A jornalista e ativista canadense Naomi Klein analisa o novo estágio do capitalismo pós-11 de setembro: a privatização do desastre. Seu nome circula em todo debate que questiona a arrogância do pensamento único e a imposição do neoliberalismo como modelo econômico irrevogável na era da globalização. Naomi Klein, 38, tornou-se mundialmente conhecida depois do sucesso de Sem logo - A tirania das marcas em um planeta vendido. Lançado em 2001 e traduzido para 28 idiomas, o livro superou a marca de um milhão de cópias vendidas, fato surpreendente para um volume de 500 páginas que se propõe a denunciar em detalhes os efeitos nocivos do branding, além das práticas de extorsão e exploração do trabalho de corporações como Nike, The Gap, Microsoft e McDonalds. Tornou-se rapidamente um dos maiores manifestos do movimento anti-globalização. AQUI.
Archive for the ‘Democracia’ Category
Resistindo ao choque – Naomi Klein na Cult 125 (jun/08)
quarta-feira, junho 11th, 2008Em meu relógio prossegue a morte e às cinco da tarde Lorca
terça-feira, junho 10th, 2008
“LA COGIDA Y LA MUERTE” – Federico Garcia Lorca
Às cinco horas da tarde.
Eram as cinco em ponto da tarde.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Uma ceira de cal já preparada
às cinco horas da tarde.
Tudo o mais era morte, apenas morte
às cinco horas da tarde.
O vento levou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já lutam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa com um chifre desolado
às cinco horas da tarde.
Começaram os acordes de bordão
às cinco horas da tarde.
Os sinos de arsénico e o fumo
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro sozinho coração acima!
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando a praça se cobriu de iodo
às cinco horas da tarde,
a morte pôs ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco horas em ponto da tarde.
Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam em seus ouvidos
às cinco horas da tarde.
O touro já mugia por sua fronte
às cinco horas da tarde.
Irisava-se o quarto de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena já vem lá ao longe
às cinco horas da tarde.
Trompa de lírio pelas verdes virilhas
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e a multidão quebrava as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram as cinco em sombra da tarde!
Economia solidária e software livre: compartilhar para transformar
sexta-feira, junho 6th, 2008
Economia solidária e software livre: compartilhar para transformar – Por Dione Manetti – Com o mundo ao alcance de um clique, a economia capitalista dispõe de tecnologias sofisticadas para escolher as formas mais proveitosas de alocar seus recursos, de acordo com a oscilação dos mercados. “É a globalização”, diriam os mais simplistas. Proferida aos quatro cantos, sob as mais variadas retóricas, a globalização virou palavra da moda. Dione Manetti é diretor de Fomento da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (Senaes/MTE) e usuário de software livre. Integra do texto no site da Revista Fórum – AQUI.
Por mês, cai na Amazônia uma área maior que o tamanho de duas Porto Alegres.
terça-feira, junho 3rd, 2008
Dados do INPE (Instituto Nacional das Pesquisas Espaciais) AQUI apontam Mato Grosso como o campeão das derrubadas (704,1 Km2 de desmatamento), em segundo lugar Roraima (284,8 Km2 de desmatamento). Não querendo supor de forma leviana, acredito ser coincidência que Mato Grosso, campeão do desmatamento, tem como governador o Rei da Soja, principal opositor a normatização do Banco Central que diz: Quem desmata e não tem licença ambiental não pega dinheiro público para a produção. A poucos dias ele foi achincalhado pela Miriam Leitão na Globo News, pois ele primeiro desconsiderava os dados do INPE, logo após usava do próprio INPE para sustentar uma melhora em seu estado, ou seja, lá no pior, já foi pior ainda. Para ele, o satélite do INPE serve apenas quando convém. No caso do segundo colocado (Roraima), bem, não precisamos ir longe, acompanhamos dia-a-dia a crise na reserva Raposa Serra do Sol, da luta dos indígenas, que antes do INPE já diziam em várias linguas: em Rorraima os fazendeiros-grilheiros são os responsáveis por esse belo segundo lugar no desmatamento nacional.
Mato Grosso: (704,1 Km2 de desmatamento) + Roraima: (284,8 Km2 de desmatamento)= 988,9 Km2 de dematamento. A cidade de Porto Alegre tem 496,827 Km2.