Comunidade | “Ocupar” é Inspirar a Experimentação do Outro…

20151017_101453_post_26_10Minha atuação como bolsista de ocupação do LabCEUs me faz ressignificar e/ou fortalecer o que sinto sobre o que é amor: uma disposição em acompanhar a experimentação do outro. Uma cartografia. Não estou ali para ensinar técnicas ou conteúdos, mas para criar pontes entre culturas, modos de existência, experiências, desejos, enunciações… entre os medos mais profundos de cada um. E me refazer toda enquanto isso acontece. Provocar um contágio. E abrir a percepção pros caminhos dessa proliferação. Dar visibilidade aos encontros que essas redes vão traçando, conectando recombinações, vivas que são. É isso, estou ali para dar barracos, promover uns escarcéus! Para sinalizar desafios de desenvolvimento que são divertidos simplesmente porque são reais, porque surgem entre afetos, entre amigos, entre amados. Entre gente que é atravessada por investigações semelhantes, que estão “quebrando a cabeça” também. Porque não somos obrigados a resolver nada, na real, mas o convite tem seu caráter irresistível. Talvez pela alegria envolvida em conseguir, pela generosidade de fazer o personagem de um colega voar ao se livrar, literalmente, de um bug. Compartilhamos as risadas, as tensões, os conflitos, as piadas. Uma galera que grita, se joga no chão, dança, se abraça e tira com a cara do outro enquanto faz jogo digital. Já pensou?

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Neste ambiente, presenciei a entrada de um participante novo, que tinham acabado de chegar (já estávamos no terceiro mês de ocupação), que supostamente “não sabia nada”, intensamente dedicado em aprender com os colegas, tratando-os como “grandes mestres”, numa humildade cativante. E que, no fim da mesma tarde, já liderava um projeto – orientando uma equipe de mais 5 pessoas -, agregando parceiros para realizar algo mirabolante e ousado, que ele havia acabado de inventar.

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Sei que no coração de cada participante já há mais coragem em explorar territórios, em transformar realidades, em experimentar processos inusitados. E com muito humor. Isso me emociona profundamente, pois sempre que chego no CEU de Sertãozinho e cruzo o olhar com qualquer um deles, sei que isso existe. Sei que compartilho da responsabilidade por essa alquimia.

20151017_103901_post_26_10Ocupar” não é só dar curso, oficina ou capacitação. É como cultivar uma horta. E, por incrível que pareça, é jogar lenha na fogueira também, questionando. É inspirar a experimentação, seja do que for. Assim, estou ocupando por alguns meses, viajando vários quilômetros toda semana, mas minha ação é passageira. O propósito disso é provocar os participantes a pisar em qualquer território com postura e respeito de ocupador também. E, no caso do CEU de Sertãozinho, a transformarem aquele espaço, continuamente, por vários anos.

É propor desafios de expressão e de percepção que os instiguem a enxergar cada vez mais potencialidades nesse “mangue de desenvolvimento” e em si mesmos. Para que esse ninho (o LabCEU) – que criamos juntos e que sempre tem novos membros e parceiros – seja cuidado, e continue cheio de vida e de morte.

Caso contrário, para os desavisados, são só cabos e placas.

É que os computadores não passam de uma desculpa, um pretexto de encontro. Minha ocupação não é sobre capacitar tecnicamente em computação gráfica (embora os participantes tenham experimentado inúmeros processos, sabendo atalhos e tudo… que muitos profissionais nem conhecem), é sobre ter coragem. De se expor e de mobilizar pessoas para resolver um desafio coletivamente. De reconhecer o outro como um possível parceiro comunitário e de respeitar suas ideias. De discursar (com muita eloquência, inclusive) sobre erros, tentativas, indagações e piadas que surgem enquanto cada um se entrega a um desafio. Para mim, essas atitudes são fundamentais para qualquer articulação comunitária.

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Assim, sinto que o programa LabCEUs está contribuindo para com demandas sociais que poucas iniciativas conseguem dar conta, ou mesmo, chegar perto, sensibilizar.

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