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Em meu relógio prossegue a morte e às cinco da tarde Lorca

terça-feira, junho 10th, 2008

“LA COGIDA Y LA MUERTE” – Federico Garcia Lorca

Às cinco horas da tarde.
Eram as cinco em ponto da tarde.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Uma ceira de cal já preparada
às cinco horas da tarde.
Tudo o mais era morte, apenas morte
às cinco horas da tarde.

O vento levou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já lutam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa com um chifre desolado
às cinco horas da tarde.
Começaram os acordes de bordão
às cinco horas da tarde.
Os sinos de arsénico e o fumo
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro sozinho coração acima!
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando a praça se cobriu de iodo
às cinco horas da tarde,
a morte pôs ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco horas em ponto da tarde.

Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam em seus ouvidos
às cinco horas da tarde.
O touro já mugia por sua fronte
às cinco horas da tarde.
Irisava-se o quarto de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena já vem lá ao longe
às cinco horas da tarde.
Trompa de lírio pelas verdes virilhas
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e a multidão quebrava as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram as cinco em sombra da tarde!

“Spring, Summer, Fall, Winter… and Spring” – “Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera” e “ Turtles can fly” – “Tartarugas não podem voar”, foram os filmes do fim de semana que eu não poderia deixar de indicar.

domingo, novembro 4th, 2007

Entre outras coisas, nesse fim de semana assisti dois filmes – “Spring, Summer, Fall, Winter… and Spring” e “ Turtles can fly”. O primeiro: “Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera” do diretor sul-coreano Kim Ki-Duk, é fantástico, um filme de takes longos, uma fotografia excepcional. Um filme com pouquíssimos diálogos, tendo nos olhares, gestos e situações, a residência do necessário para que você extraia a mensagem. O filme conta a história de um velho monge budista e seu aluno, conforme as estações do ano passam, a vida prossegue seu ritmo natural chocando-se com as tradições e ensinamentos, de uma forma ou outra, toda a natureza demonstrará-se em sua potência e beleza, bem como, a superação da roda da vida – samsara em direção a Mandala do Prajnaparamita.

O segundo filme:

“Tartarugas não podem voar” – “Lakposhtha hâm parvaz mikonand” (2005) do diretor iraniano Bahman Ghobadi teve um plus a mais, eu vi ele junto com minha companheira – sempre é melhor sem dúvida :) . O filme é mais que um filme, é uma história de vidas, uma película complexa de muitas realidades e superações super-humanas. Em um campo de refugiados no Kurdistão, centenas de curdos esperam o provavel inicio da guerra (invasão Americana). Sr. Satélite é o nome de um jovem instalador de antenas, desarmador de minas que com muita esperteza e argumentos organiza o trabalho das crianças, esse assume para si a responsabilidade sobre elas e seu trabalho sendo assim obedecido e respeitado por elas e por todos refugiados. Um outro jovem do campo desarma minas para venda por conta própria, questão essa que causa atrito com Sr. Satélite, esse atrito só será superado pelo fato desse segundo jovem ter premonições em sonhos. Junta-se a isso o fato desse ter uma irmã (jovem também) por qual Satélite apaixona-se, essa por sua vez vive conflitos com a criança cega que ela e seu irmão cuidam, esses conflitos a levarão para decisões extremas. Um filme muito forte e complexo, inúmeros temas, propostas e situações circulam por ele, mas uma mostra-se claramente a nosso olhos, nenhuma guerra deveria ser tolerada como nós estamos sendo capazes de tolerar.