Durante o período pré-industrial as comunidades possuíam famílias que faziam parte de grandes grupos multigeracionais, ou seja, todos vivendo sob um mesmo teto: pai, mãe, tios, avós, primos e netos. “A família era imóvel… enraizada no solo”. (TOFLER, 2005, p. 41). Um precisava do outro para sobreviver. Com isso, as tradições culturais locais, carregadas de valores sociais, religiosos e educacionais se perpetuavam, sobretudo, pelos frequentes festivos musicais e pela tradição oral, onde os mais antigos transmitiam às crianças seus conhecimentos, brincadeiras, músicas, mitos e lendas dos antepassados.

A partir da revolução industrial, com a migração das famílias do campo para a cidade, e mais adiante, no mundo pós-moderno com efeito da globalização, esta realidade se transforma. As famílias começaram a ficar mais enxutas, modificando a configuração de conglomerados multigeracionais para nucleares com poucos membros: pai, mãe e filho(s). Os pais muito envolvidos com o trabalho, terceirizaram a educação às escolas e passaram a ficar menos tempo com as crianças, facilitando com que elas ficassem mais próximas do universo tecnológico, Tv, computador, etc. Com isso, veio a super-exposição das crianças aos meios de comunicação, sobretudo com os conteúdos televisivos de seus programas e propagandas – embutidos subjetivamente de mensagens voltadas ao consumo, com marcas de produtos atrelados à personagens infantis – que por trazerem “novas” culturas, acarretou na chamada massificação da cultura, sendo este o fator principal que gerou mudanças de comportamentos, ocasionando na perda de valores culturais tradicionais e da identidade local, importantes para a manutenção afetiva das famílias, configurando-as à cultura de consumo.

É sobre esta problemática sócio-cultural que o Zuando Som – Histórias Cantadas da Infância dos Mestres Griôs pretende atuar, pois será mediador de culturas distintas, promovendo o intercâmbio cultural entre participantes das Ações Griô (Mestres Griôs) e Ludicidade/Pontinhos de Cultura (crianças), para resgatar contextos culturais antigos e criar canções infantis que contribuam para o desenvolvimento social, cultural e intelectual da criança, quebrando e enfraquecento a prática antes citada de homogeneização da cultura infantil.