Até então o Le Monde Diplomatique Brasil estava disponível apenas on-line (desde de janeiro), porem desde agosto somos brindados e chamados a comprar a edição impressa brasileira, essa não é uma tradução ao português do Diplô “pai ou mãe”, mas sim a adequação da linha crítica editorial do mesmo, apartir do e para o Brasil, América Latina e mundo (na seguinte sequência) sendo impresso em nosso país através de uma parceria com o instituto Pólis e Paulo Freire. Desde de então eu e minha companheira nos esforçamos todos os meses para adquirí-lo, o esforço da-se pois nem sempre ele vem as livrarias de Pelotas. Como temos gostado muito das matérias, vou colocar uma ou duas de cada edição que me chamaram a atenção. Abraços – Lucio Uberdan.

A bordo do “Marrakesh Express” – Por Pierre Daum
Reportagem sobre um dos choque culturais emblemáticos de nosso tempo. Quarenta horas a bordo do navio que faz a travessia do Mediterrâneo abarrotado, levando ao Marrocos milhares de migrantes que foram tentar a sorte na Europa e regressam a seu país em viagem de férias.
Os eixos rangem, os canos de escapamento raspam o solo e inúmeros bagageiros ameaçam desabar sobre uma montanha de objetos, cobertos por lonas azuis ou verdes. O que elas escondem? “Geladeiras, bicicletas, máquinas de lavar, escadas, carrinhos, utensílios comprados nas feiras. Os franceses jogam fora, quando não funcionam mais, mas que nós não hesitamos em consertar”, brinca Samia, uma jovem economista de Agadir, de volta ao Marrocos após sua viagem de núpcias na França. “Para nós”, prossegue o marido, “marroquinos do Marrocos, é sempre prestigioso ter um parente que trabalha na França. Quando ele chega com seu automóvel carregado na aldeia, isto é um orgulho diante dos vizinhos”.
Quarta-feira, 4 de julho, dia de grandes partidas: Desde o amanhecer, carros e furgões já se alinharam prudentemente no vasto estacionamento do Porto de Sète, na costa mediterrânea da França. Com placas de licenciamento principalmente francesas, mas também belgas, holandesas, italianas e alemãs, todos têm o porta-malas abarrotado. Às 18h45, o último furgão consegue entrar na balsa. As espessas cordas são desamarradas e as hélices erguem uma lama marrom das profundezas. [1] Com apenas três quartos de hora de atraso, o Marrakesh Express finalmente desatraca.
A duração prevista para a travessia é de 36 horas. Partiremos à noite, passaremos um dia inteiro e mais uma noite no mar. Se tudo correr bem, chegaremos a Tânger na manhã do segundo dia.
A bordo, os relógios marcam 17h45. Uma hora realmente estranha, uma vez que são 16h45 no Marrocos e 18h45 na França. Uma hora meio-termo, expressão do espaço incerto que se estende entre a Europa e a África. Sobre o convés, as crianças correm, excitadas com a descoberta do navio e de seus múltiplos esconderijos. Para a travessia de 4 de julho, o Marrakesh Express está completamente lotado. Desde fins de março, não era mais possível encontrar um único lugar. Nem para essa, nem para as datas seguintes do mês de julho. Para agosto, é no trajeto em sentido contrário que os lugares não existem … Prossegue>>>>>