Posted by on 16 de fevereiro de 2017

Nova Cultivar de Agave é lançada em Goiás pela Casa Brasil Digital e Inspira MTK.

A MaGoya do Cerrado, primeira Cultivar Brasileira registrada para produção de biomassa insumos alimentícios, apresenta alta produtividade e resistência à seca. O cultivo experimental do ecotipo MaGoya do Cerrado é coordenado pela pesquisadora Adriana Parada responsável pelo melhoramento genético da nova cultivar. O projeto de desenvolvimento sustentável com impacto social, demonstra o processo de  adaptação do ecoptipo MaGoya do Cerrado (variedade da seção Salmiana do Agave), como alternativa de produção sustentável de alimentos e biomassa a partir de bioprocessos passíveis de serem reproduzidos em escala industrial. 

A perspectiva de mudança climática e restrição hídrica no planeta estimula as pesquisas sobre o sucesso adaptativo de plantas CAM em ambientes desafiadores (semiáridos) representando uma alternativa importante para produção de biocombustíveis, alimentos e fármacos.

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Os Magueys da sessão Salmiana realizam fotossíntese do tipo CAM (metabolismo ácido das crassuláceas) que é uma adaptação de regulação utilizada por plantas que ficam expostas à luminosidade por longos períodos e estresse hídrico.  Durante a fotossíntese as trocas gasosas das plantas são realizadas pelos estômatos, pequenas e numerosas aberturas localizadas na face dorsal das folhas, sendo que a maioria das plantas realiza a absorção de dióxido de carbono (CO2) durante o dia. Em resposta ao estresse hídrico, os Magueys fecham os estômatos durante o dia e reabrem durante a noite, favorecendo a absorção de dióxido de carbono com uma perda mínima de água, permitindo o armazenamento de carboidratos de reserva. A característica típica de utilização desse metabolismo é a produção carboidratos de reserva (frutanos).

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Esta é uma proposta de inovação tecnológica para a reprodução, estabelecimento, produção e aproveitamento integral do MaGoya do Cerrado a partir do campo de estudo das territorialidades, abrangendo as áreas de conhecimento da biotecnologia, engenharia de processos e desenvolvimento industrial.

O projeto se destaca pela inovação no modelo de gestão articulada em rede, gerando produtos e soluções que podem ser replicados com ênfase, mas não só, na agroecologia familiar. Destaca-se, ainda, pelo resgate de uma experiência tradicional, ampliada por pesquisa e desenvolvimento, gerando um novo produto e uma alternativa de modelo produtivo com bases sustentáveis e equilibradas com a natureza.

A relevância da proposta reside no fato de o MaGoya do Cerrado ser uma cultivar fonte de alimentos, fibras e combustíveis que a partir de uma interação com o meio ambiente requer menos volume de água (devido a seu metabolismo CAM). A comprovação da eficiência no uso da água é que o MaGoya do Cerrado constitui uma importante adaptação fisiológica, que permite às plantas ocuparem habitats caracterizados por uma disponibilidade hídrica intermitente, tornando-se uma espécie de valor econômico potencial. No Brasil a necessidade de preservação de recursos genéticos e energéticos voltados para bioenergia é especialmente importante, uma vez que a maioria dos cultivos que compõem a base produtiva do país é de origem exótica.

Resultados preliminares:

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Foi detectada uma característica estrutural de adaptação ao meio, tendo como indicador a qualidade da seiva produzida pelo MaGoya do Cerrado, que pode ser verificada por sua composição química e bromatológica, rica em polissacarídeos, açúcares simples e álcool.

Os resultados preliminares de determinação dos açúcares totais da seiva in natura de MaGoya do Cerrado revelam um substrato frutofílico com um percentual de 62% de açúcares, sendo 32% de frutose e 30% de glicose. Entre os principais microorganismos presentes na microbiota da seiva de Maguey do Cerrado listam-se os já elencados nos estudos internacionais: Lactobacillus acidóphilus, Zymomonas mobilis, Leuconostoc sp e Kluyveromyces.

A partir de tais resultados demonstra-se o potencial de adaptação da cultivar MaGoya do Cerrado como alternativa de produção sustentável de biomassa e compostos metabólicos. A continuidade da pesquisa busca estudar a obtenção de biomassa, etanol e do complexo enzimático GFOR/GL a partir de bioprocessos passíveis de serem reproduzidos em escala industrial.

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