Na sexta-feira(21), a equipe do Marco Civil da Internet recebeu por e-mail a colaboração da CLARO, abaixo reproduzida, com a devida autorização:
Brasília, 21 de maio de 2010.
CT – DAC 05.054/2010
Ao Senhor
GUILHERME ALBERTO ALMEIDA DE ALMEIDA
Chefe de Gabinete
Secretaria de Assuntos Legislativos
Ministério da Justiça – Ed. Sede sala 434
Esplanada dos Ministérios
Brasília-DF CEP: 70.064-900
Assunto: Contribuições à Minuta de Anteprojeto de Lei – Marco Civil da Internet
Prezado Senhor,
A Claro gostaria, inicialmente, de agradecer a oportunidade cedida pelo Ministério da Justiça para manifestar-se a respeito da Minuta do Anteprojeto de Lei referente ao Marco Civil da Internet no Brasil, objeto desta consulta pública. Vale sempre lembrar que o nobre propósito de discutir os direitos e deveres dos usuários de telecomunicações com toda a sociedade interessada é um passo importantíssimo e inerente à democracia brasileira.
Cabe destacar aqui que, ao se debater leis referentes a utilização da internet, é necessário cautela, para que desta forma, não sejam estabelecidas obrigações que podem vir à cercear o direito à plena informação e a liberdade de expressão.
Desta forma, a Claro apresenta o seu posicionamento e espera contribuir de forma construtiva para a definição de tão importante marco.
Atenciosamente,
Luiz Otávio Calvo Marcondes
Diretor de Assuntos Regulatórios
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º. Esta Lei estabelece direitos e deveres relativos ao uso da Internet no Brasil e determina as diretrizes para atuação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em relação à matéria.
Art. 2º. A disciplina do uso da Internet no Brasil tem como fundamentos o reconhecimento da escala mundial da rede, o exercício da cidadania em meios digitais, os direitos humanos, a pluralidade, a diversidade, a abertura, a livre iniciativa, a livre concorrência e a colaboração, e observará os seguintes princípios:
I – garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento;
II – proteção da privacidade;
III – proteção aos dados pessoais, na forma da lei;
IV – preservação e garantia da neutralidade da rede;
Contribuição: Exclusão do inciso IV
Justificativa: O tema da neutralidade de rede deverá ser amplamente debatido e estudado antes de haver um posicionamento fechado. Nem mesmo os mercados maduros conseguiram chegar à um consenso sobre a necessidade de se estabelecer a neutralidade.
V – preservação da estabilidade, segurança e funcionalidade da rede, por meio de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e pelo estímulo ao uso de boas práticas; e
VI – preservação da natureza participativa da rede.
Parágrafo único. Os princípios expressos nesta Lei não excluem outros previstos no ordenamento jurídico pátrio relacionados à matéria, ou nos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
Art. 3º. A disciplina do uso da Internet no Brasil tem os seguintes objetivos:
I – garantir a todos os cidadãos o acesso à Internet;
II – promover o acesso à informação, ao conhecimento e à participação na vida cultural;
III – fortalecer a livre iniciativa e a livre concorrência;
IV – promover a inovação e fomentar a ampla difusão de novas tecnologias e modelos de uso e acesso; e
V – promover a padronização, a acessibilidade e a interoperabilidade, a partir do uso de padrões abertos.
Art. 4º. Para os efeitos desta Lei, considera-se:
I – Internet: o conjunto de meios de transmissão, comutação e roteamento de dados, estruturados em escala mundial, bem como os protocolos necessários à comunicação entre terminais, incluídos ainda os programas de computador específicos para esse fim;
II – terminal: computador ou dispositivo análogo que se conecte à Internet;
III – administrador de sistema autônomo: pessoa jurídica, devidamente cadastrada junto ao Registro de Endereçamento da Internet para América Latina e Caribe (LACNIC), responsável por blocos específicos de número IP (Internet protocol) e por um conjunto de roteadores, redes e linhas de comunicação pela Internet que formem uma infraestrutura delimitada por protocolos e métricas comuns.
IV – conexão à Internet: autenticação de um terminal para envio e recebimento de pacotes de dados pela Internet, mediante a atribuição de um número IP;
V – registro de conexão: o conjunto de informações referentes à data e hora de início e término de uma conexão à Internet, sua duração e o número IP utilizado pelo terminal para o recebimento de pacotes de dados;
VI – serviços de Internet: conjunto de serviços diversos que podem ser acessados por meio de um terminal conectado à Internet, como, por exemplo, navegação, comunicação instantânea, envio e recebimento de correspondência eletrônica, publicação de obras textuais ou audiovisuais em formato digital, entre outros;
VII – registros de acesso a serviços de Internet: o conjunto de informações referentes à data e hora de uso de um determinado serviço de Internet a partir de um determinado número IP.
Contribuição: inclusão do item VIII – Conteúdo
Justificativa: É necessária a conceituação do termo conteúdo, uma vez que ao estabelecer a sua remoção, a lei poderá criar uma forma de censura sobre os meios de comunicação. Sugerimos, portanto, a conceituação objetiva do termo conteúdo neste texto.
Art. 5º. Na interpretação desta Lei, levar-se-ão em conta, além dos fundamentos, princípios e objetivos previstos, a natureza da Internet, seus usos e costumes particulares e sua importância para a promoção do desenvolvimento humano, econômico, social e cultural, as exigências do bem comum, e os direitos e deveres individuais e transindividuais.
CAPÍTULO II
DOS DIREITOS E GARANTIAS DOS USUÁRIOS
Art. 6º. O acesso à Internet é direito do cidadão, fundamental ao exercício da cidadania, às liberdades de manifestação do pensamento e de expressão e à garantia do acesso à informação.
Art. 7º. O usuário de Internet tem direito:
I – à inviolabilidade e ao sigilo de suas comunicações, salvo por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;
II – à não suspensão ou degradação da qualidade contratada da conexão à Internet, nos termos do art. 12, salvo por débito diretamente decorrente de sua utilização;
Contribuição: Dar nova redação ao item II:
II – à não suspensão ou degradação da qualidade contratada da conexão à Internet, nos termos do art. 12, salvo por débito diretamente decorrente de sua utilização ou por motivos de força maior;
Justificativa: Não podemos deixar de considerar os fatores externos que podem forçar a suspensão ou degradação da qualidade da conexão contratada. Motivos de força maior, como por exemplo, catástrofes naturais ou climáticas, interrupção do fornecimento de energia, dentre outros, devem ser levados em consideração ao estabelecer os direitos dos usuários da internet no Brasil.
III – a informações claras e completas constantes dos contratos de prestação de serviços, estabelecendo o regime de proteção aos seus dados pessoais, registros de conexão e registros de acesso a serviços de Internet, bem como sobre práticas de gerenciamento da rede que possam afetar a qualidade do serviço oferecido; e
IV – à não divulgação ou uso de seus registros de conexão e registros de acesso a serviços de Internet, salvo mediante seu consentimento expresso ou em decorrência de determinação judicial.
Art. 8º. A garantia do direito à privacidade e à liberdade de expressão nas comunicações é condição para o pleno exercício do direito de acesso à Internet.
Parágrafo único. O exercício do direito à privacidade e à liberdade de expressão autoriza aos usuários da Internet a livre opção por medidas de segurança direcionadas a salvaguardar a proteção de dados pessoais e o sigilo das comunicações.
CAPÍTULO III
DA PROVISÃO DE CONEXÃO E DE SERVIÇOS DE INTERNET
Seção I
Disposições Gerais
Art. 9º. A provisão de conexão à Internet impõe a obrigação de guardar apenas os registros de conexão, nos termos da Subseção I da Seção III deste Capítulo, ficando vedada a guarda de registros de acesso a serviços de Internet pelo provedor.
Parágrafo único. O provedor de conexão a Internet fica impedido de monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes de dados, salvo para administração técnica de tráfego, nos termos do art 12.
Art. 10. A provisão de serviços de Internet, onerosa ou gratuita, não impõe ao provedor a obrigação de monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes de dados, tampouco de guardar registros de acesso a serviços de Internet, salvo, em qualquer dos casos, por ordem judicial específica, observado o disposto no art. 18.
Parágrafo único. Para efeitos deste dispositivo, os usuários que detenham poderes de moderação sobre o conteúdo de terceiros se equiparam aos provedores de serviços de Internet.
Art. 11. A responsabilização do provedor de serviços de Internet por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros fica condicionada ao descumprimento dos procedimentos previstos na Seção IV deste Capítulo.
Seção II
Do tráfego de dados
Art. 12. O responsável pela transmissão, comutação ou roteamento tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, conteúdo, serviço, terminal ou aplicativo, sendo vedado estabelecer qualquer discriminação ou degradação do tráfego que não decorra de requisitos técnicos destinados a preservar a qualidade contratual do serviço.
Contribuição: Exclusão do Art. 12.
Justificativa: Cabe novamente a ressalva acerca do tema de neutralidade de rede. Ao estabelecer que o responsável pela transmissão, comutação ou roteamento, terá a obrigação de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, o Ministério, institui a questão obrigatória da neutralidade de rede. Reforçamos aqui a solicitação de que este tema deverá ser alvo de estudos e debates profundos antes de estabelecermos obrigatoriedade legal da neutralidade.
Seção III
Dos registros de dados
Subseção I
Da guarda de registros de conexão
Art. 13. A guarda e a disponibilização dos registros de conexão a que esta lei faz referência devem atender à preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem das partes direta ou indiretamente envolvidas.
Art. 14. A provisão de conexão à Internet impõe ao administrador do sistema autônomo respectivo o dever de manter os registros de conexão sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo máximo de 6 (seis) meses, nos termos do regulamento.
Parágrafo único. O dever de manter os registros de conexão não poderá ser transferido.
Art. 15. Na guarda de registros de conexão:
I – os registros de conexão somente poderão ser fornecidos a terceiros mediante ordem judicial ou por autorização prévia e expressa do respectivo usuário;
II – os dados cadastrais somente poderão ser disponibilizados de maneira vinculada aos registros de conexão mediante ordem judicial; e
III – as medidas e procedimentos de segurança e sigilo dos registros de conexão e dos dados cadastrais devem ser informados de forma clara aos usuários.
Parágrafo único. Os procedimentos de segurança necessários à preservação do sigilo e da integridade dos registros de conexão e dos dados cadastrais referidos neste artigo deverão atender a padrões adequados, a serem definidos por meio de regulamento.
Subseção II
Da guarda de registros de acesso a serviços de Internet
Art. 16. A guarda de registros de acesso a serviços de Internet dependerá de autorização expressa do usuário e deverá obedecer ao que segue, sem prejuízo às demais normas e diretrizes relativas à proteção de dados pessoais:
I – informação prévia ao usuário sobre a natureza, finalidade, período de conservação, políticas de segurança e destinação das informações guardadas, facultando-lhe o acesso, retificação e atualização sempre que solicitado;
II – consentimento livre e informado do usuário previamente ao tratamento, à distribuição a terceiros ou à publicação das informações coletadas;
Contribuição: Nova redação ao item II
II – consentimento obrigatório e informado do usuário previamente ao tratamento, à distribuição a terceiros ou à publicação das informações coletadas, salvo por mediante ordem judicial; e
Justificativa: O consentimento do usuário deverá ser obrigatório ao tratamento e distribuição a terceiros ou a publicações acerca das informações coletadas. É importante que haja garantia do anonimato, salvo se por ordem judicial, os dados forem solicitados.
III – os dados que permitam a identificação do usuário somente poderão ser disponibilizados de maneira vinculada aos registros de acesso a serviços de Internet mediante ordem judicial.
Art. 17. Os danos causados aos titulares de dados pessoais devem ser reparados nos termos da lei.
Subseção III
Da proteção ao sigilo das comunicações pela Internet
Art. 18. Os procedimentos de interceptação, escuta ou disponibilização de conteúdo das comunicações pela Internet somente poderão ocorrer para fins de persecução penal e serão regulados pela lei que trata da interceptação de comunicação telefônica e dados telemáticos.
Seção IV
Da remoção de conteúdo
Art. 19. O provedor de conexão à Internet não será responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros.
Art. 20. O provedor de serviço de Internet somente poderá ser responsabilizado por danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros se for notificado pelo ofendido e não tomar as providências para, no âmbito do seu serviço e dentro de prazo razoável, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente.
§ 1º. Os provedores de serviços de Internet devem oferecer de forma ostensiva ao menos um canal eletrônico dedicado ao recebimento de notificações e contranotificações.
§ 2º. É facultado ao provedor de serviços de Internet criar mecanismo automatizado para atender aos procedimentos dispostos nesta Seção.
Art. 21. A notificação de que trata o art. 20 deverá conter, sob pena de invalidade:
I – identificação do notificante, incluindo seu nome completo, seus números de registro civil e fiscal e dados atuais para contato;
II – data e hora de envio;
III – identificação clara e específica do conteúdo apontado como infringente, que permita a localização inequívoca do material pelo notificado;
IV – descrição da relação entre o notificante e o conteúdo apontado como infringente; e
VI – justificativa jurídica para a remoção.
Art. 22. Ao tornar indisponível o acesso ao conteúdo, caberá ao provedor do serviço informar o fato ao usuário responsável pela publicação, comunicando-lhe o teor da notificação de remoção e fixando prazo razoável para a eliminação definitiva do conteúdo.
Parágrafo único. Caso o usuário responsável pelo conteúdo infringente não seja identificável ou não possa ser localizado, e desde que presentes os requisitos de validade da notificação, cabe ao provedor de serviço manter o bloqueio.
Art. 23. É facultado ao usuário responsável pela publicação, observados os requisitos do art. 21, contranotificar o provedor de serviço, requerendo a manutenção do conteúdo e assumindo a responsabilidade exclusiva pelos eventuais danos causados a terceiros, caso em que caberá ao provedor de serviço o dever de restabelecer o acesso ao conteúdo indisponibilizado e informar ao notificante o restabelecimento.
Parágrafo único. Qualquer outra pessoa interessada, física ou jurídica, observados os requisitos do art. 21, poderá contranotificar o prestador de serviço, assumindo a responsabilidade pela manutenção do conteúdo.
Art. 24. Tanto o notificante quanto o contranotificante respondem, nos termos da lei, por informações falsas, errôneas e pelo abuso ou má-fé.
Art. 25. Os usuários que detenham poderes de moderação sobre o conteúdo de terceiros se equiparam aos provedores de serviços de Internet para efeitos do disposto nesta Seção.
Seção V
Da requisição judicial de registros
Art. 26. A parte interessada poderá, para o exclusivo propósito de formar conjunto probatório em processo judicial, requerer ao juiz a expedição de requisição solicitando, ao responsável pela guarda, o fornecimento de registros de conexão ou de acesso a serviço de Internet.
Parágrafo único. No requerimento de requisição judicial a parte deverá fazer constar:
I – a descrição pormenorizada de indícios razoáveis da ocorrência do ilícito;
II – a justificativa motivada da utilidade dos registros solicitados para fins de investigação do ilícito; e
III – período ao qual se referem os registros.
Art. 27. A requisição judicial de fornecimento de registros obedecerá aos ritos processuais cabíveis, observado o que segue:
§ 1º. A requisição de fornecimento de registros de acesso a serviços de Internet fica sujeita à comprovação de que o responsável mantém a guarda com a autorização expressa dos usuários, obedecido o disposto no art. 16.
§ 2º. Caso o fornecimento dos registros de acesso a serviços de Internet não seja necessário para os fins da investigação, cabe ao juiz limitar a requisição apenas ao fornecimento dos registros de conexão.
§ 3º Cabe ao juiz tomar as providências necessárias à garantia do sigilo do conteúdo das comunicações e à preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem do usuário, podendo, inclusive, determinar o segredo de justiça em relação às informações recebidas.
CAPÍTULO IV
DA ATUAÇÃO DO PODER PÚBLICO
Art. 28. Constituem diretrizes para a atuação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios no desenvolvimento da Internet no Brasil:
I – estabelecimento de mecanismos de governança transparentes, colaborativos e democráticos, com a participação dos vários setores da sociedade;
II – promoção da racionalização e da interoperabilidade tecnológica dos serviços de governo eletrônico, nos diferentes níveis da federação, para permitir o intercâmbio de informações e a agilização de procedimentos;
III – promoção da interoperabilidade entre sistemas e terminais diversos, inclusive entre os diferentes níveis federativos e diversos setores da sociedade;
IV – adoção preferencial de tecnologias, padrões e formatos abertos;
V – publicização e disseminação de dados e informações públicos, de forma aberta e estruturada;
VI – otimização da infraestrutura das redes, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços de Internet, sem prejuízo à abertura, neutralidade e natureza participativa;
VII – desenvolvimento de ações e programas de capacitação para uso da internet;
VIII – promoção da cultura e da cidadania, inclusive pela prestação mais dinâmica e eficiente de serviços públicos;
IX – uso eficiente de recursos públicos e dos serviços finalísticos disponibilizados ao cidadão; e
X – prestação de serviços públicos de atendimento ao cidadão de forma integrada, simplificada e por múltiplos canais de acesso.
Art. 29. Os sítios e portais de entes do Poder Público devem buscar:
I – compatibilidade dos serviços de governo eletrônico com diversos terminais, sistemas operacionais e aplicativos para seu acesso;
II – acessibilidade a todos os interessados, independentemente de suas capacidades físico-motoras, perceptivas, culturais e sociais, resguardados os aspectos de sigilo e restrições administrativas e legais;
III – compatibilidade tanto à leitura humana como ao tratamento por máquinas;
IV – facilidade de uso dos serviços de governo eletrônico; e
V – fortalecimento da democracia participativa.
Art. 30. O cumprimento do dever constitucional do Estado na prestação da educação, em todos os níveis de ensino, abarca a capacitação para o uso da Internet como ferramenta de exercício de cidadania, promoção de cultura e desenvolvimento tecnológico.
§ 1º Sem prejuízo das atribuições do poder público, o Estado fomentará iniciativas privadas que promovam a Internet como ferramenta educacional.
§ 2º A capacitação para o uso da Internet deve ocorrer integrada a outras práticas educacionais.
Art. 31. As iniciativas públicas de fomento à cultura digital e de promoção da Internet como ferramenta social devem:
I – buscar minimizar as desigualdades, sobretudo as regionais, no acesso à informação; e
II – promover a inclusão digital de toda a população, especialmente a de baixa renda.
Art. 32. O Estado deve buscar, formular e fomentar estudos periódicos regulares e periodicamente fixar metas, estratégias, planos e cronogramas referentes ao uso e desenvolvimento da Internet no país.
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 33. A defesa dos interesses e direitos dos usuários da Internet poderá ser exercida em juízo individualmente ou a título coletivo, na forma do disposto nos artigos 81 e 82 da Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990.
Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


[...] This post was mentioned on Twitter by João Sérgio, Mega Não !. Mega Não ! said: RT @marcocivil: No Blog » Colaboração da Claro http://ow.ly/1TbAh [...]
A Claro esquece que a neutralidade da rede é um preceito fundamental e universal tão antigo quanto a propria rede, a quebra da neutralide simplesmente inviabiliza a Internet como ela é. A quebra da neutralidade é desta forma indiscutível, e o principio da neutralidade é um direito universal e indiscutível.
A Claro, assim como todas as operadoras de 3G no Brasil oferecem um acesso banda larga que ou tem taxas extorsivas quando a cota mensal de dados é ultrapassada ou reduz substancialmetne a conexão quanto esta cota é ultrapassada, logo a ela não interessa o artigo 7 paragrafo II e muito menos o artigo 12.
.
Exato Caribé. E vale lembrar também que a neutralidade, bem como Lei, não fará distinção entre 3G, cabo ou Wi-Fi.
Se a Claro realmente quisesse aprofundar o debate com relação à Neutralidade, o faria deste o inicio do prazo.
Esta me parece mais é uma tentativa de fazê-lo à “portas fechadas”, vista a atitude em nao se pronunciar a tempo permitindo que o REPUDIO ficasse consignado em ata publica.
Vergonhoso.
.
Um aspecto importante sobre a neutralidade da rede é que ela funciona como uma garantia da liberdade de expressão.
Os “common carriers” não podem ter a prerrogativa de priorizar o tipo de tráfego que os interessar.
Isso traria enorme benefício para eles e seus parceiros comerciais e traria um prejuízo quase sem tamanho para os usuários em geral.
Além do problema óbvio que as empresas de telcom simplesmente não podem decidir qual tráfego é mais ou menos importante para você, isso pode gerar distorções ainda mais sérias.
Não é difícil ver o poder que hoje está na mão do usuário de protestar, fomentar o debate, de se manifestar com vídeos, softwares e blogs na Internet ser minado com o fim da neutralidade da rede.
Imagine que se você começar a ser preterido nas conexões quando estiver defendendo uma posição que desagrade quem tiver este controle de priorização.
No limite é possível imaginar, por exemplo, um vídeo de protesto contra alguma Cia. Telefônica, praticamente impossível de ser carregado. Seria como dar a empresas privadas poder de censura.
Nenhuma nação moderna, minimamente comprometida com a liberdade e com a democracia permitiria um tal poder nas mãos de empresas privadas. Especialmente se considerarmos que as empresas de telefonia no mundo tendem ao monopólio, e no Brasil prestam um serviço vergonhoso, pelo qual cobram preços aviltantes.
Que tal posição seja almejada pelas cia. telefônicas, e que elas façam um lobby muito forte junto aos políticos, não me surpreende. O que me causa enorme espanto é ver uma empresa de telecom vir a público defender uma tal posição. Isso é uma cara de pau sem paralelo e pede, sem dúvida, que os usuários votem com seu dinheiro, buscando boicotar uma tal empresa sempre que for possível.
Realmente ao criar a “obrigação de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, o Ministério, institui a questão obrigatória da neutralidade de rede.” e é exatamente isso que se espera que o Ministério faça enquanto quisermos ser chamados de país democrático. Esta é a mais elementar defesa da liberdade de expressão e comunicação para o cidadão brasileiro.
É preciso que esteja “Claro” para todos: Quem é contra a neutralidade da rede é contra a democracia.
“Contribuição: Exclusão do inciso IV
Justificativa: O tema da neutralidade de rede deverá ser amplamente debatido e estudado antes de haver um posicionamento fechado. Nem mesmo os mercados maduros conseguiram chegar à um consenso sobre a necessidade de se estabelecer a neutralidade.”
Assim como os comentários acima ja esclareceram, a neutralidade na rede é tao necessária quanto a própria rede. Não ha modelo plausivel de existencia da internet sem que esta seja neutra em si, no seu núcleo.
“Contribuição: inclusão do item VIII – Conteúdo
Justificativa: É necessária a conceituação do termo conteúdo, uma vez que ao estabelecer a sua remoção, a lei poderá criar uma forma de censura sobre os meios de comunicação. Sugerimos, portanto, a conceituação objetiva do termo conteúdo neste texto.”
Contribuição válida, resta um debate maior para esclarecer sua viabilidade e conteudo.
“Contribuição: Dar nova redação ao item II:
II – à não suspensão ou degradação da qualidade contratada da conexão à Internet, nos termos do art. 12, salvo por débito diretamente decorrente de sua utilização ou por motivos de força maior;
Justificativa: Não podemos deixar de considerar os fatores externos que podem forçar a suspensão ou degradação da qualidade da conexão contratada. Motivos de força maior, como por exemplo, catástrofes naturais ou climáticas, interrupção do fornecimento de energia, dentre outros, devem ser levados em consideração ao estabelecer os direitos dos usuários da internet no Brasil.”
“…motivos de força maior” é genérico em demasia, o que possibilita a inclusão de vários argumentos, possivelmente inválidos, com base neste trecho.
Sugiro:
II – à não suspensão ou degradação da qualidade contratada da conexão à Internet, nos termos do art. 12, salvo por débito diretamente decorrente de sua utilização ou dano causado diretamente por catástrofes naturais ou climáticas.
“Contribuição: Exclusão do Art. 12.
Justificativa: Cabe novamente a ressalva acerca do tema de neutralidade de rede. Ao estabelecer que o responsável pela transmissão, comutação ou roteamento, terá a obrigação de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, o Ministério, institui a questão obrigatória da neutralidade de rede. Reforçamos aqui a solicitação de que este tema deverá ser alvo de estudos e debates profundos antes de estabelecermos obrigatoriedade legal da neutralidade.”
Novamente, é uma afronta a sociedade estabelecer a existencia, ou sequer a possibilidade, de rede sem neutralidade.
“Contribuição: Nova redação ao item II
II – consentimento obrigatório e informado do usuário previamente ao tratamento, à distribuição a terceiros ou à publicação das informações coletadas, salvo por mediante ordem judicial; e
Justificativa: O consentimento do usuário deverá ser obrigatório ao tratamento e distribuição a terceiros ou a publicações acerca das informações coletadas. É importante que haja garantia do anonimato, salvo se por ordem judicial, os dados forem solicitados.
III – os dados que permitam a identificação do usuário somente poderão ser disponibilizados de maneira vinculada aos registros de acesso a serviços de Internet mediante ordem judicial.”
Sugiro exclusão da contribuição da Claro no item || e a inclusão do item III no Marco Civil.
Desta vez, por força maior, sinto-me compelido à fazer o registro no portal para contribuir com o Marco Civil da Internet. Por quê só agora? Porque antes todas contribuições foram pontuais e inteligentes, ou seja, à favor da democracia. Agora, surge a Claro questionando a neutralidade de rede. Questionar e incitar o debate sobre qualquer assunto possível é saudável? Sim. Neutralidade de rede se discute sim, mas quem é contra a neutralidade de rede é contra a democracia – isso é um fato inexorável, tão sólido e inescapável como o fato da consciência humana existir: cogito ergo sum.
Neutralidade de rede estabelece que os usuários tem o controle das aplicações e do conteúdo que pode ser visualizado pela internet. Um princípio funcional vigente desde sua concepção. Da mesma maneira que companias de telefonia não mandam no usuário, no sentido de proibir ligações para certos números, ou o que eles podem falar ao utilizar o serviço, operadoras de banda ou “common carriers” (transmissão, roteamento) não podem controlar a informação que corre nas vias da internet.
A internet é baseada na criatividade. Um site percorre uma via expressa livremente e tem a liberdade para inovar ou falhar, baseado em seu próprio mérito – e não em mesas de negócio (ou de censura implícita), que podem impedir o tráfego de determinado aplicativo, serviço ou endereço. Liberdade para inovar e falhar no mercado das idéias e da comunicação social. Isso suscita-me similaridades com o modelo capitalista. A Claro deveria gostar de capitalismo. Aliás, muitas corporações deveriam gostar de capitalismo. Mas quando a lógica de mercado e da LIBERDADE HUMANA constringe os planos surreais de lucro de algumas empresas, então uma dose de protecionismo e socialismo torna-se atraente, não é? Por que a rede não deve ser neutra? Pelo mesmo motivo que faz com que qualquer outro meio de comunicação seja via livre de expressão, sem controle sobre o conteúdo, cumprindo todas desde de que todos compromissos legais. São essas características que fizeram com que a internet seja símbolo – nesse caso, dinâmico e interativo – da comunicação como potente força econômica e social (para o bem através da competição livre de dados).
Quem é contra a neutralidade de rede é contra a democracia e contra uma aplicação eficiente e saudável da dinâmica de mercado capitalista.
Não apoio a contribuição referente ao Art. 7º, item II; e não apoio a contribuição ao artigo Art. 12. Apoio somente a discussão sobre o tema. As “common carriers” lidam com informações. Seu papel é transportá-las através de uma rede burra (dumb network), ou seja, uma rede que não faz distinções não-isonômicas maiores a cerca dos pacotes de informação, além da dinâmica dos protocolos padrões de comunicação.
A contribuição ao Art. 7º, item II, é tão demasiadamente subjetiva que chega a ser um assalto à nossa (falta de) inocência. “…motivos de força maior” é tem caráter subjetivo e generalizante. A flexibilização de termos é uma propriedade emergente de muitas legislações, mas estamos falando da queda de qualidade ou da suspensão do serviço e aí não nos serve o uso ineficiente de termos vagos. Portanto, como a própria descrição justificativa da Claro aponta – mas prefere misteriosamente esquecer na hora de editar o item original – causas extrínsecas como desastres naturais e fornecimento de energia devem ser consideradas sobre a queda na qualidade do serviço ou suspensão do mesmo e não termos ad hoc como “forças maiores”, que abrangem, por definição, infinitos significados dentro da rede semântica de idéias (ou de interesses) de cada um que se sirva do item.
[...] da Internet. Neste meio tempo diversas pessoas e empresas dera sua opinião, entre elas a operadora de telefonia móvel Claro. Interessante foi que a Claro explicitou seu pedido para que a Neutralidade de Rede na Internet [...]
O princípio da neutralidade da rede e o tratamento isonômico dos pacotes de dados devem ser resguardados não só no marco civil, mas em todos e quaisquer manifestos relacionados à internet, sob pena de manipular-se o tráfego de informações, cerceando-se a liberdade de expressão conforme a conveniência e os interesses das empresas de telefonia, como bem alertou o Rubens.