A educação na construção da sociedade sustentável

Heverthon Rocha*

 

A educação é a principal ferramenta de construção de uma sociedade justa e cidadã. O conhecimento é atualmente um dos mais valiosos itens de consumo – mercadoria – disponível no mercado global. Para ter sucesso profissional, pessoal ou social, é exigido do individuo, ou seja, dos seres racionais humanos, que acumulem conhecimentos durante toda a vida.

A aquisição de conhecimentos tem início já nos primeiros instantes da vida do ser. Estes primeiros instantes nos remetem a gestação, quando na barriga da mãe, o bebê, ainda feto, já busca conhecer a voz, movimentos, esforça-se para ouvir e identificar os ruídos externos e internos, num meio com tantas limitações, úmido, escuro e com sons dos quais não temos lembranças.

Ao nascer o bebê de imediato identifica o cheiro da mãe, tendo a instintiva certeza de que este conhecimento lhe trará segurança e conforto para toda a vida. O conhecimento que o bebê tem de sua genitora vai mais além, passa pelo toque, tom de voz, pelas carícias, e tantos outros indicadores do relacionamento materno. Uma constante interrelação de amor e de afeto.

A criança precisa da presença de outras pessoas, possibilitando assim o seu crescimento e desenvolvimento intelectual. Necessitam do exemplo dos pais, irmãos, tios, primos e outras pessoas mais próximas, para assim crescer acumulando conhecimentos por meio da convivência em grupo. Confirmando-se o ditado popular tantas vezes proferido por nossos pais e avós, “Diga-me com quem andas e te direi quem és”, ou mais ou menos isso.

O ser humano, após o aprendizado doméstico, aquele que recebem em casa e que praticam nos primeiros meses de vida, precisa também ser introduzido em um sistema de aprendizado metódico, sistemático e recheado de muitas complexidades. A chamada educação formal. Com livros, professores qualificados e regras, muitas regras e metodologias diferentes.

Mas o que é afinal a educação? Segundo o psicólogo e educador carioca Carlos Rodrigues Brandão, autor do livro “O Que é Educação”, editora Brasiliense, 22ª edição, “ninguém escapa da educação”, pois é um processo envolvente e constante que está presente do primeiro ao último sopro da existência do ser, tem início com a vida e finda com a morte.

Para Brandão a educação tem como missão “transformar sujeitos e mundos em alguma coisa melhor, de acordo com as imagens que se tem de uns e outros”. Portanto educação vem do termo em latim educare, que significa tirar, extrair ou desenvolver, ou seja, é uma permanente relação de ensinar e aprender. Este processo é diferente do processo natural de desenvolvimento dos seres vivos, pois não é um processo involuntário, mas sim provocado e estimulado, muitas vezes negligenciado por pais e responsáveis que assume postura irresponsável.

Todos nós somos responsáveis por garantir a educação para estas crianças. Possibilitar que elas possam ter acesso a uma escola de qualidade, com professores motivados e que tenham compromisso com a construção de uma sociedade com homens e mulheres de bem. Uma sociedade com sustentabilidade moral, social, econômica, política e ambiental.

Educar não é fácil. Mais difícil ainda é ter que combater aqueles que não tiveram oportunidades de serem inseridos numa atmosfera com ares educacionais. Ter que esconder e empurrar às margens da sociedade os que foram excluídos do direito ao conhecimento desde os primeiros anos de vida.

A única forma de garantir o desenvolvimento social, cultural, econômico e ambiental de uma sociedade é oferecendo educação aos cidadãos em formação desde os primeiros anos de vida. A justiça social e o fim das mazelas que vemos nas esquinas, semáforos e ruas da cidade, somente serão uma realidade com a prática de políticas públicas voltadas para o fortalecimento da educação básica.

A Constituição Federal de 1988 distribui a responsabilidade pela educação infantil entre o Poder Público, a sociedade e aos pais, conforme descrito no Artigo 227 que trás o seguinte texto: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Com base neste texto da Constituição Federal, é que devemos nos incumbir da responsabilidade pelo desenvolvimento de nossas crianças, sendo elas nossos filhos ou não. É fundamental que cada cidadão sinta-se responsável pela construção de um futuro socialmente justo e dignamente igualitário.

Portanto, temos que nós unir em prol de uma sociedade rica. Rica não somente economicamente, mas também rica em conhecimentos. Com um nível de desenvolvimento cultural construído sobre os resistentes e poderosos alicerces do conhecimento e da educação.

Somente com a distribuição de forma harmoniosa e justa do conhecimento é que teremos garantias melhores para que futuras gerações possam distribuir também suas riquezas culturais. A educação é a ferramenta indispensável na construção de uma sociedade sustentável e igualitária.

 

*Heverthon Jeronimo da Rocha é graduado em Tecnologia em Gestão Ambiental, especialista em Direito Ambiental, pós-graduando em Educação Ambiental (Senac-PB) e graduando em Comunicação Social (UFRN).

Leave a Comment

*

Please leave these two fields as-is:

Protected by Invisible Defender. Showed 403 to 215 bad guys.