Archive for the ‘Antropologia’ Category

"Leio oque quero e quando posso"

quarta-feira, janeiro 24th, 2007

A vida me é muito estranha sabe, na “realidade” sei que sou feliz, mas ao mesmo tempo, elementos que muito me trazem felicidade são curtos. Alguns, atualmente inexistentes, mas deixo esses últimos de lado.

Os momentos curtos, essencialmente são para escutar música, e para ler. Sempre gostei de ler e acho que a faculdade (Ciências Sociais) me consolidou ainda mais isso, apesar de, dificilmente ler os textos de lá. “Infelizmente” prefiro definir o que vou ler, e pago por isso na faculdade, ou seja, meu “rito de passagem” lá, vai ser longo, bem demorado; mas não esquento, já internalizei e aceito isso numa boa, portanto, leio o que quero no pouquíssimo tempo que tenho fora do trabalho.

Tenho pouco mais de 200 livros e mais outros 100 na cabeça para serem adquiridos e lidos, meus livros são de literatura, poesia, política e sociologia, em especial, a antropologia e os temas que tratem a sociedade contemporânea a partir da tecnologia, esses, tem tomado ainda mais meu curto tempo.

Ainda ontem fiz minha visita mensal a Vanguarda: 4 livros, me passei; geralmente é 1 por mês. Encomendei “Mudar o Mundo sem Tomar o Poder” do John Holloway para acompanhar os debates propostos pelo prof. Alfredo Gugliano (ok); “O homem pós-orgânico. Corpo, subjetividade e tecnologias digitais” da Antropóloga argentina Paula Sibilia, (ta esgotado, mas tentarão conseguir); “Dilemas da Civilização Tecnológica” coletânea de textos coordenados por Hermínio Martins e José Luís Garcia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Hermínio Martins atualmente é uma das grandes referências no debate da Ciência da Tecnologia (só importado – esperando o valor para confirmar) e por fim a “Inconstância da Alma Selvagem” do Viveiros de Castro (encomendado), esse foi indicação do professor de antropologia Edgar Neto, por sinal, artigos do Viveiros de Castro seguidamente aparecem no meu blog (de maneira humilde claro).

Gosto e procuro ler todos os livros que tenho, em cada tema tem aqueles que tornam-se mais próximos de mim, penso que isso seja normal. Se não for, pouco importa.


Alguns dos mais próximos na Antropologia, Política e Sociologia – o do Viveiros entrará aqui ao chegar.

Lucio Uberdan

O Perspectivismo Ameríndio de Viveiros de Castro

terça-feira, janeiro 23rd, 2007

Abaixo, parte de uma entrevista de Viveiros de Castro – Antropólogo Brasileiro do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Para além das questões científicas e próprias do conhecimento e interesse de alunos e profissionais da área de Ciências Sociais, as contribuições do Perspectivismo Ameríndio, são essenciais a todos(as), afinal, o ser (estar) “humano” é uma qualidade (?!) também da onça (?!) do porco (?!) e por ai vai. Aqui a íntegra da entrevista. Aqui detalhes da publicação de “Inconstância da Alma Selvagem” – Cosac Naify, aqui a sua resenha.
Lucio Uberdan

“Perspectivismo” foi um rótulo que tomei emprestado ao vocabulário filosófico moderno para qualificar um aspecto muito característico de várias, senão todas, as cosmologias ameríndias. Trata-se da noção de que, em primeiro lugar, o mundo é povoado de muitas espécies de seres (além dos humanos propriamente ditos) dotados de consciência e de cultura e, em segundo lugar, de que cada uma dessas espécies vê a si mesma e às demais espécies de modo bastante singular: cada uma se vê como humana, vendo todas as demais como não-humanas, isto é, como espécies de animais ou de espíritos.

Assim, por exemplo, as onças se vêem como gente, vendo ainda vários elementos de seu universo como se consistissem de objetos culturais: o sangue dos animais que matam é visto pelas onças como cerveja de mandioca etc. Em contrapartida, as onças não nos vêem, a nós humanos (que naturalmente nos vemos como humanos), como humanos, mas sim como animais de presa: porcos selvagens, por exemplo. É por isso que as onças nos atacam e devoram. Quanto aos porcos selvagens (isto é, aqueles seres que vemos como porcos selvagens), estes se também se vêem como humanos, vendo, por exemplo, as frutas silvestres que comem como se fossem plantas cultivadas -mas vêem a nós humanos como se fôssemos espíritos canibais (pois os caçamos e comemos).

Há vários desdobramentos e implicações desse complexo de idéias: por exemplo, que a forma corporal de cada espécie é uma roupa ou invólucro que oculta uma forma interna humanóide; ou, ainda, que os xamãs são os únicos indivíduos capazes de assumir o ponto de vista de mais de uma espécie além da sua própria; ou, ainda, que, dada a humanidade reflexiva de cada espécie, a caça e o consumo de carne animal são empresas metafisicamente problemáticas, jamais livres de conotações canibais. Tudo isso assenta em um pressuposto fundamental, o de que o fundo comum da humanidade e da animalidade não é, como para nós, a animalidade, mas a humanidade.

Os mitos indígenas descrevem uma situação originária onde todos os seres eram humanos, e a perda (relativa) dessa condição humana pelos seres que vieram a se tornar os animais de hoje. Ou seja, se para nós os humanos “foram” apenas animais e se tornaram humanos, para os índios os animais “foram” humanos e se tornaram animais.

Nós pensamos, é claro, que os humanos fomos animais e continuamos a sê-lo, por baixo da “roupa” sublimadora da civilização; os índios, em troca, pensam que os animais, tendo sido humanos como nós, continuam a sê-lo, por baixo de sua roupa animal. Por isso, a interação entre humanos propriamente ditos e as outras espécies animais é, do ponto de vista indígena, uma relação social, ou seja, uma relação entre sujeitos.

Entre as conseqüências filosóficas mais interessantes dessa doutrina perspectivista indígena está uma concepção das relações entre “Natureza” e “Cultura” radicalmente distinta daquela que vigora, em versões historicamente variáveis, na tradição ocidental, desde o par phusis/nomos da Grécia antiga ao par nature/société do Iluminismo.”

Hegemonia e Diversidade Cultural – Gilberto Gil

terça-feira, janeiro 23rd, 2007

“A antropologia desalojou o tempo único e a linearidade do velho mundo. O tempo cristão arcaico previa um tempo que se afunilava em direção ao seu esgotamento moral, sob a luz do filho na terra, incapaz de honrar a sua origem celestial. Sua finalidade estava na própria origem do tempo, que se dissolvia e perdia sentido como uma ampulheta. O homem sonhava com a origem e sofria ao dela distanciar-se.”

Hegemonia e Diversidade Cultural > é o nome da conferência de Gilberto Gil no II Fórum Cultural Mundial. Texto longo de leitura rápida. Texto limpo, semeador de rizomas incessantes, conexões que demarcam com solidez e esperança o espaço da diversidade em um momento de crise, irreversível, da modernidade que nos foi apresentada pelo iluminismo.

Gil fala de Alteridade, Estado, Liberdade, Luta Social, apresenta seu conceito de Cultura, dedica-se a Diversidade Cultural, antes um mal (modernidade) que agora revisto, “…preenche nossos corações…” mas frisa: ” … as diferenças culturais são positivas, mas as desigualdades sociais não são e nem serão jamais”

Um texto que adequa-se ao tamanho e abertura do óculos de cada um, pois “…opiniões diferentes … muitas vezes expressam momentos distintos da compreensão de um mesmo fenômeno.”

Lucio Uberdan

Sera o Pós-humano?

terça-feira, janeiro 16th, 2007

Sera o Pós-humano?
Edgar Franco

“O termo hibernou e retorna atualmente ligado aos avanços tecnológicos e às proposições de hibridização em homem e máquina, carne e silício, no sentido de transposição da ontologia tradicional, dos limites físicos e naturais que definiriam historicamente o conceito de humano.” Prossegue>>>
Lucio Uberdan

Sou um eu de minha cultura?

segunda-feira, dezembro 25th, 2006

Os hábitos alimentares, foram uma das primeiras prática estudadas pelos culturalistas antigos. Esse estudo não foi de graça, pois na alimentação, torna-se claro, símbolos, práticas e relações sociais de uma sociedade em particular. Mas na contemporaneidade isso funciona bem ainda? Como resolvemos a situação, por exemplo, do meu prato hoje ao meio dia do dia de Natal?

Tem churrasco (Gaúcho), Tabule (Sírio), Feijão Tropeiro (Mineiro) e salada gelada de frutas com creme.

Quando todas as culturas se atravessam, poderíamos imaginar que a globalização consolida-se, porém, é quando temos um leque de possibilidades infinitamente amplo e próximo, que o particular ressurge e mantém-se com mais força ainda.

Olhando meu prato com o Tabule e o feijão tropeiro, recordei-me das “pressões por autonomia local” tão bem colocadas por Giddens no livro “Mundo em Descontrole” (vale a pena ler).

Tive a honra de ler Giddens, nas aulas do prof. Gugliano. Por sinal, o Gugliano está no Jornal Diário Popular de ontem/hoje, 2 páginas inteiras sobre o o processo eleitoral Venezuelano o qual o professor foi observador internacional – Que orgulho.

Lucio Uberdan

Second Life (1)

segunda-feira, novembro 27th, 2006
O Brasil terá Second Life até final do ano.

Com essa chamada, “O Brasil terá Second Life até final do ano”, inúmeras agências de notícia, sites, blogs, revistas, noticiam desde o meio do ano, o fato do Second Life começar a receber tradução para português, bem como, estar em curso um ousado projeto de programação estética interna do mesmo, com inserção de imagens, ambientes e locais do Brasil.

Mas o que é o Second Life? Bem, antes de responder a pergunta, afirmo que o Second Life tende a ser uma Revolução de “massa” no que chamamos de vida paralela – virtual. Algo que tende, superar em intensidade o orkut, não em usuários, mas em tempo de uso, dependência e formulação de hábitos, necessidades e símbolos a partir da relação humana e as novas tecnologia. Elementos que costumamos denominar, não somente, mas também, de Cibercultura.

Second Life muitas vezes é confundido com um jogo, mas apesar de, em certa maneira lembrar o “The Sims”, o mesmo está longe de ser um jogo, este é um mundo paralelo – virtual, onde qualquer um pode criar uma conta, adotar um personagem (avatar) e começar a viver, em certo ponto, ele imita o mundo real. No Second Life, a vida acontece normalmente, se trabalha, estuda e diverte-se, inclusive se faz sexo com outros residentes – “nativos”. O que antes eram intervenções onde possibilidades de personalidades confundiam-se, e alternavam-se entre um conectar e outro, agora projetam-se mais sólidas com o nascimento de um eu virtual, com vida “real” ou vida virtual.

O Second Life e sua prática, tende a ser uma importante experiência de avaliação sobre a projeção ocidental do que denominamos “futuro”, para um certo grupo de homens e mulheres, penso como: um test drive do século XXI, assim como o “modelo de negócios” da Google para a economia, a rede de Blogs para o jornalismo, o Msn e Orkut para o relacionamento e o Second Life para a vida paralela definitiva como um todo.

Nos próximos post´s sobre o Second Life, vou falar de como esse organiza-se internamente, situações já existentes, práticas a serem pensadas e inclusive algumas humildes avaliações culturais sobre essa matrix antiséptica.

Conferência Marshall Sahlins (pela Internet)

sexta-feira, novembro 24th, 2006
Boa dica, via internet no site da UFMG, dia 29/11 – conferência com o Antropólogo americano Marshall Sahlins, autor de Ilhas da História, Cultura e Razão Prática e de 2004 o “Esperando Foucault, ainda” – traduzido por Viveiros de Castro. Sahlins é um dos mais importantes antropólogos americanos na atualidade, crítico forte à inúmeras tendências na antropologia. Sahlins afirma que a “Cultura está sempre em transformação” Sobre a Antropologia, os antropólogos e seus “nativos”, Sahlins lembra:
“é sempre bom lembrar que esses povos não sofreram e pereceram apenas para adubar nossos pobres campos intelectuais”.

Lucio Uberdan

O Nativo Relativo – I parte – As Regras do Jogo

sábado, novembro 18th, 2006
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O Nativo Relativo (original) – Viveiros de Castro

No dia 07/11, neste post [ clique aqui ] do RELatividade, assumi o compromisso com os únicos 5 amigos(as) que por aqui passam, de fazer um resumo/citações/ leitura comentada cap. a capítulo do artigo “O Nativo Relativo” do Viveiros de Castro. Então vamos lá.

Primeiramente quero afirmar que:

Adorei o artigo; estou assustado com o artigo; irei ponderar os capítulos separadamente; a minha escrita é uma humilde contribuição/ resumo/citações/ leitura, de uma primeira investida; existem muitos conceitos (ruelas, bifurcações) neste, que me são nebulosos (?), ex: o “outrem” de Deleuze; lendo-o novamente (capítulo), acharei inúmeras outras afirmações, dúvidas e contradições (esta última é minha);

O Nativo Relativo
I parte – As Regras do Jogo

Nesse primeiro ato, vamos encontrar sua interrogação central (ou interrogações) sobre a Antropologia (ciência); o fazer antropológico (relação antropólogo, nativo, conhecimento, cultura, natureza). Vamos encontrar (mil coisas a mesa) as possibilidades dos atores, de sua (as) cultura (as) e sua (as) natureza (as) (?). Penso que, esses elementos serão melhores trabalhados nas demais partes. Aqui vamos saber inicialmente, quais “As Regras do Jogo”.

Indagação (1ª):

Se, em lugar de admitir complacentemente que somos todos nativos, levarmos às últimas, ou devidas, consequências a aposta oposta – que somos todos “antropólogos”, e não uns mais antropólogos que os outros, mas apenas cada um ao seu modo, isto é, de modos muito diferentes?”


Indagação (2ª):

E se não tivermos um problema natural que seja respondido por diferentes soluções culturais, mas que, talvez, os problemas sejam “Radicalmente diversos” e “postos por cada cultura”?

Indagação (3ª):

Que a antropologia é tomada como uma prática de sentido (?) em continuidade epistêmica com as práticas sobre as quais discorre, como equivalente a elas?”


De certa maneira, vamos deixar de lado por enquanto as indagações e vamos navegar pela rota proposta (na I parte) rio acima, para tal, não temos um veleiro com avançados instrumentos de navegação, mas sim uma bela, sincera e intuitiva canoa.

Com dia claro, e águas calmas, vamos partindo com segurança pela proposta: “o antropólogo é alguém que discorre sobre o discurso do nativo”, os discursos (do nativo; do antropólogo) mantém “uma certa relação” social que pretende ao conhecimento. Nesses discursos pairam uma certa desigualdade, ainda que sejam os dois “humanos”, ou seja, “entidades de mesma espécie” com sua devidas (ou da mesma) cultura. Ainda que, de culturas diferentes ou não, ambos usam-na de maneira desigual, a “relação de sentido entre os dois discursos diferencia”, não são diferenças da “chamada natureza das coisas” mas sim “próprias do jogo”. O primeiro, o nativo, é nativo pelo pressuposto do antropólogo de que “a relação do primeiro com sua cultura é natural (…) intrínseca, espontânea” talvez até “não reflexiva (…) inconsciente”. O segundo, o antropólogo, pretende não ser nativo, portanto, seu uso da cultura seria “reflexiva, condicional e conscientemente”.

O antropólogo usa necessariamente sua cultura; o nativo é suficientemente usado pela sua.”

Na relação entre ambos, nessas águas calmas, o “antropólogo tem uma (…) vantagem epistemológica sobre o nativo”. O nativo é a “matéria”, o antropólogo é a “ forma”, é ele, antropólogo, quem “explica e interpreta, traduz e introduz, textualiza e contextualiza, justifica e significa esse sentido” . Não?

Agora a noite caí, as águas não são mais tão calmas. Agora, em nossa frente, o rio abre-se em veias. “O que acontece se recusarmos ao discurso do antropólogo e sua vantagem estratégica sobre o discurso do nativo? E se o “discurso do nativo funciona, dentro do discurso do antropólogo, de modo a produzir reciprocamente um efeito de conhecimento sobre esse discurso?”

Quando a forma intrínseca à matéria do primeiro modifica a matéria implícita na forma do segundo?”

Ter

Mestre Andrés

sábado, novembro 18th, 2006

Estudando “O Nativo Relativo” e escutando o Mestre Andrés Segovia. Essa é a felicidade =) do dia até o fim da tarde.
Lucio Uberdan

Gaia I

quinta-feira, novembro 16th, 2006

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Gaia evolui
Do racionalismo analítico de Descartes para a ciranda dionisíaca de Nietszche
Por Carolina Borges

Desde que o ciberespaço vem atingindo as sociedades, transformações acontecem em velocidades nunca imagináveis. O cotidiano dos habitantes de Gaia ganha proporções virtuais a medida em que o acesso á grande rede mundial de informação é ampliado. Infinitas são as possibilidades quando estamos diante da internet: conexões, ressonâncias, liberdade de expressão, produção de conteúdo, conhecimento. Estamos diante de uma grande inteligência coletiva na qual relações são transformadas, criam-se valores, mudam-se referências, surgem novas possibilidades de trabalho e modos de vida. A inteligência de Gaia. Pensando coletivamente, dissolve-se indivíduos, formam-se coletivos. segue>>>


[Lucio Uberdan] Tenho dúvidas sobre esse tipo de abordagem sobre o ciberespaço, evoliur (?) porém dou credibilidade (com cautela) a maior parte do texto e concordo com Niet em a Gaia Ciência:


“Desde que me cansei de procurar,
aprendi a encontrar;
Desde que o vento começou a soprar-me na face,
velejo com todos os ventos.”