Hoje faz 40 anos do assassinato de Carlos Marighella.

novembro 4th, 2009 by luciouberdan
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Carlos Marighella.

O Brasil Autogestionário lembra que hoje faz 40 anos do assassinato de Carlos Marighella – “em uma emboscada armada pela polícia política comandada pelo delegado Fleury, no centro da cidade de São Paulo. Nesse dia (04/11), Marighella tinha um encontro marcado com frades dominicanos. Acabou sendo emboscado e fuzilado, sem chance de defesa.”(Carta Maior).

O Brasil Autogestionário registra essa data, pois manter viva as memórias do passado é um importante exercício para avaliar o presente e o futuro, bem como, o BA renova aqui seu compromisso com os ideais de Marighella, sem vacilo, ainda que não sejamos um incêndio, somos uma “fogueira” permanente como disse Florestan (Lucio Uberdan – originalmente publicado no Brasil Autogestionário).

Em 12 de novembro de 1984, o professor Florestan Fernandes escrevia:

O 4 de novembro de 1969 incorporou-se à história graças a um feito policial-militar que culminou na morte de Carlos Marighella. (…) morreu o principal líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), figura política que se tornara conhecida como militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), seu dirigente de cúpula e também seu deputado no Congresso que elaborou a Constituição de 1946. Ele foi perseguido como a caça mais cobiçada e condenado à morte cívica, à eliminação da memória coletiva. Só em dezembro de 1979, quando seus restos mortais foram trasladados para Salvador, sua cidade natal, Jorge Amado proclamou o fim da interdição expiatória: “Retiro da maldição e do silêncio e aqui inscrevo seu nome de baiano: Carlos Marighella”.

Um Homem não desaparece com a sua morte. Ao contrário, pode crescer depois dela, engrandecer-se com ela e revelar sua verdadeira estátua à distância. É o que sucede com Marighella. Ele morreu consagrado pela coragem indômita e pelo ardor revolucionário. Os carrascos trabalharam contra si próprios; ao martirizá-lo, forjaram o pedestal de uma glória eterna. Agora, esse homem volta à atualidade histórica. Ele não redimiu os oprimidos nem legou um partido novo. Mas atravessou as contradições que vergaram um partido que deveria ter enfrentado a ditadura revolucionariamente, acontecesse o que acontecesse. Desmascarou assim a realidade dos partidos proletários na América Latina. Em uma situação histórica de duas faces (como gosto de descrever), contra-revolução e revolução ficam tão presas uma à outra que são os dois lados de uma mesma moeda. À superfície, parece que a luta de classes opera em mão única – no sentido e a favor dos donos do capital e do poder. Todavia, no subterrâneo (na “infra-estrutura da sociedade” ou no “meio social interno”) existem várias fogueiras, e o aparecimento de alternativas históricas pode depender de “um punhado de homens corajosos” ou de partidos organizados e preparados para a revolução.

Chegamos com a casa inteira.

novembro 2nd, 2009 by luciouberdan

Clique para ampliar, sou o 4º a esquerda, minha esposa esta ao meu lado de azul.

Fazia meses que não usava o Relatividade (anterior), teve outro Relatividade antes (2006) o trabalho e a militância, bem como o blog coletivo que faço parte Brasilautogestionário.org tomam todo meu tempo, e a poucas horas que sobram ficam dedicadas para o trabalho doméstico, sempre muito “aprazível” e orientado pela companheira. Ainda assim, ao navegar pela web encontrei esse por assim dizer projeto “cultura digital“, muito excitante (de certa forma), de pronto me animei a importar o Relatividade para cá, e dentro das possibilidades seguir a vida por esses “pagos”.

Liberdade na internet? Debate simples ou complexo?

outubro 25th, 2009 by luciouberdan

Por Everton Rodrigues e Lucio Uberdan – Publicado no Trezentos.

A Internet tem sido objeto de reflexões e debates diários, envolvendo cada vez mais pessoas, movimentos, entidades, organizações, governos e corporações. Entre tantas questões abordadas, a “liberdade na internet” tem sido o tema central e polêmico, afinal, quais seriam os direitos e deveres que um(a) “internauta” tem e ou deveria ter? A percepção e indução da existência de um “outro cidadão”, virtual, sem limites e livre que precisa ser “controlado ou não” por um estatuto novo seria de fato a centralidade das preocupações geradoras de toda a celeuma instalada?

Introdução

No mundo inteiro a restrição ou não dos “internautas” está intimamente ligado ao acesso a produtos/serviços digitais, em especial vídeos, fotos, músicas, códigos, textos/opiniões, etc. Estes produtos e serviços podem ser animados pelas empresas tradicionais do setor que alegam prejuízos pela “pirataria” na rede, ou por novas empresas/redes autônomas animadas na própria rede, que rompe com parte da cadeia produtiva vigente. Sabe-se que com a existência da internet; com o desenvolvimento de equipamentos digitais wi-fi e o crescente acesso à banda larga que garante a circulação digital destes, propriciou-se a abertura de um interregno1 em algumas cadeias produtivas como exemplo a da arte e da comunicação. Esta situação instalada nos leva a seguinte reflexão: Que novo modelo de comunicação e arte se constroe? Qual o impacto que será provocado com as alterações propriciadas pelo fluxo de circulação desses produtos na internet?

Cada percepção, tese e sujeito envolvido no debate tem seus próprios objetivos, uns alinhados à ideais coletivos que visam soltar as correntes e cadeados da rede no que tange seu uso e circulação de bens, outros identificados com propostas corporativas e proprietárias que precisam adequar seus modelos de negócios para continuar a obter lucros, acumular riqueza, e manter a tensão capital x trabalho. Inicialmente para compensação das mudanças da cadeia produtiva, e na sequência para ampliação da margem de lucros com novos produtos e serviços e jornadas de trabalho.

Ainda que sejam diferentes composições socio-políticas em debate, ambas tendem a concordar sobre questões estruturais, citamos em especial quatro destas: 1) Ambas tem posições extremamente “positivas” e não contestatórias da tecnologia, uma visão conhecida como prometéica que acredita que toda a tecnologia introduzida é benéfica a experiência humana; 2) A incapacidade de envolverem outros atores e setores como o de energia, ambiente e finanças ao debate, isolando-se sempre na temática da comunicação, arte e estado; 3) Um profundo idealismo do sujeito político digital, uma crença em um nick-ativismo polítizado e construtor de uma sociedade em rede, onde o modelo de negócios do Software Livre seria o exemplo econômico de sociedade a ser seguido na produção em todas as áreas da sociedade; 4) Uma profunda idolatria e fetichismo aos artefatos tecnológicos como telefones e notebooks, bem como de redes sociais como o Orkut, Facebook e Twitter. Ambas questões deixamos aqui apenas para percepção, não pretendemos desenvolver as mesmas nesse artigo. Read the rest of this entry »

Qual a origem do couro do seu sapato? O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ações contra 20 fazendas e 13 frigoríficos por desmatarem a floresta Amazônica para a pecuária.

junho 16th, 2009 by luciouberdan

É um "serrão" mesmo.

O Ministério Público Federal do Pará ajuizou uma série de ações contra 20 fazendas e 13 grandes frigoríficos do Pará, por exercerem sua atividade econômica da pecuária as custas do desmatamento ilegal, infringindo um crime ambiental passivo de mais de R$ 2 bilhões em multas. Estima-se que essas empresas desmataram ilegalmente mais de 157 mil hectares de mata, área maior que a cidade de São Paulo. Clicando AQUI você acessa o nome das Fazendas e frigoríficos autuados, entre eles encontra-se a Fazenda Santa Bárbara do banqueiro Daniel Dantas, e clicando AQUI você acessa o nome de seus compradores, entre eles a Avipal Nordeste (Perdigão), Carrefour, Grupo Pão de Açucar, Sadia, Wal Mart.

O procurador Daniel Avelino, responsável pela ação, disse que as fazendas terão de reparar o dano ambiental, e seus compradores nomeados na lista “vão ter que parar de comprar de infratores ambientais. Senão serão responsabilizadas pelos danos que venham a ocorrer. E vão ter que informar no produto a origem dele para que o consumidor possa ter a opção de escolher, se ele quer ou não adquirir aquele produto conveniente de desmatamento na Amazônia.”

No Dicionário Internacional da Outra Economia, verbete *Comércio Justo (*Alfonso Cotera e Humberto Ortiz – pág.60), lê-se: “Comércio justo é o processo de intercâmbio de produção-distribuição-consumo, visando a um desenvolvimento solidário e sustentável (…) O comércio justo traduz-se no encontro fundamental entre produtores responsáveis e consumidores éticos.”

Já no verbete **Consumo Solidário (**Euclides Mance – pág.72) é salientado: “O ato de consumo não é apenas econômico, mas também ético e político. A pessoa que consome um produto ou serviço cuja elaboração ou oferecimento impliquem exploração de seres humanos ou dano ao ecossistema é co-responsável por esses efeitos. Seu ato de compra contribui para que os responsáveis por essa opressão  econômica e pela agressão ambiental possam converter as mercadorias produzidas daquela forma em capital a ser reinvestido do mesmo modo, reproduzindo práticas socialmente injustas e ecologicamente danosas. O consumo é, pois, um exercício de poder pelo qual efetivamente se pode tanto apoiar a exploração de seres humanos, a destruição progressiva do planeta, a concentração de riquezas e a exclusão social, quanto se contrapor a esse modo lesivo de produção.”

Cuide bem o que você compra.

Comentário de minha autoria originalmente publicado no Brasil Autogestionário.

“98ª Conferência Internacional do Trabalho está muito aquém das necessidades das trabalhadoras e dos trabalhadores.” Por Analine Specht e Lucio Uberdan.

junho 16th, 2009 by luciouberdan
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Pessoas mercadorias?

(Imagem: Filme The Corporation) – Começou dia 3 e estende-se até dia 19 de junho a 98ª Conferência Internacional do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho(OIT), em Genebra/Suiça. São esperados até o fim do evento mais de 4.000 participantes, entre esses 4 delegados/as de cada um dos 183 países membros da OIT, o evento conta também com a participação de 10 chefes de estados, vice-presidentes, Ministros do Trabalho, Sindicatos e empresários.

Na última sexta-feira o Ministro do Trabalho Brasileiro, Carlos Lupi palestrou no evento (AQUI), amanhã será a vez do Presidente Lula que deve chegar ainda hoje a Genebra. A 98ª Conferência da OIT vai debater a crise mundial e seus efeitos no mundo do trabalho como ponto central, bem como as relações de gênero nos espaços produtivos, o emprego precário e a AIDS.

No discurso de abertura, Juan Somavia, diretor-geral da OIT, alerta que a crise mundial e os reflexos no mundo do trabalho poderão durar de 6 a 8 anos, lembra que a economia deveria gerar 300 milhões de novos empregos até 2015, mas os dados atuais revelam que o desemprego prossegue e tende a aumentar.

Os recentes estudos da OIT divulgados no caderno “Atualização das Tendências Mundiais de Emprego”, divulga que o mundo já convive com uma taxa de desemprego superior a 7%, (de 210 milhões e 239 milhões de pessoas), de 2007 em diante teve-se um acréscimo de 59 milhões de novos desempregados/as. No item sobre a pobreza global, estima-se que 200 milhões de homens e mulheres passarão a incorporar o índice de pessoas que vivem com menos de US$ 2 dólares por dia, ou seja, menos de R$ 120,00 por mês.

Seriam esses números de um fato natural? ou resultados conscientes de ordem econômica liberal ainda vigente?

Acompanhando as diversas notícias sobre a conferência, em especial na Agência Brasil, percebe-se com facilidade as contradições latentes, ou melhor, a nitidez de foco em ver a saída da crise por um misto de ações que não mudam a ordem liberal em curso, resumindo-se a apresentar como compensação pró-trabalho uma pesada conta aos Estados Nacionais sem que os fundamentos gerados da crise sejam corrigidos.

Omite-se o tema da regulação da liberdade do Capital Financeiro, o necessário debate da correção da alta-concentração de riqueza e a necessária diminuição da jornada de trabalho, bem como nada fala-se do necessário controle público dos serviços estratégicos de primeira necessidade, como a comunicação, a água e a energia pelo Estado.

Passe totalmente omisso lá como aqui, uma compreensão política profunda da necessidade de garantir-se formas de propriedade coletiva e autogestionárias nacionais, em setores estratégicos, com autogestão plena, ou em parcerias de trabalhadores/as e o Estado, como alternativa real e potente frente a crise mundial e a precariedade do trabalho, desconcentrando os meios de produção e aumentando a democracia econômica.

O caráter tripartite de organização da Conferência da OIT exclui um importante e significativo segmento, os movimentos sociais, num momento histórico de crise estrutural que reflete impactos no meio ambiente e na esfera reprodutiva da vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. Neste contexto não se discute o mundo do trabalho como um todo, mas sim apenas o emprego, numa lógica descontextualizada dos anos de Welfare state. Não seria este o momento de ampliar o debate? de tencionar a participação?

A Conferência pelo que se lê, parece resumir-se a estratégias de salvamento das empresas privadas através do aporte de recurso público, em conjunto com “orientações” sobre políticas de melhores ganhos no salário mínimo, aumento das políticas sociais e o reforço do Seguro-desemprego, esses últimos os melhores avanços da 98ª Conferência Internacional do Trabalho.

Em suma ao que parece nada de novo, a ordem mundial que sofreu abalos começa a reequilibrar-se no mundo mantendo a mesma lógica de mercado.

Comentário de minha autoria originalmente publicado no Brasil Autogestionário.

Ministro Miguel Jorge do Desenvolvimento não vê problema da Brasil Foods(BRF) demitir trabalhadores(as).

junho 16th, 2009 by luciouberdan

Semana passada replicamos a notícia da  fusão entre SADIA e PERDIGÃO (Fusão entre Sadia e Perdigão pode trazer prejuízos), mega empresas do ramo alimentício que criaram a Brasil Foods(BRF). É notório que a SADIA, do ex-Ministro Luiz Furlan, passa por problemas financeiros gigantescos, levando o ex-ministro do desenvolvimento a deixar o governo e reassumir a presidência do conselho administrativo da empresa. A SADIA perdeu mais de R$ 1 bilhão de reais no mercado financeiro.

A recente fusão, que vem para “salvar” a SADIA e seguir uma velha tendência no Capitalismo, a formação de monopólios e oligopólios, foi muito festejada na semana passada, por toda a mídia nacional, inclusive dando como certa a participação do BNDES e dos recursos públicos.

Ainda que não tenhamos nos surpreendido, visto que essa tendência já tem mais de 200 anos, fizemos o registro da notícia já no tom da crítica, ainda assim parecia que esse assunto não traria muita novidade, nem tampouco descontentamento(além do normal), porém mordemos a língua.

No final da semana comentando o caso, o Ministro Miguel Jorge do Desenvolvimento Indústria e Comércio(sucessor de Furlan) diz que não acredita que a fusão tenha problemas para passar no CADE, visto que a nova Brasil Foods que nasce vai melhorar as exportações do país, bem como, que acha difícil ela não gerar demissões de postos de trabalho, arrematando: “É preciso ficar claro o seguinte: não é proibido demitir. O que é proibido é demitir sem pagar os direitos dos trabalhadores”.

Então essa é a leitura do Ministro Miguel Jorge, desenvolvimento é a melhoria de condições para o capital se fundir e propagar, ainda que desempregando?

Ficamos agora no aguardo, se nesse momento de crise, com essa visão do Ministro, o BNDES, um banco público, ainda vai colocar capital em uma empresa que desemprega.

Comentário de minha autoria originalmente publicado no Brasil Autogestionário.

Imperdível – I'm Not There – Original Soundtrack (2007) [2 CD's].

maio 8th, 2009 by luciouberdan
http://www.adorocinema.com/filmes/im-not-there/im-not-there-poster08.jpg

Filme de Bob Dylan (Cartaz)

“I`m Nt There” (Não Estou Lá), é um filme dedicado a Bob Dylan de 2007 “(Christian Bale / Cate Blanchett / Heath Ledger / Marcus Carl Franklin / Richard Gere / Ben Whishaw), ícone musical, poeta e porta-voz de uma geração. Sempre viveu em constante mutação ao longo da vida, especialmente durante os anos 60. Musicalmente, fisicamente, psicologicamente, as alterações do seu personagem público dialogaram com acontecimentos sociais e ocasionaram múltiplas repercussões culturais. De jovem menestrel a profeta folk, de poeta moderno a roqueiro, de ícone da contracultura a cristão renascido, de caubói solitário a popstar”.

Abaixo apresento a trilha sonora, em breve dou os caminhos para o Filme, que é muito bom.

Acesse a seguir os links para os Cds no Rapidshare:

CD1 “I`m Nt There” (Não Estou Lá)
1. “All Along the Watchtower,” – Eddie Vedder and the Million Dollar Bashers
2. “I’m Not There,” Sonic Youth
3. “Goin’ To Acapulco,” Jim James and Calexico
4. “Tombstone Blues,” Richie Havens
5. “Ballad of a Thin Man,” Stephen Malkmus and the Million Dollar Bashers
6. “Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again,” Cat Power
7. “Pressing On,” John Doe
8. “Fourth Time Around,” Yo La Tengo
9. “Dark Eyes,” Iron & Wine and Calexico
10. “Highway 61 Revisited,” Karen O and the Million Dollar Bashers
11. “One More Cup of Coffee,” Roger McGuinn and Calexico
12. “The Lonesome Death of Hattie Carroll,” Mason Jennings
13. “Billy,” Los Lobos
14. “Simple Twist of Fate,” Jeff Tweedy
15. “The Man in the Long Black Coat,” Mark Lanegan
16. “Se?or (Tales of Yankee Power),” Willie Nelson and Calexico

CD2″I`m Nt There” (Não Estou Lá)
1. “As I Went Out One Morning,” Mira Billotte
2. “Can’t Leave Her Behind,” Stephen Malkmus and Lee Ranaldo
3. “Ring Them Bells,” Sufjan Stevens
4. “Just Like a Woman,” Charlotte Gainsbourg and Calexico
5. “Mama You’ve Been on My Mind” / “A Fraction of Last Thoughts on Woody Guthrie,” Jack Johnson
6. “I Wanna Be Your Lover,” Yo La Tengo
7. “You Ain’t Goin’ Nowhere,” Glen Hansard and Marketa Irglova
8. “Can You Please Crawl Out Your Window?,” The Hold Steady
9. “Just Like Tom Thumb’s Blues,” Ramblin’ Jack Elliot
10. “Wicked Messenger,” The Black Keys
11. “Cold Irons Bound,” Tom Verlaine and the Million Dollar Bashers
12. “The Times They Are a-Changin’,” Mason Jennings
13. “Maggie’s Farm,” Stephen Malkmus and the Million Dollar Bashers
14. “When the Ship Comes In,” Marcus Carl Franklin
15. “Moonshiner,” Bob Forrest
16. “I Dreamed I Saw St. Augustine,” John Doe
17. “Knockin’ on Heaven’s Door,” Antony & the Johnsons
18. “I’m Not There,” Bob Dylan

Que mundo existe afinal?

maio 3rd, 2009 by luciouberdan

mundoreal

Arrozeiro grileiro de Roraima diz à PF: “Não querem também levar minha mulher e filhos?”.

maio 2nd, 2009 by luciouberdan

Carinha de chorão Foto: AgBr.

A demarcação contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, segue  revelando a compreensão de mundo racista que setores extremamente atrasados tem, aqui em questão, o agronegócio alojado por grilagem em Roraima.

A dois dias atrás venceu o prazo para os não-índios desocuparem a reserva, entre tantos acontecimentos que circundam o tema, me chama atenção duas colocações publicizadas na mídia nacional, uma do líder dos arrozeiros, o gaúcho Paulo César Quartiero(Foto-desolação ao lado), ex-prefeito de Pacaraima (RR), filiado ao DEM(ex-PFL): “O que ficar nós vamos derrubar ou colocar fogo para colaborar com a cultura indígena. Índio não gosta de viver em palhoça?”. A segunda pérola-desespero é de Regina Barilli, dona da fábrica do Arroz Tio Ivo: “Não vou derrubar. Não tenho coragem de destruir algo que construímos com o nosso suor(suor de quem cara-pálida???). Mas ainda acredito na justiça divina, que possa haver um revertério nessa questão”.

Ambos arrozeiros foram enquadrados como “grileiros” pela justiça brasileira, não tinham nenhum documento de posse das terras, e suas plantações descumpriam inúmeras leis ambientais, causaram desmatamento e  a poluição de inúmeros rios da região. Só Quartiero tinha quase 10.000 hectares de terras ganhas com “grito” e pistola.

Diz a Wikipédia: ”Grileiro” é um termo que designa quem falsifica documentos para tornar-se dono por direito de terras devolutas ou de terceiros, por meio de documentos falsificados. O termo provém da técnica usada para o efeito, que consiste em colocar escrituras falsas dentro uma caixa com grilos, de modo a deixar os documentos amarelados e roídos, dando-lhes uma aparência antiga e, por consequência, mais verossímil.

Mas voltando as citações de ambos, nenhum reconhece a ilegalidade de seus atos, como nunca terem pago legalmente pela terra que dizem serem suas. Como perderam em todas as instâncias da justiça, Regina Ballini agora passa a acreditar na existência de uma justiça divina, e pior, que essa estaria ao seu lado, o que me faz dar uma dose a mais de realidade para essa senhora, pois não existe justiça divina, e se existisse ela já estaria se expressando com a condenação da grilagem, e no despejo destes da Reserva Raposa Serra do Sol. Devolver aos indígenas uma parte desse vaso país, não é mais que um simples aceno da necessária recomposição de uma injustiça que já data mais de 500 anos.

De parte do “empresário” Quartiero, grileiro de marca maior (literalmente maior – quase 10 mil hectares), temos tido as pérolas que correm nas veias desse setor. Um sujeito vingativo, racista e debochado, que assumidamente coloca-se a parte da lei. Após pago o resgate pelo governo, pois é isso que parece, Quartiero foi indenizado por algo que nem é seu, esse contrata retroescavadeiras para derrubarem tudo da sua não-fazenda, alegando que “ vamos derrubar ou colocar fogo para colaborar com a cultura indígena”, argumento racista e desesperado, seguido da encenação de uma pseudo-resistência simplória e vergonhosa, que nos brinda com frases do tipo: “Vocês estão levando tudo de mim, minha fazenda, meu arroz e agora querem minhas máquinas?… Não querem também levar minha mulher e filhos?”

Se existe alguém sério no setor do Agronegócio, deve bater palmas a justiça e ao governo, e em seguida deve extirpar exemplos cancerosos como deste agro-grileiros.