Talvez alguns(mas) que por aqui passem, assemelhem-se comigo em idade e “experiências” de vida. Ainda adolescente tive contato com a leitura de Carlos Castaneda, para ser mais exato, tive o Livro a “Erva do Diabo”, talvez seja esse o meu primeiro contato com a antropologia e com a leitura de forma verdadeira, vale ressaltar que lí ele não como um texto científico, na época nada sabia sobre isso. A Erva do Diabo é a tese de mestrado em Antropologia do Castaneda, mas não é esse um livro de rigor científico como assim conhecemos os livros científicos, ele esta além, nele encontra-se uma negociação verdadeira, Castaneda não decodificou através das leis cientificas o pensamento de seu informante – Dom Juan, ele soube abrir mão da ciência de forma sabia sempre que essa demonstrou-se pequena frente aos conhecimentos e fatos vividos com a quele brujo Yaqui. A Erva do Diabo esta entre os cem livros mais lidos no século passado e foi meu primeiro livro. A Erva do Diabo AQUI.
Primeira conversa:
Sexta-feira, 23 de junho de 1961
- Quer-me ensinar alguma coisa a respeito do peiote, Dom Juan?
- Por que quer saber disso?
- Eu queria mesmo saber a respeito. Só querer saber não basta como motivo?
- Não! Tem de procurar em seu íntimo para saber por que um rapaz como você quer empreender essa tarefa de aprendizagem.
- Por que você mesmo aprendeu sobre isso, Dom Juan?
- Por que quer saber?
- Talvez nós dois tenhamos os mesmos motivos.
- Duvido. Sou índio. Não temos os mesmos caminhos.
- O único motivo que tenho é que desejo saber a respeito, só para aprender. Mas asseguro-lhe, Dom Juan, não tenho más intenções.
- Acredito em você. Já o fumeguei.
- Perdão?
- Não importa agora. Sei quais são suas intenções.
- Quer dizer que leu meus pensamentos?
- Pode ser.
- Então quer-me ensinar?
- Não!
- Por eu não ser índio?
- Não. Porque você não conhece seu íntimo. O importante é você saber exatamente por que quer envolver-se. Aprender a respeito de Mescalito é uma coisa muito séria. Se você fosse índio, só o seu desejo seria suficiente. Muito poucos índios têm esse desejo.
Baixe o livro do Castaneda, “Uma Estranha Realidade” AQUI.