Marco Civil

3.2.2 Ampliação das redes de banda larga e inclusão digital

Logicamente, o maior e primordial entrave à rede é a inexistência de serviço de internet. Assim, o governo deve ter como meta básica a ampliação da rede para todo o território nacional. Isso inclui, considerando os desenvolvimentos atuais da tecnologia e o perfil dos usuários brasileiros, a preocupação com a ampliação de redes acessíveis por aparelhos de telefonia móvel, seja por aparelhos que acessem redes sem fio, seja por tecnologias que usem o próprio serviço de telefonia.

Para além da simples existência de uma rede, a qualidade e velocidade dessa rede são essenciais para um pleno acesso à internet. Assim a promoção da banda larga, e sua constante ampliação e aprimoramento devem constituir agendas permanentes do Estado. O Brasil já é pioneiro no desenvolvimento de tecnologias de redes sem fio em terrenos acidentados, o que mostra a importância de esforços de desenvolvimentos que se direcionem para as soluções dos problemas específicos do País.

Tais debates encontram-se em curso no governo, no âmbito de um comitê para a formulação de um Plano Nacional de Banda Larga, que deverá ser finalizado e divulgado em breve. Este espaço serve também para buscar consolidar diretrizes em nível legal que possam contribuir para esse processo.

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43 Comentários

  1. jlara
    Escrito 29 de outubro de 2009 em 15:16 | Permalink

    Acredito que a expansão da banda larga deve-se sim ser acompanhada de perto pelo governo federal, para que não aconteça sobre-carga nas redes com a constante “expansão” das operadoras na venda e o péssimo serviço prestado, assim como aconteceu com a Telefônica. O Governo deveria sim acompanhar de perto e aplicar severas multas em cima das operadoras para que realmente o serviço seja de qualidade assim como na Europa.

    • b3ckc3a
      Escrito 29 de outubro de 2009 em 17:54 | Permalink

      Eu concordo plenamente com o comentário da jlara mas fica a minha dúvida sobre “governo federal”. Quem seria? A Administração Pública Direta na forma do Ministério de Telecomunicações? A ANATEL (Administração Pública Indireta)? Uma nova Agencia Reguladora com esta finalidade? O que vocês acham?

      • lfaria
        Escrito 1 de novembro de 2009 em 15:33 | Permalink

        O certo seria a Anatel.
        Mas uma Anatel, democrática e justa com a totalidade das empresas brasileiras e não apenas rigoroza com os pequenos e amena com os grandes.

        • fredericopandolfo
          Escrito 1 de novembro de 2009 em 17:02 | Permalink

          Acredito que uma coisa 100% democratica não seria ideal: Não que a democracia não seja ideal, apenas que, quando lidamos com informações técnicas, devemos deixar que pessoas qualificadas tomem as decisões. O principio desta restrição é a seguinte: “Somente engenheiros podem planejar pontes”. Por que? Porque se pessoas sem os conhecimentos de engenharia forem projetar uma ponte, esta ponte nunca será concluida, ou se for concluida, dificilmente será segura.

          Acredito que esta agencia reguladora terá autonomia para fiscalizar e multar as operadoras, porém esta agencia NÃO terá a capacidade de tomar, por si só, decisões relativas as regras de telefonia e internet. Estas normas poderão ser propostas por toda a sociedade em um forum de internet, aonde serão avaliadas por pessoas que tenham concluido no minimo o nivel superior em algma area relativa o assunto. Entendo que assim todos participam, mas quem vota possui o conhecimento para tomar uma boa decisão, e as opiniões de todos os participantes são levadas em consideração.

          Por exemplo:
          Se o assunto for algo como “protocolos para comunicação de dados”, o tema proposto, por ser de natureza técnica, deverá ser votado por pessoas com titulo minimo de bachareis em ciencia da computação.
          Se for algo como “novas normas para tarifação de telefonia”, por ser assuntos financeiros, o assunto deve ser votado bachareis em contabilidade, economia e administração, que são pessoas que se supõem que possuam grande conheciento na area.

          Apesar da decisão final ser tomada pela comunidade de nivel superior, qualquer pessoa poderá sugerir algo para a apreciação destes. Se a sugestão for boa, com certeza será levada em conta.
          Penso que, este mecanismo de participação direta e continuo da sociedade, com participação de todos mas com o poder de decisão nas mãos de quem tem formação superior compativel com o tema, evita que as grandes empresas usem seu poder economico para “comprar” membros chaves das agencias reguladoras, e desta forma, manipular estas agencias em beneficio proprio, reduzindo drasticamente a corrupção nestas agencias. Além de evitar também que pessoas que não possuem conhecimento adequado tomem decisões consideradas inapropriadas, como ocorreu no caso cicarelli X youtube, em que o desembargador, por não conhecer como a internet funciona, usou seu poder para tomar uma decisão completamente sem fundamentos e anti-democratica, literalmente “queimando o filme” do judiciario perante a sociedade internauta.

          Acredito que este modelo funcionaria bem para uma agencia reguladora, podendo até mesmo ser adaptado para substituir elementos como camaras de deputados, camaras vereadores e senado. Seria, em minha opinião, o ponto máximo da democracia, com a participação direta e voluntária da população.

  2. kleberbrasil
    Escrito 29 de outubro de 2009 em 21:32 | Permalink

    A inciativa privada deve tomar frente na expansão, essas são mais eficientes que o Estado, que teve sua chance de investir em infraestrutura nas telecomunicações durante décadas e não consegui êxito com o sistema Telebrás. As microempresas outorgadas para a prestação de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) tem se destacado na expanção de infraestrutura (wireless) em todo Brasil, tudo isso sem incentivos fiscais e sem linhas de créditos subsidiados em bancos estatais. Deveriam dar mais credibilidade jurídica para essas empresas expandirem mais suas redes, disponibilizando freqüências exclusivas aos SCM, como as reivindicadas 2,5 Ghz, 3,5 Ghz e 10,5 Ghz.

  3. lfaria
    Escrito 1 de novembro de 2009 em 15:30 | Permalink

    Sou novo aqui e ainda não me encontrei totalmente, mas vou dar uma opinião sobre o assunto e perdõe caso não seja o forum mais adequado.

    Nesse processo de disseminação de banda larga e de inclusão digital a presença do governo é mais importante como regulador e eventualmente atuar nas áreas em que a inciativa privada falha ou não é suficientemente eficiente, seja por que motivo for.

    Não atuo diretamente nessa área, porém tenho pesquisa e leitura quase obrigatória e diária sobre as atuações e dificuldades enfrentadas pelas empresas de provedor internet. Mantenho um site técnico e participo de forum sobre esse tema.

    Na minha visão, uma grande dificuldade é a legalização das empresas e pessoas interessadas em participar dessa inclusão, enquanto fornecedoras de internet. É necessário incentivar com redução de impostos e taxas; facilitar a parte burocrática envolvida que faz com que a maior parte dessas empresas atuem ilegais; e proporcionar a essas empresas condições de trabalho.

    Outro ponto fundamental é o insumo que essas empresas usam, que é o acesso ao backbone da Internet. Hoje esse acesso é um oligopólio, que participam as grandes operadoras e que hoje, abertamente, impedem o acesso as pequenas empresas de internet. Ora negam o fornecimento de link de interconexão, ora praticam preços absurdos que inviabilizam o negócio para pequenos provedores. Cabe, no mínimo, denuncia ao CADE por práticas ilegais.

    Por fim incentivar a organização dos pequenos. Em muitos casos a Interconexão está acontecendo, mesmo com o boicote das grandes operadoras, porque os pequenos provedores se unem em associações, compartilham o transporte de grandes quantidades de dados, links de fibra, fazendo a infraestrutura acontecer com diluição de custos entre eles. Com muita dificuldade vão reduzindo as dificuldades, mas isso não acontece no nível necessário.

    Fortalecendo as micro e pequenas empresas do setor, incentivando sua legalização e pulverização, proporcionando a Interconectividade com a Internet a custos competitivos, sem dumping, e com acessos a todos (digo aos provedores), isso se refletirá no acesso ao usuário, que busca opções e as terá.

    Lauro Faria
    http://www.bdibbs.com.br

  4. fredericopandolfo
    Escrito 1 de novembro de 2009 em 16:30 | Permalink

    Há um dilema:

    A empresa privada só consegue existir se ela obtem lucros, e para isso, ela precisa explorar mercados que deem lucros.
    O governo deve sempre se focar no bem estar da população – independnetemente se a região é rica ou pobre. É para isso que o governo existe.

    A iniciativa privada só irá “expandir” se o mercado for lucrativo para ela – empresas privadas sempre pensam no lucro, e não em “beneficio social”. Friamente falando, o “beneficio social” que uma empresa privada fornece é a propria prestação do serviço que ela fornece e o pagamento dos seus impostos.

    Quado uma empresa privada diz que fez algo por “consiencia social” é porque ela ve nisso uma forma de divulgação de sua marca – com a finalidade de obter lucro.

    Entendo que o governo deve fazer uma das seguintes propostas:

    Se uma região do pais não é lucrativa para que a empresa privada leve a rede de comunicações até la, então o governo deve adotar medidas que melhorem a renda da populaçao deste local de modo que aquela região passe a ser vista como lucrativa ao ponto de interesse das empresas privadas, o que traz, de forma natural, a ampliação da cobertura rede de banda larga e consequente inclusão digital.

    OU

    Que se crie uma empresa estatal que atenda estes pontos não lucrativos. Ao contrario da iniciativa privada, que sempre foca o lucro, o governo deve sempre focar o bem estar da população.

    O governo pode incentivar que a iniciativa privada invista em pontos não lucrativos, porém obrigar por força de normas ou de lei que a iniciativa privada expanda a rede a pontos não lucrativos, seria o mesmo que responsabilizar a iniciativa privada pelos séculos de descaso governamental que atingem estas regiões.

    Eu entendo que o item 1 é o melhor de todos – incentivar o crescimento das areas não-lucrativas. Além de resolver vários problemas sociais destas regiões, o governo “lucra” mais. É correto afirmar que, como o governo obtém dinheiro através dos impostos, ao investir em uma região de modo que ela tenha melhores indices de qualidade de vida e renda per capita, automaticamente aquela região rende mais em impostos, e por isso o governo passa a “lucrar mais” sobre aquela região.

    • Escrito 2 de novembro de 2009 em 12:13 | Permalink

      Concordo, porém eu tenho visto que as pequenas empresas de acesso a Internet se estabelecem onde não há a oferta de serviços de grandes operadoras, normalmente em mercados onde não há esse interesse, ou onde existe falhas de atendimento.

      Todos visam o lucro, mas para algumas esse lucro é apenas o sustento de suas atividades, nenhum dono de pequeno provedor fica rico.

      Dê o devido incentivo a esse tipo de empresa, que se reduzirá muito a necessidade do governo de atuar como empresa.

      Lauro Faria
      http://www.bdibbs.com.br

      • fredericopandolfo
        Escrito 2 de novembro de 2009 em 12:24 | Permalink

        O que não foge o principio que eu disse: Para estas pequenas empresas, o local é lucrativo. E o melhor: Fora da concorrencia das grandes.

        Infelizmente, assim que a grande chegar no local, o serviço dela será fornecido com qualidade superior a preços menores do que o da pequena – e esta pequena sera eliminada. (A pequena não tem como competir com a grande)

        Mas sim, concordo que o governo deve incentivar estas empresas para levar internet aonde as grandes não se interessam. Quanto mais conectividade, melhor.

        • Escrito 2 de novembro de 2009 em 14:22 | Permalink

          Mas aí entra um componente técnico/comercial que não sei se todos percebem. O pequeno provedor, em muitos locais, é obrigado a efetuar a interconexão com a internet através de um operador, que muitas vezes é o próprio concorrente.

          Tome por exemplo a Oi. Ele vende Velox de 1 Mbits a R$ 149,00/mes na minha localidade mas o link para o provedor de 1 Mbits ele vende por R$ 2.000,00/mes e na maioria das vezes recusa o fornecimento. Existe uma diferença técnica entre os dois tipos, mas o custo é artificial e o pequeno se sujeita. E em muitas vezes é impedido por uma concorrência ilegal.

          A maioria dessas pequenas empresas só pede equivalência de custos no momento da interconexão, se isso existir consegue sobreviver pois tem um quesito que o pequeno vence a grande com facilidade: qualidade no atendimento.

          É difícil explicar em poucas palavras, é preciso ouvir os envolvidos e entender o quanto se pode avançar.

          Lauro Faria
          http://www.bdibbs.com.br

          • fredericopandolfo
            Escrito 2 de novembro de 2009 em 17:21 | Permalink

            Neste caso haveria que ter uma legislação especifica que regesse sobre os links destinados a estes pequenos provedores, ou até mesmo, uma agencia estatal com fins lucrativos que fornecesse tais links.

            • Escrito 3 de novembro de 2009 em 11:31 | Permalink

              O mais curioso é que a lesgislação atual prevê a interconexão a preço justo, acho que isso deve estar vago demais. Cobrar 10 vezes mais do que se cobra ao usuario final não me parece bem um “preço justo”.

              Nesse caso uma estatal até pode ser, mas alguns provedores em associação, consegue até obter essa interconexão a uns R$ 300 ou 500 /mes o link de 1 Mb. O que mata é a logistica continental desse país e o boicote de quem deveria, por lei, ofertar esse link.

              Lauro Faria
              http://www.bdibbs.com.br

      • fredericopandolfo
        Escrito 2 de novembro de 2009 em 14:02 | Permalink

        Hey lauro, acessei o link de sua asisnatura. Eu também tive um MSX!!! Saudades dele! Era um Hotbit 1.1, produzido pela EPCOM, na Zona Franca de Manaus! (A mensagem de inicio dele era assim! hehehe) Processadorsinho Z80A… era incrivel que uma máquina tão arcaica (se comparado com o que há hoje) fosse capaz de fazer tantas coisas.

        Usei muito também o apple TK 300//e do meu primo – tinha uns jogos muito bacanas tbm! Sei que não tem nada a ver com o assunto do forum, mais só foi um comentário em OFF.

        • Escrito 2 de novembro de 2009 em 14:27 | Permalink

          Xiiii, rolou saudade… :-)
          Bom, TK85, MSX Gradiente, Z80A,Modem em cartucho, MegaRam Disk, Floppy 5 1/4… rsrs
          O BBS mesmo durou 10 anos… :-)
          Bons tempos… bons tempos…

          • fredericopandolfo
            Escrito 2 de novembro de 2009 em 17:22 | Permalink

            Floppy, Gunball ,capitain good night, wings of fury, elevator action… WEE !! Jogo isso até hoje em emuladores! :P

  5. sbts
    Escrito 2 de novembro de 2009 em 13:21 | Permalink

    Nesta discussão seria interessante questionarmos a quase ausência no Brasil de BANDA LARGA DE VERDADE, isto é, da ordem de 100MB/S.

    • fredericopandolfo
      Escrito 2 de novembro de 2009 em 13:57 | Permalink

      Um aumento de ampliação e velocidade?
      Com certeza.

      Em paises desenvolvidos a banda é realmente de 100mbps.
      Acredito que o governo deve pressionar as grandes operadoras a fornecerem tais serviços. É OBVIO que isto não é uma coisa “mágica” que acontecerá de uma hora para outra, mas entendo que se o governo incentivar massivamente técnologias de comunicação como a Fiber to the home, aonde é instalado um cabo de fibra optica em cada residencia, e em cima desta fibra todos os serviços de telecomunicação são providos (telefone, internet, tv a cabo, etc, tudo passa, fisicamente, pelo mesmo cabo), ja será um passo ENORME para a melhoria da qualidade do serviço no brasil, além de reduzir aquela massaroca de fios penduradas nos postes.

    • Escrito 2 de novembro de 2009 em 15:35 | Permalink

      Se não me engano no Japão, banda larga já passa dos 100 Mb.

      Mas o Japão é uma ilha de alta tecnologia, com muito dinheiro e area territorial mínima.

      O Brasil é um país continental de alta criatividade em tecnologia, com pouco dinheiro e uma área territorial continental.

      Nos grandes centros já se pode pensar em ter fibra em cada residência, mas tem cidades que uma conexão de 100 Km é luxo.

      Em políticas públicas tem que se pensar em tudo, mas fico feliz se ver a inclusão digital chegar a todos, nem que seja a 100 Kbps mesmo.

      E onde se pode, faz melhor..

      Lauro Faria
      http://www.bdibbs.com.br

      • fredericopandolfo
        Escrito 2 de novembro de 2009 em 15:45 | Permalink

        Falou e disse tudo lauro!

        Só uma observação: Acho errado dizer que o brasil tem pouco dinheiro.
        Se cortar em 90% a verba do senado federal, ele continuaria operando sem problemas e daria para por fibra optica e conexão de 100mbps ou mais em todas as casas!!! eheehhe

        • Escrito 3 de novembro de 2009 em 11:34 | Permalink

          Quando falo pouco dinheiro é comparativamente ao Japão… :-)

          Se, num passe de mágica, acabasse todo o desperdício e corrupção do país (utopia), nós estávamos discutindo aqui como melhorar o paraíso. :-)

          Lauro Faria
          http://www.bdibbs.com.br

    • thidamasceno
      Escrito 3 de novembro de 2009 em 9:56 | Permalink

      Se pelo menos os serviços de acessos cumprissem os 1, 2, 4, 8, 12, … mbps contratados já seria alguma coisa.

      • fredericopandolfo
        Escrito 3 de novembro de 2009 em 10:28 | Permalink

        Basta o poder publico fiscalizar e punir rigorosamente quem nao cumpre!

  6. thidamasceno
    Escrito 3 de novembro de 2009 em 9:54 | Permalink

    Área estratégica

    Hoje não temos uma empresa pública prestando o serviço, o que é uma fragilidade, pois o setor de Informação é área estratégica para qualquer país. Dependemos totalmente de empresas que visam apenas o lucro sem a prestação de um serviço de qualidade, não há concorrência.

    É de conhecimento público que as empresas não disponibilizam as velocidades contratas de downstream e upstream, como poderemos pensar em ampliação das redes de banda larga, seja através de ADSL, Cable modem, 3G, entre outros, sendo que hoje a infraestrutura existente não atende com qualidade os usuários já conectados a rede? Não deveríamos, primeiro, fazer valer nossos direitos e obrigar a essas empresas atender aos valores contratados para os usuários já existentes? A SERPRO não poderia prestar serviços a população de acessos rápidos, com qualidade e respeito pelo consumidor, a preços mais baixos, forçando uma queda nos preços e melhoria dos serviços dos atuais provedores?

    • Escrito 3 de novembro de 2009 em 11:46 | Permalink

      Me desculpe, mas fico com meu comentário mais abaixo.

      Mais vale 100 Kbps para todos do que 8 Mbps (exatos e rigorosos) para alguns.

      Você não está errado em exigir a qualidade contratada, mas na prática é apenas exigir que conste na propaganda as características completas da tecnologia. Com suas qualidades e limitações.

      Não coloque o Serpro nisso, pulverize o mercado e regule-o corretamente.

      Lauro Faria
      http://www.bdibbs.com.br

    • fredericopandolfo
      Escrito 9 de novembro de 2009 em 17:31 | Permalink

      Deve haver regulamentação, e não estatização.

      Não há como a operadora garantir 100% da velocidade contatada durante 100% do tempo – isto nem em rede local se consegue! Nem mesmo ligando 2 computadores diretamente com cabo crossover se consegue 100% da capacidade do link.

      Mas é possivel, sim, que a banda seje mantida a maior parte do tempo acima de 80%. Ja é o suficiente para satisfazer a todos os internautas sem a necessidade de aumenter preços absurdamente.

      Estatizar seria uma péssima opção. Alguns alegam “é area estratégica”. Porém se o brasil realmente precisar um dia de controle absoluto e total das comunicações formais (uma necessidade em caso de guerra), é só as forças armadas assumirem o controle da operação e pronto. Mas em tempos de paz, abençoa-se o livre comércio.

      Obrigar que as teles levem banda larga em todos os lugares é um pouco exagerado e vai contra o principio do lucro (empresa privada vive de lucro, não de politicagem ou de programa social), mas acho que obrigar que leve para localidades acima de 10mil ou 20 mil habitantes com certeza ja é o suficiente para que esta possa fazer a operação com alguma margem de lucro. Para localidades MUITO, mas MUITO isoladas, acesso discado com um numero 0800 – lembrem-se: É diferente prover acesso universal para a finlandia, que tem 338.145Km2 (aproximadamenteo tamanho do estado de goias), ou para o japão que tem 377 873Km2 (pouco maior que mato grosso do sul), do que levar internet para todo o brasil, que tem 8.547.403Km2: O brasil é 25 finlandias em area territorial.

      O que importa, num primeiro momento, é que todos se conectem. Depois se melhora a conectividade das areas isoladas

      O governo pode, e deve, fazer com que as operadoras iniciem, ja, a migração do atual sistema de fios em cima de postes para o fiber to the home. O brasil ja é uma nação muito desenvolvida para ainda não ter tal sistema. Só isso ja melhoraria o serviço um monte: Aquela massaroca de fios nos postes esta sujeita a interferencias eletromagnéticas, e como todos sabem, todo e qualquer fonte elétrica emite ondas magnéticas, até o ser humano afeta elas (quem aqui ja colocou a mao na antena da TV e o sinal ficou melhor?). Fibra optica é imune a interferencia magnética, mas é muito mais cara em termos de implantação e manutenção. Com certeza, ao menos nas capitais (dado ao grande publico consumidor), um sistema de Fiber to the home é viavel economicamente.

  7. izaufernandes
    Escrito 9 de novembro de 2009 em 12:50 | Permalink

    O maior problema/entrave para a democratização eu não diria nem da banda larga más da internet (porque banda larga é luxo de capitais, algumas cidades maiores, sul e sudeste do brasil) são as operadoras de telefonia que cartelizam e monopolizam o acesso as redes, cobrando preços absurdos pelos seus Links Dedicados, acabando com a concorrência. A solução seria o governo entregar a preço justo o link via fibra nas cidades e todos (operadoras, empresas, pequenos provedores etc) teriam acesso a rede e aí sim passaria a existir concorrência leal e a banda larga chegaria ao consumidor final a um preço justo naturalmente, o consumidor teria opções. Se cair nas mãos das operadoras aí agente vai ficar a mercê mesmo.

    É só minha opinião.

  8. Escrito 10 de novembro de 2009 em 17:00 | Permalink

    O governo deve criar alternativas para permitir para outras empresas explorarem o serviço de internet no Brasil. Hoje existem poucas opções para se ter um acesso a internet por banda larga. Ficar entre Telefônica e NET, sendo que muitas regiões, apenas uma delas atende; e o acesso por 3G está muito ruim e muito caro. O ideal seria que houvesse pelo menos 10 opções.
    Deveria liberar logo as freqüências para WiMax. A entrada da internet pela rede elétrica vai aquecer a concorrência e melhorar a qualidade dos serviços.

    Pode haver também, em todas as empresas que oferecem o acesso a internet um link de 100k a R$9,90/mês. Assim com a abrangência das empresas de telefonia móvel, seria possível atingir boa parte do Pais.

    Importante também é garantia uma qualidade no serviço prestado. Pode-se usar como parâmetro, a qualidade da prestação de serviço da energia elétrica (não é 100%, mas não fica oscilando o tempo todo).

  9. carloseduardo
    Escrito 19 de novembro de 2009 em 14:53 | Permalink

    Prezado fredericopandolfo. Se não lhe entendi equívocadamente, permita-me discordar de sua opinião. Sobre as questões técnicas você está coberto de razão e a sua argumentação está claramente exposta. Porém, é preciso sim GARANTIR O ACESSO A INTERNET EM ÁREAS MAIS “ISOLADAS”, pois as mesmas tem igualmente a necessidade de compartilhar informações e obter o mesmo direito à comunicação que as capitais e grandes cidades. Não devemos pensar uma democratização apenas para as áreas mais populosas, pois é injusto fazer valer o direito das maiorias em detrimento das minorias. Uma democracia contemplativa prevê a garantia dos direitos sobretudo das minorias.

    • Escrito 19 de novembro de 2009 em 15:28 | Permalink

      É importante lembrar que a Internet não é formada só pelas grandes operadoras e por organismos governamentais. É formada e entregue por uma grande quantidade de pequenos e médios provedores.
      No meu entender a inclusão digital, não é entregar Banda Larga para todos, e sim entregar Internet para todos.
      Ao estabelecer a velocidade de 128 Kpbs (mesmo que seja baixa na avaliação de muitos) como meta deve tentar entregá-la a um maior número possível de usuários.
      As empresas brasileiras podem fazer isso, os pequenos provedores podem fazer isso, a única necessidade é que não se permita monopólios e concorrência ilegal. Muitos pequenos provedores de Internet apenas precisam de facilidade de se legalizar (Anatel) e interconexão a preço justo (e não estratosférico como é hoje)
      Verá que com poucas providências o alcance aumenta muito, a inclusão aumenta muito e as deficiências podem ser supridas com criatividade: governo, escolas, centros comunitários, lan house e outros.
      Cadê a vontade?

    • Escrito 19 de novembro de 2009 em 15:37 | Permalink

      Complementando:
      - A Anatel está estudando regionalizar sua licença e com isso baratear as taxas cobradas, mas a previsão é para final de 2010 ou 2011.
      - Para o provedor pequeno a interconexão de 1 Mbps (1 Mega) custa em média R$ 2.000,00 / mes numa operadora (Oi, por exemplo) , essa mesma velocidade (guardando algumas diferenças técnicas) custa R$ 140,00 para o usuário final, usando, praticamente a mesma infraestrutura.
      - Quando os pequenos conseguem se organizar e investir em infraestrutura, essa mesma velocidade pode cair para R$ 200,00 por mes.
      - Esses valores variam muito de região, mas qualquer incentivo já seria um alento.
      Lauro Faria
      http://www.bdibbs.com.br

    • fred
      Escrito 20 de novembro de 2009 em 22:29 | Permalink

      O problmea carloseduardo, é “E quem pagará a conta?”

      CLARO que as areas isoladas tem que ter acesso a internet, isso ai ja é obvio: Internet deve ser um direito do cidadão.

      Mas, e quem pagará a conta desta “democratização?”

      A empresa privada PRECISA de lucros.
      E não podemos punir a empresa privada pelos anos de descaso dos governos – portanto, levar a todas as areas não é de responsabilidade da iniciativa privada – a iniciativa privada só deve levar para areas lucrativas, e cabe ao governo tornar atraente estas areas, como? Melhorando indices de educação e emprego destas regiões.

      Levar internet operando com prejuizo, é trabalho das estatais – não que elas não possam ter lucros, mas é que, por serem do governo, elas devem cumprir a função principal do governo, que é a finalidade social (por isso que pago impostos).

      Existem então 3 opções realmente justas:
      A primeira consiste em colocar incentivos fiscais para que seja atraente para a iniciativa privada o investimento em areas não lucrativas – seria uma forma do governo “pagar” para a iniciativa privada para que esta faça a função social que é de responsabilidade do governo – literalmente, o governo terceirizaria sua responsabilidade. Isso resolve o problema de “100% de internet”, mas, de que adianta internet para quem ta passando fome ou quem não tem agua encanada ou ainda ve esgoto a céu aberto?

      A segunda, consiste em usar dinheiro publico para criar as condições necessárias para tornar estas areas lucrativas. Como? Construindo escolas de qualidade, incentivando o surgimento de outras industrias que gerem desenvolvimento nestas regiões sub-desenvolvidas. Isto, além de resolver os problemas sociais da região, tornaria a região atraente para a iniciativa privada – e automaticamente a internet iria para lá. (Sinceramente falando? Acho mais importante que o governo invista em educação, emprego e saude do que internet. Tendo emprego, vem a riquesa, e com ela o resto tudo vem automaticamente).

      E a terceira, seria a criação de uma estatal com a finalidade de levar internet a 100% do brasil… mas acho isto uma péssima idéia, pois geraria mais politicagem, mais cargos de confiança, mais funcionalismo publico, seria mais um monte de gente a mamar nas teta do governo.

      O que é completamente injustificavel é como acontece em algumas cidades aqui perto: em que a internet não tem em algumas quadras por “falta de estrutura”.

  10. Escrito 19 de novembro de 2009 em 22:00 | Permalink

    Só temos a vasta disponibilidade de telefones existente hoje, sejam fixos ou móveis, por conta das metas de universalização impostas no momento das privatizações ás empresas, metas estas que quando alcançadas permitiriam às operadoras a exploração de outros serviços, como o DDD.

    É interessante notar que estas metas foram estabelecidas de forma muito equivocada, pois se basearam na demanda reprimida existente, que era causada por uma linha telefônica ser ativo digno de declaração na declaração de imposto de renda anual e com isso, por ter se tornado uma ativo de valor no mercado, “investir” numa linha telefônica já foi um excelente negócio.

    Com as privatizações, veio o boom das telecom no Brasil que acabou exatamente no dia em que cada uma das operadoras atingiram suas metas (eu trabalhava na indústria de telecom na época, e vi quebras de contrato e cancelamentos de pedidos assustadores… na empresa que eu trabalhava, fornecedora de sistemas (hw/sw) de telecom, de 4mil funcionários fomos reduzidos a 800 em alguns meses.

    Isso fez com que a oferta no mercado fosse muito maior do que a demanda e é um absurdo ver hoje a quantidade de fibras óticas no Brasil instaladas e simplesmente desligadas.

    Como a Internet “aconteceu de verdade”, nunca tivemos metas a serem cumpridas pelas operadoras, e acredito que isso é que nos trouxe á situação esdrúxula e cartelizada que vivemos hoje.

    Boto fé que o “Plano Nacional de Banda Larga” vai colocar ordem nesta bagunça, definindo com clareza quais são as obrigações e garantias que os provedores de serviços de banda larga deverão oferecer a seus usuários e por isso, acho que a discussão aqui proposta de alguma forma se interpõe a que se vai ter por lá.

    Desde já me declaro disposto a participar deste processo de discussão da “Plano Nacional de Banda Larga”.

    • Escrito 19 de novembro de 2009 em 22:02 | Permalink

      Me corrigindo:

      Como a Internet “aconteceu de verdade” depois da elaboração das metas, nunca tivemos metas a serem cumpridas pelas operadoras, e acredito que isso é que nos trouxe á situação esdrúxula e cartelizada que vivemos hoje.

  11. izaufernandes
    Escrito 20 de novembro de 2009 em 15:58 | Permalink

    1 – Melhorar a qualidade do serviço – só vai acontecer se houver concorrência. Uma lei ou imposição qualquer vai ser só um paliativo no inicio (só relembrar a tão divulgada lei do atendimento nos call centers, está tudo do mesmo jeito)
    2 – Penetração da banda larga – as teles já chegaram onde queriam, já chegaram onde realmente interessa. Se o governo quiser (financiar) dar mais mercado de mão beijada…

    As teles só concorrem entre sí ( isso na teoria) em alguns estados, na grande maioria a concorrênica dela é ela mesma, ela vende no atacado e no varejo internet com a qualidade que quiser, o preço que achar justo, não adianta reclamar porque no fim das contas vai dar no mesmo. O cidadão na maioria das localidades não tem opção.

  12. crisrauen
    Escrito 26 de novembro de 2009 em 17:06 | Permalink

    No debate sobre universalização da BL é importante que seja devidamente definido o termo “acesso”.
    Ampliar o acesso é simplesmente tornar a infra-estrutura disponível em todas as localidades, conforme previsto no PGMU (Decreto 6.424/08)?
    Mas apenas a obrigatoriedade da instalação do backhaul é suficiente para garantir o acesso universal?
    E o quê sobre as tarifas de acesso? A assinatura mensal de BL mais barata do Brasil (NET) é 22 x maior do que no Japão e 2x EUA!
    No entanto, mesmo com infra-estrutura e tarifas menores, ainda teríamos problemas típicos de países em desenvolvimento: baixo patamar de renda per capta, elevada concentração de renda, baixo grau de instrução, altas taxas de analfabetismo, diversas áreas sem acesso a serviços essenciais, como saneamento, energia elétrica etc. Tudo isso associado ao fato de que o Brasil é um país com dimensões continentais e com diversas áreas remotas e de baixa densidade que não seriam foco direto da ótica privada.
    É necessário, portanto, que se aliem a regulação para universalização da BL com diversas políticas políticas complementares para que o acesso universal possa se tornar realidade.

  13. massena
    Escrito 7 de dezembro de 2009 em 23:07 | Permalink

    No meu entender, a ampliação das redes de banda larga e inclusão digital é um projeto governamental que merece atenção especial por parte dos governantes, pois é através de programas desse tipo que pessoas das classes sociais menos providas podem vir a receber uma quantidade de informação infinita (o que é próprio e peculiar da internet). Portanto, creio que programas como o que levou internet grátis a regiões da baixada fluminense (RJ), devam ser expandidos a todos os cantos do Brasil, com o objetivo de levar cultura, notícia, entretenimento e informações das mais variadas a toda a população brasileira.

  14. ivnalama
    Escrito 8 de dezembro de 2009 em 22:49 | Permalink

    O Brasil vivencia uma revolução nas áreas da comunicação de massa. A inclusão social perpassa pela inclusão digital. Isto se deve pela utilização da internet como meio de transferência de informações. Por vezes ocorre a deturpação do uso deste potente mecanismo de integração. Porém, a implantação de uma ampla rede que permite o acesso e a digitalização dos brasileiros é uma via de democratização ao acesso às informações.
    A internet figura atualmente como principal meio difusor de opiniões, idéias, notícias e também como formador ideológico. A disponibilização de todas essas informações numa rede possibilita à população o desenvolvimento de um senso crítico que tanto falta no plano nacional. Esta ferramenta pode e deve ser transformadora da atual sociedade. O plano de instaurar a banda larga democratiza a utilização do meio. Embora seja livre e já esteja se superando cada vez mais, a internet ainda figura como elitizada. A universalização não apenas permite o acesso, mas a integração de cidadãos que de outra forma não teriam como participar do processo de globalização de informações. As novas tecnologias devem ser incorporadas à vida social, já que modificam-na de forma irreversível. O ambiente digital já faz parte da vida em sociedade. E para que esse ambiente seja democrático, é preciso democratizar seu acesso. A mudança não é meramente formal, mas ocorre pela adaptação das normas face uma nova dimensão de realidade, que confronta o mundo real. Ao final, são dois ambientes que, dadas as circunstâncias, se aglutinam cada vez mais. O uso da tecnologia para promover valores universais da democracia, além de prover educação e cultura, responde também pelo compartilhamento de conhecimento.

    O acesso à rede da cultura digital deve ser provido, pois já faz parte da vida social do indivíduo. E para que a vida em sociedade continue fluindo, regras são necessárias. Ao dispor o meio para os debates, a participação não mais é encarada como uma mera obrigação política, mas como um direito a ser preservado. A ampliação do acesso ao espaço digital relativiza os antigos valores de democracia e permite um resgate à Ágora grega. Numa democracia de caráter continental, escutar cada idéia se torna impossível. No entanto, a acessibilidade da internet traz liberdade e cria condições para a circulação de idéias e do pensamento, reforçando, ainda, a interação do indivíduo para com a política, que atualmente figura de forma abstrata e sem influência direta na vida do cidadão. O pleno acesso à informação possibilita a a auto-afirmação do indivíduo como cidadão e ser pensante, como elemento transformador do cenário de seu país, vez que a internet aproxima o fato da realidade de cada um. A construção deste novo marco regulatório é necessária para a compreensão da sociedade para com suas próprias mutações, ao passo que permite acompanhar a evolução do mesmo meio que faz parte. O cidadão se sente integrado à nação – e por isso participa mais das políticas públicas. Fala-se na produção de um direito não-estatal, que literalmente vem do povo para o povo.

    Para que esse processo realmente se consolide e permita a integração da sociedade, a difusão de informações e cultura, a formação de opiniões e da consciência crítica pela disponibilidade de conhecimento de forma prática( a dois “clicks” de distância) só se dará de forma plena através da acessibilidade plena. O projeto de implantação de redes de banda larga deve ser implementado. Nesta fase, a transformação do Brasil será inédita. Espera-se que esta transformação se paute na responsabilidade, dentro dos limites de utilidade pública, educação, eficácia e modernidade. Em nossa carta magna, entre vários princípios, direitos e garantias tutelados, é assegurado o acesso à informação (artigo 5º, inciso XIV), bem como a liberdade de manifestação do pensamento (art. 5º, inc. IV). O processo de discussão de temas relevantes à sociedade e concernentes à ela apenas amplia a afirmação de direitos que adquiriu o cidadão. A informação é a fonte da transformação. E esta só se dará quando for plena a acessibilidade e a transparência decorrente desta.

  15. Escrito 14 de dezembro de 2009 em 15:43 | Permalink

    Caros/as, deixamos aqui a contribuição do Instituto Nupef, elaborada principalmente a partir de considerações do Carlos A. Afonso sobre o tema:

    Entendemos “banda larga” como serviços de infraestrutura rede Internet para o usuário final (em seu domicílio ou em equipamento móvel) que esteja sempre disponível, com velocidade suficiente para interação com aplicações e conteúdos multimeios em alta qualidade, a preços compatíveis com os orçamentos familiares. Desta forma, não fixamos uma velocidade mínima para a banda larga, mas sim velocidades compatíveis com a utilização plena dos serviços Internet sempre adequada à evolução desses serviços, e destacamos a importância de considerar que a capacidade de pagar desigual das famílias brasileiras por esse serviço não deve restringir o direito efetivo de qualquer família à banda larga tal como acima definida.

    A universalização do acesso à banda larga no país, colocada desta forma, é absolutamente essencial. Isso está ocorrendo em grandes cidades dos países avançados (como Estocolmo) e em países inteiros, como o excepcionalmente abrangente plano de universalização de acesso de alta velocidade, com uso intensivo de fibra óptica, na Austrália. Em alguns países, como a Finlândia, o acesso à banda larga já está definido em lei como um direito cidadão. Nesse sentido, consideramos válida a proposta de combinar redes de fibra óptica já existentes com o lançamento de novas redes de fibras para assegurar pontos de presença de espinhas dorsais de alta velocidade em todos os municípios brasileiros. A rede operada por uma estatal (no caso, provavelmente a Telebras) deve servir como agente regulador de preços na prática, ao oferecer mais banda (e de melhor qualidade) por menor preço que os atualmente praticados pelo “mercado”. Essa rede poderá oferecer banda para aplicações comerciais, também colaborando para melhorar a relação custo/benefício em serviços comerciais para o usuário final.

    O ideal seria associar a iniciativa de um plano nacional de banda larga a um plano de apoio em grande escala à implantação e manutenção de redes municipais, em parcerias com prefeituras, entidades e empresários locais. Seria uma forma de “furar” o cerco do cartel das operadoras e provavelmente a única maneira de efetivamente universalizar o acesso de qualidade para toda a população.

    Enfatizamos a necessidade de se garantir infraestrutura de alta velocidade para todos os municípios em regime público. Sabemos que isso não elimina as muitas possibilidades de prestação de serviço a partir dessa rede democratizada, por parte de provedores comerciais ou não de vários tipos, especialmente no nível local.

  16. partidopiratabr
    Escrito 15 de dezembro de 2009 em 20:56 | Permalink

    A infraestrutura de comunicação deve ser de administração pública ou o governo deve entrar como um competidor no fornecimento da infraestrutura de comunicação. A comunicação livre e de qualidade entre a população é tão importante como a capacidade de deslocamento livre. Devido à essa importância, é de primeira necessidade o impedimento de formação de cartéis por empresas que visam nada além do lucro. Com uma infraestrtura de comunicação pública, o governo pode diminuir as barreiras de entrada no mercado e assim estimular uma maior concorrência, o que necessariamente levará a uma melhor prestação de serviço pelas empresas privadas. Ao mesmo tempo, devem haver padrões mínimos de qualidade exigidos, assim como uma fiscalização dessa qualidade, seguindo o modelo do Inmetro. Outra forma mais imediata de estimular a proliferação do acesso à internet é proibir explicitamente a venda casada de telefone (ou TV no caso dos provedores de internet à cabo) junto ao acesso à internet. A infraestrutura de comunicação deve ser de administração pública, mas não necessariamente a prestação do serviço de banda larga para o usuário final. É papel do Estado estimular a concorrência e impedir a formação de cartéis, que prejudicam gravemente os direitos e interesses do cidadão. Mas também o Estado deve, no mínimo, disponibilizar pontos de acesso público e abertos em lugares como as instituições de ensino, bibliotecas e pontos de cultura.

    Estes comentários foram escritos colaborativamente por membros do Partido Pirata e representam a visão do Partido Pirata sobre os temas abordados no processo de consulta popular ao Marco Civil da Internet. O original pode ser acessado em: http://www.partidopirata.org/wiki/index.php/Marco_Civil#3.2.2_Amplia.C3.A7.C3.A3o_das_redes_de_banda_larga_e_inclus.C3.A3o_digital

  17. camaraenet
    Escrito 16 de dezembro de 2009 em 13:26 | Permalink

    (Comentário relativo aos itens 3.2.1 e 3.2.2) O investimento direto e indireto (através de incentivos fiscais, por exemplo) em infraestrutura é fundamental para a aplicação das diretrizes contidas no Marco Civil, possibilitando a inclusão digital de milhares de pessoas.

    Destaca-se como itens indispensáveis de investimento a banda larga com ou sem fio e, sobretudo, o investimento no Norte e Nordeste brasileiro, que ainda se encontra defasado em relação às demais regiões do país.

    Vale ressaltar que em tempos de investimento maciço no Brasil, o desenvolvimento e a capacitação de empresas e mão de obra no Norte e Nordeste brasileiro é fundamental para a alavancagem do Brasil como um dos líderes de mercado digital. Nesse sentido, espera-se que o Plano Nacional da Banda larga possa ser o ente propulsor de investimentos tanto do setor público, como privado.

    Além disso, é fundamental que haja um investimento fortíssimo em velocidade da internet no Brasil, visto que o país se encontra extremamente defasado em relação a outros.

    Este comentário faz parte do documento produzido pelo Comitê Jurídico e de Telecom da Câmara-e.net.
    http://www.camara-e.net/

  18. idec
    Escrito 16 de dezembro de 2009 em 18:00 | Permalink

    Reforçamos a necessidade de determinar que o acesso à Internet seja um direito fundamental e, como decorrência, que o serviço prestado por operadores (públicos ou privados) seja explorado em regime público, ou seja, que o serviço seja considerado público e essencial.
    A partir dessa determinação geral, o Estado brasileiro deve perseguir ativamente a universalização do acesso, a partir de ações coordenadas e complementares. Embora estas ações não sejam parte do escopo do projeto em debate, avaliamos que devem ser perseguidas quatro estratégias complementares:
    - A utilização dos recursos do FUST para universalizar a banda larga. O FUST – Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações, atualmente regido pela Lei 9.998/00, deve ser entendido como um instrumento de política de rendas, especialmente necessário em países com os índices extremos de desigualdades. Como hoje o único serviço prestado em regime público – e, logo, sujeito à obrigação de universalização – é a telefonia fixa (STFC), o FUST, para todos os efeitos práticos, somente pode ser aplicado para o cumprimento das obrigações de universalização desse serviço. Para que os recursos do FUST possam ser utilizados na universalização da banda larga, é necessário que o acesso à Internet passe a ser considerado um serviço essencial e prestado em regime público, assim como o STFC.
    - A implementação da desagregação estrutural de redes. A Lei Geral de Telecomunicações (LGT) previu que prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse coletivo deverão “disponibilizar suas redes a outras prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse coletivo”. Contudo, o acesso de outras empresas às redes das concessionárias de STFC ainda não se tornou realidade. Como resultado da omissão dos órgãos reguladores, os consumidores do serviço de telefonia fixa e de banda larga mantêm-se em quase todo o país reféns de uma única empresa, com os conhecidos efeitos sobre o preço e qualidade dos serviços. Nesse ambiente, a desagregação estrutural das redes das concessionárias de STFC apresenta-se como condição sine qua non para criar condições para o acesso não-discriminatório às redes para todos os demais prestadores de serviços, por induzir os detentores das redes – pela imposição de um novo modelo de negócio – a se tornarem os maiores interessados no seu compartilhamento. Pretende-se, assim, criar um ambiente de maior competição na oferta dos serviços, com diversos prestadores valendo-se da infra-estrutura das concessionárias, permitindo o exercício do direito de liberdade de escolha dos consumidores.
    - A instituição do Plano Nacional de Banda Larga. A incapacidade do modelo atual de induzir a universalização da banda larga levou setores do governo federal a apresentar uma proposta de uso das redes ociosas de empresas públicas (Petrobras, Furnas, Chesf e Eletronet) para fomentar a concorrência na oferta de banda larga, por meio do aluguel dessas redes para prestadores privados do serviço e também por meio de prefeituras, que ofertariam o acesso ao consumidor final. Entendemos ser benéfica e importante a iniciativa, por permitir um ambiente de maior competição e concorrência nos locais onde ele já é prestado e por incentivar a oferta do serviço nas localidades ainda sem qualquer fornecedor de acesso à banda larga. A prestação de banda larga a partir da utilização da rede estatal, para que tenha suas finalidades atingidas, deve ocorrer por meio da exploração do serviço em regime público, conforme já mencionado.
    – A utilização de tecnologias alternativas para o acesso à Internet. Com o recente desenvolvimento tecnológico, é possível utilizar estratégias complementares na busca da universalização do acesso à banda larga. Nesse sentido, deve-se estimular o surgimento de prestadores que ofertem banda larga ao consumidor por diversas tecnologias. Além da tecnologia ADSL e cabo, hoje as mais usadas, há as redes de telefonia móvel, possíveis de serem exploradas com a ampliação da capacidade de tráfego das redes de terceira geração (3G); há as redes de radiofreqüência baseadas na tecnologia WiMax ou LTE, tecnologias similares e concorrentes; e há redes de energia elétrica, por meio da tecnologia PLC (Power Line Communications). É importante que a regulação da exploração dessas tecnologias priorize a entrada de novos prestadores, aumentando a concorrência no setor e, consequentemente, a liberdade de escolha dos consumidores.

  19. zelenski
    Escrito 17 de dezembro de 2009 em 15:43 | Permalink

    Com o avanço da internet e do seu uso, o acesso de qualidade a ela é fundamental, para seu pleno uso, em todos os cantos do país, seja por computador ou celular.

  20. Escrito 17 de dezembro de 2009 em 17:07 | Permalink

    Deve-se ter em mente que a barreira física não é a única, nem tampouco a principal barreira à massificação do acesso banda larga à Internet e à inclusão digital.

    O preço praticado pelas prestadoras de telecomunicações para o acesso à Internet inviabiliza grande parte do acesso pela população brasileira. Medidas como desoneração fiscal por meio de reforma tributária, bem como introdução de competição efetiva e fiscalização das condições de acesso às redes monopolizadas pelas concessionárias do Serviço Telefônico Fixo Comutado – STFC são necessários.

    Nesse passo, convém notar que a menção, no texto-base do tópico 3.2.2 (“ampliação das redes de banda larga e inclusão digital”) proposto no processo colaborativo de discussão e formulação de marco civil, a uma “inexistência de serviço de Internet” como sendo “o maior e primordial entrave à rede” causa confusão, na medida em que não deixa claro que se refere, na verdade, ao serviço de acesso em banda larga prestado pelas operadoras de serviços de telecomunicações e que, repita-se, é apenas um dos elos da cadeia do efetivo uso da Internet.

    Conforme já consignado nos comentários ao item 3.2.1 supra, é essencial que se observe a regulamentação em vigor, mantendo em plena aplicabilidade o modelo brasileiro que conjuga na cadeia de fornecimento a atividade de prestação do serviço de acesso à Internet – que é o fornecimento do meio/serviço de telecomunicações – com o provimento do Serviço de Conexão à Internet – um Serviço de Valor Adicionado.

4 Trackbacks

  1. Por AMPLIA em 29 de outubro de 2009 às 21:37

    [...] [...]

  2. [...] Clique lá no banner para ter acesso ao site do Governo. É uma espécie de blog, embora um tanto complicado. Você se cadastra e pode comentar o tema de sua escolha. A questão do acesso universal – com um abertura tão vazia que parece ter sido escrita por um “tucano” – fique neste link aqui. [...]

  3. Por Consulta P em 30 de outubro de 2009 às 15:30

    [...] [...]

  4. Por PNBL - Plano Nacional de Banda Larga em 5 de novembro de 2009 às 23:12

    [...] [...]