Archive for the ‘Poesia’ Category

Em meu relógio prossegue a morte e às cinco da tarde Lorca

terça-feira, junho 10th, 2008

“LA COGIDA Y LA MUERTE” – Federico Garcia Lorca

Às cinco horas da tarde.
Eram as cinco em ponto da tarde.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Uma ceira de cal já preparada
às cinco horas da tarde.
Tudo o mais era morte, apenas morte
às cinco horas da tarde.

O vento levou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já lutam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa com um chifre desolado
às cinco horas da tarde.
Começaram os acordes de bordão
às cinco horas da tarde.
Os sinos de arsénico e o fumo
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro sozinho coração acima!
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando a praça se cobriu de iodo
às cinco horas da tarde,
a morte pôs ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco horas em ponto da tarde.

Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam em seus ouvidos
às cinco horas da tarde.
O touro já mugia por sua fronte
às cinco horas da tarde.
Irisava-se o quarto de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena já vem lá ao longe
às cinco horas da tarde.
Trompa de lírio pelas verdes virilhas
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e a multidão quebrava as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram as cinco em sombra da tarde!

Recuperando a primeira jornada do Relatividade – "caixa II"

terça-feira, fevereiro 5th, 2008

Caixa II

Os ursos dormem,
São estranhos, diferentes, mas são ursos.
Bonitos ursos.

Andei no meio deles,
Estão comigo aqui na caixa,
Tranqüilos em sua liberdade.

Não vou fazer barulho por eles,
Melhor o silêncio.
Para não imaginarem junto comigo.

Música para quem não conhece (ou conhece), principalmente os mais novos…. escutei bastante hoje.

quarta-feira, junho 6th, 2007

A Palo Seco

Se você vier me perguntar por ande andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos te direi, amigo eu me desesperava
Sei que assim falando pensas que este desespero é moda em 73
Mas ando mesmo descontente, desesperadamente eu grito em português:
“Tenho 25 anos de sonho e de sangue e de América do Sul
por força desse destino, um tango argentino, me vai bem melhor que um blues”
Sei que assim falando pensas que este desespero é moda em 73
Mas quero é que este canto torto, feito faca, corte a carne de vocês

Essa música ficou famosa com Belchior, mas adoro (e escuto) na voz do Ednardo. Quem quiser conhecer ou rememorar, pode pedir que mando por email.

Bjos – Lucio Uberdan

"Não sei o que hei de ser comigo sozinho"

segunda-feira, maio 14th, 2007

Todos os Dias
Fernando Pessoa
(23-7-1930)

Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma: acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho.
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.

Chegando de volta do encontro da REDE Bioma Pampa – agora a tarde (Domingo – 13/05), descansei um pouco – estava exausto. Ainda que descansando, segui sem energia para nada muito complexo. Fazer o que? Acabou que Fernando Pessoa demonstrou-se uma boa companhia. Fui para o Livro do Desassossego, rapidamente percebi que o livro seria demais, fui então, para poesias impressas na Antologia Poética do Fernando Pessoa que tenho, junto a isso, comecei a procurar algumas outras no computador, salvas anos atrás, fruto de velhas pesquisas por boas motivações.

Rememorar essas poesias foi bem interessante, devo ter ficado umas 3 horas fazendo isso, ligando elas e sua leitura hoje, a leituras anteriores e fatos de mesma época. Foi bem interessante, diria até, emocionante. Mas bem, por motivo dessas leituras, fui para internet fazer algumas pesquisas, eis que, achei a Biblioteca Nacional Digital – Espólio Fernando Pessoa – um acervo oficial, digitalizado dos estudos desse grande Poeta português, e talvez, um dos melhores poetas (ao meu gosto) que o nosso mundo já realizou.

Para além disso, nada de mais interessante – um boa noite e boa semana a todos(as)

Bjs – Lucio Uberdan

La Marche de L'Empereur

terça-feira, março 27th, 2007

 

“Começaram a cair as primeiras lágrimas do inveno
Ainda são doces, como as nossa lembranças do mar.
Silêncio.
O amor foi declarado.
O amor foi feito.
Agora, todo povo faz silêncio.”

Citação de “La Marche de L’Empereur” – repetindo

Fala??!!!

quarta-feira, janeiro 17th, 2007
Fala (trecho) – Orides Fontela

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será
capaz de ferir. Será.
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

Caixa II – revivendo agosto

terça-feira, janeiro 9th, 2007
Caixa I

Caixa II

Os ursos dormem,
São estranhos, diferentes, mas são ursos.
Bonitos ursos.

Andei no meio deles,
Estão comigo aqui na caixa,
Tranqüilos em sua liberdade.

Não vou fazer barulho por eles,
Melhor o silêncio.
Para não imaginarem junto comigo.

… Vida.. minha vida.

quinta-feira, dezembro 7th, 2006
Vida de minha vida, meu sol.
Ao redor tudo é silêncio mortal.
E eu estou absolutamente só.
Rosa Luxemburgo


Os IMPERADORES (2)

sábado, novembro 11th, 2006
“Começaram a cair as primeiras lágrimas do inveno.
Ainda são doces, como as nossa lembranças do mar.
Silêncio.
O amor foi declarado.
O amor foi feito.
Agora, todo povo faz silêncio.”

Citação de “La Marche de L’Empereur”

Os IMPERADORES (1)

sábado, novembro 11th, 2006
Todo nosso povo está aqui, todo.
Dos mais aos menos inteiros aguardando o sinal
e finalmente ele chega.
Nesse grande dia,
No terceiro mês do ano,
quando o sol e a lua se encontram ao meio dia,
nosso povo de nadadores se ergue e começa andar.

O nosso povo fica sempre dividido,
de um lado o oceano que nos alimenta
e de outro, além de uma imensa planície
além do oceano coberto de gelo, um encontro.
Nós temos um encontro de amor.

Citação de “La Marche de L’Empereur”