Carnaval/Canibal – Jean Baudrillard
*perfeito, fragmento do texto [Carnaval/Canibal] do Baudrillard para o “Seminário – Metamorfoses da Cultura Contemporânea” em Poa, ano passado.
Segundo a famosa fórmula de Marx sobre a história que se faz primeiro como acontecimento autêntico, para depois se repetir como farsa, pode-se conceber a modernidade como a aventura inicial do Ocidente europeu e, depois, como uma imensa farsa que se repete em escala planetária, sob todas as latitudes para onde se exportam os valores ocidentais (técnicos, econômicos, políticos ou religiosos). Esta “carnavalização” passa pelos estágios históricos da evangelização, da colonização, da descolonização e da globalização. O que se nota menos é o fato de que essa hegemonia, essa apropriação de uma ordem mundial cujos modelos não apenas técnicos e militares, mas também culturais e ideológicos parecem irresistíveis, vem acompanhada por uma reversão na qual essa potência é lentamente minada, devorada, “canibalizada” justamente por aqueles que ela carnavaliza.