Salve todos e todas,
No fim de semana acontece um importante evento em Roraima, promovido pelo Ponto de Cultura A Bruxa Tá Solta em parceria com o Ponto Usina Cultura. Nós aqui do Pontão de Cultura Digital do Tapajós estaremos com uma galera lá!
Projeto BR 174 – via de mão duplaPrêmio - Areté Cultura Viva – Eventos em Redes – da Secretaria de Cidadania Cultura/MinC.Realização articulada dos Pontos de Cultura:A Bruxa Tá Solta – Rorainópolis e Usina Cultura – Boa VistaAreté vem do grego e significa: bondade, excelência, virtude, o que há de melhor em cada um. Em Tupi significa dia comemorativo e festivo. Amigos neste final de semana A Vila Nova Colina no assentamento Agrário Anauá em Roraima, será o centro da tradição oral da Amazônia, nesta Vila os cinco projetos da Ação Griô RR/AM estarão representados,neste momento mestres de Gambá José Carlos e José Cardoso o do povo maués desliza pelas águas do Rio Amazonas até Manaus e lá tomará o ônibus para Nova Colina, por lá vão juntar-se a Dona Ana e Rai -Griô aprendiz do Pé na Taba de Manaus. Lá Terra Indigena Raposa Serra do Sol, a mestra Laudisa, xama macuxi tá descendo a Serra pra encontrar com Queles-aprendiz macuxi e Rosilda educadora. Quinta – Feira Boa Vista recebe mestre Sabá carimbó São Benedito Santarém Novo-PA, e meu doce companheiro de caminhada Isaac Loureiro, e de São Paulo o representante da Ação Griô Nacional na Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, nosso amado Mestre Alcides. Os cinco Mestres da Bruxa estão lá ansiosos para receber todos. O Ponto Usina Cultura parceiro nesta ação participa com Lidia Raposo(macuxi) e mestre Afonso que nós oferece o aperitivo neste texto abaixo.Aprendendo na TeiaAfonso Rodrigues de Oliveira “Estou aprendendo coisas que eu já sabia, mas não sabia que sabia” (Mestre Afonso)Ano passado, num dia qualquer, eu jantava sozinho com a dona Salete, o que é muito raro, e ela estava meio casmurra. De repente, ela olhou pra mim e perguntou meio intrigada: - Por que é que as pessoas te chamam de mestre?- Sei lá… Mas é todo mundo. Acho que é pela minha cara.Meses depois fui praticamente convocado para participar da “TEIA – 2008” em Brasília. Foi um dos maiores e mais encantadores momentos de minha vida. Já lá e na nossa primeira reunião, no final dos debates, minha amicíssima Catarina Ribeiro me perguntou:- Mestre… que é que está achando do movimento?Sem pensar nem pestanejar, respondi automaticamente:- Estou aprendendo coisas que já sabia, mas não sabia que sabia.A Catarina registrou e sacramentou a reposta com um abraço fortíssimo. Ela continua citando a frase como uma pérola, segundo ela. Mas a verdade é que voltamos de Brasília e eu já reconhecido pelo MinC, como Mestre de Tradição Oral, o que, de certa forma, me leva a colocar o Mestre, antes do meu nome. Isso me incomoda pra dedéu. Mas pelo menos fez a dona Salete pensar antes de me fazer novamente a pergunta. E sempre que eu citar uma frase minha e der crédito ao Mestre, calma, não é exibicionismo, tá? Tenho dever e obrigação de fazer isso.Sempre estranhei esse comportamento em pessoas que não me conhecem. Mas é mais frequente do que se imagina. Em 2003, em São Paulo, o Alexandre me pediu para eu tentar uma matrícula para a filha dele, num colégio no Bairro Liberdade. Indicou-me o colégio e fui lá. Não havia ninguém no colégio, além do porteiro. Identifiquei-me e disse o que queria. Ele foi atencioso:- A diretora vai já chegar. Se o senhor quiser esperar, pode se sentar naquela cadeira.Sentei-me, esperei e logo a diretora chegou. Uma senhora ainda jovem. Cumprimentou o porteiro e perguntou:- Apareceu alguém?O porteiro apontou pra mim e respondeu:- Só o mestre ali.A diretora olhou pra mim e franziu a testa. Mas não deu pra eu ler nas franjas. Não sei se o motivo foi eu ou o mestre. E nesses momentos saio sorrindo. É por isso que você me vê sempre sorrido pela rua. Adoro quando me tratam com respeito e carinho. Vem daí o carinho e respeito que dedico a você independentemente de quem você é. Procure fazer sempre jus ao tratamento carinhoso e respeitoso que lhe dão. E não se preocupe se o tratamento não corresponder ao que você quer. Ele é sempre uma resposta. Pense nisso.