Entrevista com Legendário, líder do Ubuntu-SP

Por conta do lançamento da nova versão Ubuntu nessa quinta na Casa da Cultura Digital fiz uma entrevista com o palestrante do evento, Kemel Zaidan – aka Legendário. Espero que o material ajude na divulgação do trabalho e agradeço aos que me ajudaram sugerindo perguntas. Ctrl + C, Ctrl + V à vontade.


Kemel Zaidan ou Legendário, líder do Ubuntu-SP

Pelo que li até agora você é ator, como e quando o Linux entrou na sua vida?

Nossa, só essa pergunta já rendia uma resposta enorme, mas deixa eu tentar ser objetivo. Sempre fui curioso, principalmente com computadores. Me orgulho de ter aprendido LOGO na 2ª série em um computador TK3000. Isso foi em 88, muito antes que muito profissional de informática por ai. Rsss. Mas o Linux entrou na minha vida de maneira definitiva quando um amigo de faculdade que morava comigo ganhou um computador com Linux e não sabia mexer em nada. Eu também não sabia, mas como tinha muito mais facilidade pra coisa do que ele e já tinha brincado um pouco com Linux um tempo antes, lá fui eu ajudar. Além disso eu não tinha computador na época, portanto era a minha oportunidade de colocar a mão na massa e poder experimentar um Linux pra valer.
Desde quando você é líder do Ubuntu-SP?
Desde o final do ano passado.
Qual é o tamanho do Ubuntu-SP dentro do cenário dos Grupos Regionais?
Creio que o Ubuntu-SP seja hoje o time regional mais ativo no Brasil. Ainda estamos tentando nos estruturar, passamos por muitas mudanças recentemente, mas há ainda muita coisa para ser feita até que cheguemos no estágio em que eu quero ver o grupo.
Vi que sua agenda é bem cheia, que tipos de atividades você pratica pelo Ubuntu-SP?
Recentemente, estamos promovendo com mais algumas comunidades paulistas um encontro mensal realizado toda 1ª quinta-feira do mês. Foi uma proposta que surgiu na Campus Party deste ano de fazer algo que integrasse todas as comunidades de software livre de São Paulo. Somos um dos fundadores do movimento, mas ele está aberto a qualquer outra comunidade ou indivíduo que se interessar pela troca de conhecimento. Tentamos também realizar o lançamento dos novas versões do Ubuntu duas vezes por ano. Além disso, queremos ter uma participação ativa em outros eventos como a Campus Party, FLISOL, Latinoware, FISL e outros, sempre promovendo o Ubuntu e o software livre. Só posso te dizer o seguinte: dá muito trabalho! Nos reunimos sempre para organizar a nossa participação e é claro que isso tudo é feito de maneira voluntária, sem recebermos nada em troca.
Quais os maiores desafios a serem vencidos pelo Grupo Regional de SP?
Nossa, temos inúmeros desafios pela frente! Estamos estudando a possibilidade (e também a melhor forma) de legalizar o grupo juridicamente. Com CNPJ e tudo mais. Creio que pouquíssimos grupos de usuários no Brasil tenham essa condição. Mas o maior desafio é sem dúvida criar parcerias estreitas e dar uma continuidade que estabilize as ações do grupo de forma a termos um calendário mais fixo. É nisso que estou trabalhando com mais afinco hoje: na solidificação de um calendário. Precisamos também encontrar um parceiro que ceda sempre um espaço para os eventos do grupo, como o lançamento que iremos fazer na Casa de Cultura Digital. Caso tenhamos achado essa parceria com a Casa de Cultura, isso facilitará muito o nosso trabalho, pois podemos colocar mais esforço na organização do evento em si, ao invés de perdermos tempo tentando encontrar um local onde ele vai acontecer. A sustentabilidade financeira do grupo também é algo difícil de conseguir, mas algo que estamos nos preparando para enfrentar com mais afinco em breve.
Como sobrevive um entidade que oferece software sem custo algum?
Certamente não através da venda de software, forma tradicional. O mais comum é que empresas de software livre ganhem dinheiro com a venda de serviço. Implementação do software, personalização, treinamento e outros serviços relacionados ao software.
Quais seriam os maiores desafios do Ubuntu-BR?
Bem, não posso falar em nome do Ubuntu-BR como um todo, apenas como célula dele que somos. Mas a minha opinião pessoal é que o Ubuntu-BR tem também muitos desafios pela frente. O Ubuntu é uma distribuição muito recente, portanto as estruturas de sua comunidade também são. Distribuições de longa data como o Debian possuem também comunidades antigas e já bem solidificadas. Acredito que o maior desafio do Ubuntu-BR hoje seja organizar melhor seus times regionais, estabelecer times em cada um dos estados do país e fazer com que esses times sejam ativos de fato, proporcionando a eles maior autonomia. Isso não é fácil devido as dimensões do nosso país e as nossas diferenças culturais. Em qualquer país com dimensões mais comuns, as pessoas podem se ver com muito mais facilidade do que nós.
Você poderia adiantar algumas das novas funcionalidades do novo Ubuntu que apresentará na palestra?
Bom, depois de quase 15 dias do lançamento da versão, espero mesmo que eu seja capaz chamar a atenção de algumas funcionalidades que possam ter passado desapercebido de algumas pessoas, mas mais do que isso quero tentar estabelecer com a platéia um debate sobre os significados do lançamento de uma versão como foi esta do Lucid Lynx. Além disso quero falar um pouco sobre as novidades em outras variantes não muito cobertas pela mídia como o Ubuntu Server e o Netbook Remix.
O Ubuntu é a maior distribuição de Linux pós instalada. Existe algum projeto no Brasil para os laptops saírem das lojas com Ubuntu instalado?
Essa é uma pergunta que deve ser feita ao Fábio Filho, representante da Canonical no Brasil. Fabio Filho, quando teremos computadores de uma grande fabricante sendo vendidos com Ubuntu no Brasil? Pensando bem, devemos perguntar a Dell também porque eles vendem computadores com Ubuntu de fábrica nos Estados Unidos e Europa e não aqui no Brasil.
O Ubuntu foi criado na África do Sul. Como ele se popularizou no Brasil?
Ops, antes uma correção. É comum pensarem que o Ubuntu é uma distro sul-africana, mas na verdade ela é inglesa, mais especificamente da Ilha de Man que faz parte do Reino Unido. Apesar de o fundador do Ubuntu ter nascido na África do Sul e a palavra Ubuntu ser originária de um dialeto de lá, a sede da Canonical é no Reino Unido, e também a distribuição. Quanto a sua popularização no Brasil, creio que isso tenha se dado da mesma forma como se deu no resto do mundo: objetivo claro do projeto, simbiose com o Debian, bleeding edge, facilidade de uso, inovação, bom marketing (não basta ser bom, as pessoas precisam saber disso) e foco no usuário final.
Porque usar o Ubuntu?
Para mim o mais importante é que as pessoas utilizem software livre. Isso é o que vai trazer mais liberdade e benefícios para a nossa sociedade como um todo. Acredito no Ubuntu porque me parece ser hoje a melhor e mais coerente distribuição no momento. Alguns dos motivos já foram expostos acima, mas se tiver que resumir tudo, diria que o Ubuntu carrega toda a força e credibilidade do Debian, com um toque de facilidade e foco no usuário a mais.

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