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  • Ricardo Vianna Barradas publicou uma atualização no grupo Logotipo do Grupo Arte e Cultura Negra Arte e Cultura Negra 1 mês, 4 semanas atrás

    Dentro da verdadeira historia da ourivesaria e joalheria na historia social escravocrata no Brasil, existe ainda uma interpretação equivocada quanto a fundamentação e motivação de toda uma serie de adornos confeccionados em metais preciosos, contas, miçangas, cocos, madeiras e de algumas gemas naturais em contas e canutilhos, comumente conhecidas hoje como ” Joia de Crioula ” entre os mais exigentes colecionadores. São na sua grande maioria joias femininas que eram exibidas pelas escravas domesticas que habitavam a pequena senzala, que não era a senzala da fazenda e sim uma pequena área demarcada com algum utilitário conforto quase ligada a Casa Grande, onde ficavam os espécimes que serviam as funções domesticas maiores e menores da família proprietária. Esta categoria ora equivocadamente vista como privilegiada de ” escravos e escravas” domésticos, por mais que desfilassem com tais adornos pelo corpo, os mesmos não os pertenciam e tao pouco destacavam os usuários como preferidos ou especiais de alguma forma de status pela comunidade escrava ou escravocrata. Na verdade tais adornos, revigoravam e exaltavam o poderio econômico e financeiro dos proprietários dos escravos – que em muitas vezes alegavam que até os espécimes domesticados ostentavam claros sinais de seu vasto e imperativo poder. Por conta disto, todos os ourives, prateiros e oficiais que confeccionavam estes tipos de adornos seguiam um verdadeiro manual de possibilidades do que era permitido fazer e utilizar e o que não era admissível de forma alguma para a composição e confecção de tais elementos. Diante disto os verdadeiros exemplares originais de época conhecidos, são em si bem semelhantes e seguem toda uma linha entrelaçamentos, amarrações e acabamentos bem peculiares. Da mesma forma que podemos distinguir as múltiplas criações que são realizadas neste período e nesta função com o uso exagerado de bolas ocas confeitadas com círculos de aramados retorcidos, correntes com elos portugueses e ora por outra suportes e alcas adornadas com pássaros na representatividade do espirito santo, da fé católica, mesmo que exibidos alegoricamente por aqueles que eram desprovidos de alma. Neste caso especifico, vale lembrar que não por uma questão de valor financeiro do metal simplesmente mas sim por uma questão de abundancia, oferta e facilidade de compra. A prata era sem duvida extremamente rara em solo brasileiro em contraponto as jazidas de ouro que eram encontradas por abundancia em diversas regiões. Por conta disto as ” Joias de Crioulas” originais de época confeccionadas em prata são mais raras e de certa forma entre os exigentes e eruditos colecionadores deste período. bem mais procuradas e cobiçadas para compor suas respectivas coleções. Nos últimos anos algumas coleções particulares foram expostas ao publico e para a comunidade artística e cultural brasileira, e com isto este tipo de colecionismo ganhou os olhos de uma grande população de novos colecionadores, amantes, pesquisadores, interessados e admiradores destes ricos exemplares da cultura negra deste período. No entanto este tipo de conhecimento era hermético até pouco tempo como os saberes e conhecimentos de só de pouquíssimos pesquisadores e estudiosos da área cultural e durante muito tempo com o total desconhecimento da ourivesaria e de todo mercado de compra e venda, de joia usada no meio joalheiro nacional brasileiro. Razão pela qual levou a uma serie incontável de desmanche, destruição, aniquilamento e fundição exageradas de raros e belíssimos exemplares deste período só pela questão de reaproveitamento do material dos metais preciosos utilizados para em reaproveitamento banal a atenderem a demanda das confecção de novas joias em encomenda pelas classes privilegiadas financeiramente sem qualquer distinção, valor artístico, histórico e originalmente criativos. Diante disto, infelizmente muita coisa de nossa verdadeira historia da cultura negra do Brasil se perdeu ou melhor derreteu.

    Ricardo Vianna Barradas