais violência será gerada, e novos pequenos desastres localizados e aparentemente anônimos e inofensivos irão ocorrer, permanentemente, diariamente, policentricamente…
Por último, gostaria de referir e/ou lembrar de que o Rio de Janeiro é um dos lugares que mais sofrem com o preconceito religioso, dado o alto índice de crianças de origem religiosa africana, as quais sofrem e tentam ocultar a sua formação de fé oriunda da família em ambiente escolar, dada a excessiva violência com que são tratadas por professoras(?) e colegas(!) – (interrogação e exclamação propositais).
Certamente haverá pessoas que dirão: que exagero dizer que desistiu de ser professor por isso…
Sim, todos tendemos a posições, posturas políticas, opiniões que vão do maniqueísmo ao equilíbrio saudável e construtivo, na medida da capacidade cultural de absorção do conhecimento. Ora, se todo professor ou gestor público é dado a posições raramente ideais, perfeitas e equilibradas, é melhor erguer acampamento e atuar em outras frentes, e mesmo isso é uma escolha íntima, personalíssima, líquida e certa. Inamovível pela fé ou crenças alheias, pura e simplesmente. Ou isso não seria um elemento integrante da dita LIBERDADE e CONSCIÊNCIA UNIVERSAL?
Enfim, até este momento, penso que precisamos pensar a ESCOLA como um espaço onde a EPISTEMOLOGIA DA RELIGIÃO é menos necessária do que a SOCIOLOGIA DO RESPEITO, embora aquela não deva ser excluída dos debates e discussões, e sim repensado o seu papel educativo e função social.