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Li com muita atenção o (longo) comentário do Frederico, e posso afirmar que eu compartilho quase totalmente a opinião dele. Gostaria de adicionar ou comentar o seguinte:
1 – Sou francês, 54 anos, engenheiro de informática, morando no Brasil ha mais de 10 anos.
2 – A internet é o ultimo meio ainda livre que sobra para a humanidade poder expressar livremente sua opinião. Isso irrita muitos governos, acostumados a “filtrar / controlar” a informação, mas até hoje, somente a China conseguiu limitar o acesso a Internet com bastante sucesso, e sabemos que, mesmo com os meios gigantescos que este pais colocou em pratica para conseguir isso, sempre tem furos.
3 – Devemos lutar par que isso continue assim, e para que os governos, usando vários pretextos (pirataria, pedofilia, proteção das crianças, etc.), não possam limitar a liberdade de expressão de um povo inteiro, em particular se dando o direito de “escutar” o que transita na Internet.
4 – Mesmo assim, o mundo virtual da Internet é o reflexo de nosso mundo real, e com certeza tem alguns que vão usar este meio para cometer atos criminais.
5 – Esta classificação de “atos criminais” varia muito seguindo as leis dos países, sendo por exemplo “criminal” de criticar o governo em vários regimes ditatoriais. Devemos então ser muito cautelosos na classificação destes atos.
6 – Com todo este preâmbulo, acho sim que a internet pode ter um controle pela justiça de países democráticos, mas limitando drasticamente este controle para atos universalmente criminosos, como terrorismo, roubo, pedofilia, tráfegos de droga e de ser humanos, prostituição forçada, etc.
7 – Este controle deve ser feito exatamente como na vida real, seja com mandados de busca e apreensão, escutas legalmente autorizadas e infiltração.
8 – O maior problema na Internet é associar um endereço virtual (email, site, IP) a uma pessoa física. Fica ainda muito fácil de esconder seu endereço IP hoje em dia, e precisa de uma nova organização técnica da internet (passando pela adoção do IPV6 no mundo inteiro) para talvez ter a esperança de associar com certeza a origem virtual de um email e/ ou um site a uma pessoa física. Isso não será feito rapidamente, precisa rever toda a organização atual e atualizar os equipamentos que gerenciam a internet, é um custo enorme e vai com certeza demorar bastante tempo.
9 – Enquanto isso, sendo pragmático, não poderemos impedir o envio de vírus, SPAM, e outros mensagens ou sites ainda mais “criminais”. Então concordo com o Frederico que somente devemos nos apoiar sobre os dados recolhidos na Internet, como indícios, para tentar prender as pessoas físicas que estão produzindo o material ou o serviço criminal, sem por isso impedir ou condenar a difusão de idéias e opiniões de todos os sites / blog / emails relativos aos mesmos assuntos.
10 – Não concordo com o Frederico a respeito da afirmação que “Pirataria e outros crimes devem ser combatidos com base em dados obtidos da vida real”. Tem indícios óbvios na Internet que a policia pode usar para prender criminosos, dados tantos públicos como sites, quanto mais privados como emails ou conversas / Chats. Entendo que isso pode representar um perigo para a privacidade, mas, por exemplo, uma escuta telefônica fora da Internet representa o mesmo perigo. Não podemos deixar os criminosos reais e comprovados se esconder atrás da defesa da privacidade, a partir do momento que a policia e a justiça funcionam bem num pais realmente democrático.
11 – A pirataria é um assunto especial que eu gostaria de separar dos atos criminais comuns. Acho que, mesmo se copiar uma musica, um vídeo ou um programa é um delito, este delito deve ser moderado por vários critérios, em particular a chantagem “econômica” dos produtores e outros difusores de mídia obrigando a fazer pagar muito caro obras virtuais que sobretudo enriquecem mais os produtores que os criadores. Se a pirataria se desenvolveu no mundo inteiro (acredito que cada usuário de banda larga é um pirata e já puxou musicas ou filmes), acho que é sobretudo porque as pessoas comuns não tem o dinheiro necessário para comprar um CD, um vídeo, uma entrada de cinema ou um software, todos com preços somente acessíveis a pessoas com rendas “confortáveis”.
12 – Tanto os produtores quanto os difusores de mídia não tenham imaginado uns 20 anos atrás que a Internet poderia veicular copias de boa qualidade de obras virtuais, e se aproveitaram disso para ganhar muito dinheiro. Hoje em dia, eles tentam defender uma difusão em mídias físicas ultrapassada, ou em mídias virtuais tipo televisão onde você fica obrigado a agüentar horas de propaganda inseridas no meio dos filmes ou documentários. Antes, no mundo real, não era um crime de emprestar um disco ou uma fita cassete para um amigo, hoje é proibido compartilhar tudo isso na Internet, mesmo se você comprou a obra ou gravo na TV, não tem um ilogismo nisso?
13 – Muitos acham que o verdadeiro trabalho de um musico é fazer shows, como era antes de poder gravar e difundir amplamente mídias graváveis. Muitos acham que compartilhar um filme que já passou livremente na televisão não é um delito. Com os gravadores digitais modernos com Time Shift, muitos gravam os programas para poder passar as propagandas (que chegam a ocupar a metade do tempo da difusão), fazem uma copia tirando estas propagandas e compartilham depois com os amigos. Tirar poluição publicitária é crime ?
14 – Se, hoje em dia, um musico vende 100 000 copias do seu CD para R$30,00 cada, ganhando apenas 10% das receitas, quanto ele poderia ganhar numa difusão inteligente na internet onde centenas de milhões de Internautas talvez aceitariam de pagar R$1,00 ou menos para o titulo que interessa (sem ter que comprar o álbum inteiro). O calculo é simples, R$300 000 de um lado, milhões de reais do outro sem produtores intermediários se enriquecendo nas costas do artista, e talvez uma taxa de pirataria muito menor pela acessibilidade financeira da obra.
15 – Alem disso, a pirataria pode ajudar empresas a dominar um mercado! Porque, por exemplo, o Windows se tornou o sistema operacional padrão na década de 80/90 ? Qualquer um podia copiar o Windows 3, 95 ou 98 e instalar gratuitamente no seu PC, e o mundo inteiro fiz isso, até que MS Windows se tornou um padrão de fato. Agora que Microsoft quer proteger seu sistema operacional com validação na Internet, e muito engraçado de ver com os concorrentes ganham fatias do mercado ( MAC OS X, Linux), estas alternativas sendo tanto mais baratos quanto mais fiáveis e agradáveis a usar.
16 – Para terminar, concordo com o Federico que a fiscalização da pirataria e quase impossível a cumprir na realidade. Qualquer um pode piratear um acesso WiFI, esconder seu IP, criptografar os downloads, usar servidores PROXY, e cada sistema de “proteção” terá nas semanas seguintes um “crack” desenvolvido por Hackers e amplamente compartilhado na internet.
17 – Então, acho que, se não queremos TODOS os internautas na cadeia, precisa de uma intensa reflexão sobre novos modelos de difusão das obras virtuais antes de “caçar” os malditos piratas, seja todos nos.
18 – Para concluir e resumir, acho que devemos achar leis que protegem totalmente a liberdade de expressão e comunicação na Internet, com uma definição precisa e jurídica das exceções autorizadas para identificar e combater os verdadeiros criminosos e impedir que eles se aproveitassem desta proteção para cumprir atos delituosos e criminais como na vida real.