por rodrigo Prates:

Antes de conhecer os Mestres pessoalmente, lia bastante sobre o assunto e pesquisava em sites e livros. O primeiro Mestre que conheci foi o Mestre Paraqueda. Fiquei surpreso com a energia dele. Paraqueda é um senhor, inteligente pra caramba, compositor, poeta, cronista, artista plástico… um artista. Na Teia Sul conversamos sobre a proposta do nosso projeto e que gostaríamos de ouvi-lo assim que fosse possível… No caminho a gente foi descobrindo que o relevante em nossa pesquisa, não estava no que era combinado, mas na imprevisão, no acaso, na vivência que fomos construindo. Mestre Paraqueda nos deu uma aula de vida e um milhão de idéias para as canções.

Mestre Dona Sirley, lembro que eu e o Rodrigo Apolinário (Sadol) convidamos ela para ir até o quarto do hotel na Teia Sul e gravamos a conversa toda. Quando fui escutar, achei que tinha poucas referências para criar as canções infantis. Marcamos então com ela em Pelotas. Fomos à Pelotas e fizemos juntos uma ação no Instituto de Menores. Foi maravilhoso! Ela contou sobre as Charqueadas, canções antigas, família… Quando viemos embora eu já havia escrito mais duas canções para o projeto.

Mestre Ana Centeno conhecemos no Encontro dos Griôs da Região Sul em São Lourenço. O Sadol estava com dor nas costas e fiz sozinho a entrevista. Marcamos de manhã cedinho no café do hotel. Ela apareceu com as roupas coloridas e um sorriso enorme. Na hora vi que seria um belo encontro. Falamos da vida, na vida, das crianças e as infâncias dos outros, das nossas cores e das cores do mundo. Foi muito divertido. Compomos uma letra juntos e o Sadol até melhorou da dor.

Vejam as fotos do Encontro dos Mestres em São Lourenço dos Sul.

Em Porto Alegre fiz um encontro com o Mestre Chico. Já havia falado com ele rapidamente em alguns lugares, mas ainda não o conhecia suficientemente para escrever uma canção sobre a sua infância. Fomos até uma Escola em Porto Alegre para uma ação. Durante a ida não consegui fazer com que falasse da sua infância de maneira alguma, mas contou sobre os Baobás, e apontou para os problemas sociais relacionados as crianças. Na escola foi uma festa! Muitos sorrisos e brincadeiras. Mestre Chico não coube em uma canção. Fiz duas canções sobre o que ele me disse sem falar nada.