Camões, Espanca e Saramago na mesma prateleira digital

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Primeira edição portuguesa de “Os Lusíadas” (1572) na BNP: clique para folhear!

Como mostrado em um post há algumas semanas, o projeto da Biblioteca Digital Luso-Brasileira fez com que chegássemos mais próximos do acervo da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), que juntamente com a Biblioteca Nacional do Brasil levam ao público um diverso conteúdo em língua portuguesa.

Mesmo que ainda signifique só uma porcentagem pequena de seu acervo físico, a versão digital da BNP já conta com mais de três milhões de objetos online.

Com todas as obras do século 16 já digitalizadas, e a metade do século 17 em processo, para além do aspecto cronológico, a biblioteca segue uma Política de Digitalização de Coleções, onde estabelece critérios do que primeiro deve chegar ao acesso público via internet – como coleções especiais, obras raras e obras frágeis.

Diversidade de conteúdos
Livros, imagens, partituras e mapas raros não faltam nas coleções! De uma clássica primeira edição de “Os Lusíadas” (1572), de Luis de Camões, a um conjunto representativo de obras de Eça de Queiroz; há iconografias antigas, como da Imperatriz Leopoldina (1825), a objetos mais modernos, como um desenho da poetisa Florbela Espanca feito por seu irmão nos anos 20.

A poetisa Espanca em desenho dos anos 20

A poetisa Espanca em desenho dos anos 20

Dentre curiosidades disponíveis, o diploma de Prêmio Nobel de Literatura entregue a José Saramago, em 1998, chama atenção. O escritor, falecido em 2010, assim como outros autores representativos da literatura portuguesa, tem objetos organizados (manuscritos, agendas) em um sítio temático, facilitando assim as buscas em torno de arquivos pessoais de maior expressão.

Nos últimos anos, a média anual de visitantes da BNP na web tem sido em torno de 7 milhões, chegando a 600 mil por mês. Os brasileiros corresponderam, entre 2009 e 2012, a 36% do número total de acessos. Ou seja: os conteúdos digitais levam à BNP um número de usuários que seria impraticável sob o ponto de vista de frequência local – assim como acontece com a maioria dos projetos de digitalização de acervos.

Dona Leopoldina por Manoel Antonio de Castro (1825)

Dona Leopoldina por Manoel Antonio de Castro (1825)

Como a grande maioria das instituições de memória, os direitos autorais são questões “complexas e morosas”, e que retardam, quando não emperram, processos de digitalização. Atenta a tais questões, a biblioteca segue uma Política de Disponibilização Online de Conteúdos, tendo como padrão o Domínio Público.

Todo esse arsenal já gerou 160 Terabytes de dados a serem armazenados e preservados. Os recursos de manutenção e ampliação vêm tanto de recursos próprios quanto de fontes de fomento nacionais e internacionais.

Dentre novos projetos, a instituição busca expandir o aspecto da acessibilidade com uma biblioteca de conteúdos em braille e sonoros, assim como tem em vista reforçar laços com as redes sociais e com a comunidade, por meio de atividades de participação, como maratonas hackers e crowdsourcing.

Imagens: Biblioteca Nacional de Portugal

*Esse texto é resultado de participação em missão do Ministério da Cultura (MinC) a Portugal (Lisboa) e Reino Unido (Londres), entre os dias 4 e 8 de abril de 2016, financiada pelo projeto Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil 2015-2016, com foco em sistemas de informação e acervos digitais de cultura. Esta é uma visão pessoal dos fatos e não representa o ponto de vista dos demais membros da missão nem dos parceiros institucionais envolvidos na mesma.

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