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  • Cicero Inacio da Silva publicou uma atualizção no grupo Logotipo do Grupo PNBL - Construindo políticas em redePNBL – Construindo políticas em rede: 9 anos, 5 meses atrás

    Caros, gostaria de contribuir com algumas sugestões que partiram das inúmeras discussões que realizamos no ano passado nas reuniões organizadas pela curadoria de arte digital do Fórum de Cultura Digital Brasileira, que, acredito, fazem parte do item conteúdo no PNBL:
    a) sobre o item descrito como “conteúdo” existe a necessidade relatada de buscarmos formas de “arquivos” públicos em sistemas de rede públicos e a sugestão que li em alguns fóruns diz respeito a utilizar espaços “parciais” em servidores de rede privados, que seriam dados como “contrapartida” social por um serviço explorado comercialmente. Veja isso com sérias ressalvas. Primeiro porque quem garantirá a existência e a permanência de uma empresa privada? Quem garantirá juridicamente que os arquivos armazenados serão guardados (e se forem vídeos ou programas importantes para a história nacional)? Em segundo lugar, esse item criaria uma animosidade com setores já tradicionalmente golpistas da mídia, que veriam isso como uma tentativa de “estatização” dos serviços privados de internet. Ou seja, se algum banco ou instituição privada já não faz nenhuma forma de apoio cultural que ajude a manter documentos históricos, promover a cultura, em qualquer âmbito e não se interessa por isso, só visando a exploração comercial no país, não será assim que eles se dobrarão a investir no país algum centavo.
    b) Uma saída para esse dilema de repositórios de conteúdos seria iniciar um processo de criação de servidores de dados (computadores com alto rendimento e performance) conectados em grid ou cloud e mantidos por órgãos reguladores de TI do governo federal, como a SERPRO ou algo do gênero, e a manutenção desses serviços, assim como ampliação de suas capacidades e serviços, realizadas pelas universidades federais interessadas em ser um pólo de servidores da cultura. Esses pólos poderiam ser criados via editais do CNPQ/FINEP, ou mesmo em parceria com a Capes. O Ministério da Cultura poderia entrar em algum acordo com o MEC para, como fizeram no Edital do Pró-cultura do ano passado entre CAPES e MinC, lançar uma modalidade de criação de infraestrutura cultural que serviria para a distribuição e armazenamento da cultura visual, textual e patrimonial histórica brasileira que já estivesse digitalizada.
    c) O funcionamento dessa rede poderia ser implementada pela RNP, que faria as conexões e disponibilizaria a banda necessária para o funcionamento desse sistema de redes de dados culturais públicos. A RNP seria responsável pela implementação da fibra e criação dos pontos de presença nas universidades públicas federais ou estaduais que aderissem e se interessassem pelo serviço de “provimento cultural”. Cada universidade seria responsável pela manutenção desse serviço de hospedagem, distribuição e, em parceria com a RNP, administração da rede.
    d) A criação desse “host” público de armazenamento de vídeos, áudios, programas televisivos públicos, entre outros, seria de inteira responsabilidade do Ministério da Cultura, que integraria uma forma de distribuição cultural como nunca visto antes. Esse sistema poderia ser, como disse, criado e mantido via editais de cooperação MinC/MEC (através do Capes) ou Minc/MCT (através da FINEP/CNPQ). O custo estimado de um edital anual para esse serviço seria algo em torno de R$ 100.000,00 (cem mil reais) em equipamentos para cada universidade interessada, mais o custo de instalação e tráfego de rede, que pode ser comparado com o serviço do Amazon Cloud neste link: http://aws.amazon.com/s3/#pricing . Uma estimativa de cabeamento entre a Universidade Federal de Juiz de Fora, onde trabalho, com um backbone no Rio de Janeiro para instalação de fibras para ampliação da rede para algo em torno de 10Gbps custaria algo em torno de 3 milhões em infraestrutura, que poderia não só ser utilizada nesse projeto, mas que ampliaria a capacidade de banda em toda a região da Mata mineira.
    e) A administração dos conteúdos dessa rede poderia ser realizada, em um primeiro momento, pelas secretarias de Cultura Digital e Audiovisual do MinC. Em um segundo momento, poderiam ser criadas funções de administração da cultura e arte digital no âmbito das Funartes (que poderiam também ser os espaços físicos para instalação dos servidores de rede ligados em rede).
    f) Das funcionalidades
    f.1) A rede de compartilhamento e publicação de vídeos do MinC deveria ser muito simples, como uma página do youtube ou vimeo. Cada usuário teria de criar um cadastro, simples e que contenha políticas de privacidade básicas como as do Google e do próprio youtube.
    f.2) A criação de uma conta no serviço seria para o armazenamento de vídeos com caráter cultural implícito e que tenham sido produzidos por, ou através de, incentivo público, seja via projetos de pesquisa de agências de fomento do MEC ou via editais de produção artística do MinC. Casos específicos poderão ser analisados, mas a prioridade deveria ser dada para a hospedagem de palestras, seminários, shows, encontros e eventos financiados pelas instituições públicas, como por exemplo a FLIP (http://www.cultura.gov.br/site/2009/07/01/flip-2009/), entre outros. Um exemplo poderia ser a utilização do sistema por pesquisadores no país, que poderiam criar uma conta para hospedar seus vídeos de seminários realizados em suas universidades.
    g) Dos conteúdos
    g.1) Cada usuário ou instituição é responsável pelo conteúdo publicado (vídeo) ou texto;
    g.2) o acesso ao serviço é realizado através de login e senha, após o cadastro no sistema ter sido autorizado pelos administradores da rede;
    g.3) os conteúdos serão tornados públicos em licenças de compartilhamento públicas (GPL ou CC) e os eventos fomentados com dinheiro público deveriam ser incentivados a disponibilizar os materiais audiovisuais ou impressos no sistema para consulta pública posterior. Por exemplo: a vinda de um pequisador ou autor importante que tenha sido filmada deveria ser postada no sistema para consulta pública;
    g.4) cada conta poderá “configurar” sua própria página no sistema, como atualmente permitem Flickr, Vimeo e youtube, para que os eventos ou mesmo autores possam inserir a sua marca pessoal em suas páginas;
    h) Do sistema
    h.1) Após criado o edital, cada universidade ou instituição contemplada pelo edital de servidores da Cultura deveria operacionalizar o sistema em um prazo de seis meses, contados da data da assinatura do contrato com as agências de fomento.
    h.2) o sistema seria integrado e as suas funcionalidades geridas por um admin central;
    h.3) O sistema de gerenciamento deve ser o mais simples possível, como dos sites comerciais já existentes;
    h.4) A hospedagem é ilimitada para os usuários públicos ou incentivados por meio de verba pública;
    h.5) os vídeos serão publicados e visualizados somente em sistemas livres (software livre), não sendo permitida a utilização de nenhum sistema de visualização (plug-in) de caráter privado;
    i) das Instituições
    i.1) Cada instituição interessada em hospedar ou disponibilizar seus conteúdos digitalizados no sistema pode fazer o seu cadastro e começar a postagem imediatamente;
    i.2) Alguns casos especiais, como as Cinematecas, deveriam ter uma atenção especial. Após retirados os entraves políticos de cerceamento de acesso aos acervos já em domínio público, mas só disponíveis fisicamente in loco, o MinC deveria disponibilizar nessa plataforma de conteúdos digitais públicos acesso aos filmes das cinematecas do Brasil, começando pelas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Esse acesso deveria ser garantido aos cidadãos brasileiros que pesquisam ou mesmo que queiram conhecer melhor a produção audiovisual brasileira. Para as universidades públicas, por exemplo, poderiam ser oferecidos acessos aos vídeos com qualidade superior ao vídeo tradicional, sendo que para isso a digitalização desses conteúdos poderia já ser realizada em ultradefinição. Nos casos da Funartes, também poderiam ser disponibilizados trabalhos ou resultados obtidos através das bolsas de fomento implementadas pela instituição, além do acervo já em domínio público. Uma sugestão é que cada edital dessas instituições já deveria prever a publicação dos resultados nesse “servidor de rede da cultura” do MinC.

    Bem, por enquanto é isso…continuo mais tarde….abs, Cicero