Europeana: um olhar tropical – diário de bordo, parte 4

*Esse texto, integrado a uma série aqui publicada, foi escrito como resultado da minha participação na missão do Ministério da Cultura (MinC) à Holanda, financiada pelo projeto Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil 2015-2016, com foco em acervos digitais e no Encontro Anual da Rede Europeana 2015. Esta é uma visão pessoal dos fatos e não representa o ponto de vista dos demais membros da missão nem dos parceiros institucionais envolvidos na mesma.

 

Quinta, 5 de novembro de 2015

O tempo já não estava bom desde o dia anterior e fazia mais frio. Pegamos o trem para Haia (Den Haag) na Estação Central de Amsterdã. Haia seria, em ponto pequeno, a ‘Brasília da Holanda’: lá se encontram as sedes de ministérios e de importantes instituições públicas.

A primeira visita foi ao Arquivo Nacional (NA), localizado em um complexo de instituições-irmãs na própria Estação Central da cidade.

O Brasil é considerado um dos 10 países prioritários no Programa de Herança Cultura Mútua (HCM) desenvolvido pela instituição, dividindo o interesse com outras nações que estiveram diretamente envolvidas com o passado colonial neederlandês.

Além dos dados e objetos que remetem ao período da presença holandesa no Brasil (século 16), já organizados e divulgados, existe grande interesse pelas comunidades de descendentes que se formaram no país a partir do século 19, com a onda migratória após a abolição da escravidão por aqui.

Existe agora o interesse nas imagens da imigração holandesa para o Brasil no século 20”, afirmou Frans van Dijk, que responde pelo HCM. O projeto se propõe a digitalizar não só o que possuem em casa, mas realizar o mesmo processo com acervos encontrados no Brasil.

Quanto ao que deve estar na rede, van Dijk tem como referência para o processo de curadoria digital o interesse direto do público: as fontes mais procuradas pelos pesquisadores têm destaque, uma frente que visa dar respostas às demandas dos usuários. 

Ação em rede
Trabalhando em rede com 22 instituições locais e outros 32 países europeus, em um projeto regional de acervos online, o Arquivo Nacional da Holanda está avançando no processo de digitalização de suas coleções.

A meta é que em 15 anos tenham 10% dos seus acervos digitalizados – seguindo uma Estratégia Nacional para o Patrimônio Digital, proposto pelo Ministério da Ciência, Educação e Cultura (OCW) da Holanda, que visa desenvolver facilidades de infraestrutura intersetorial como foco no patrimônio digital.

Reunião da missão brasileira com equipe do Arquivo Nacional da Holanda

Reunião da missão brasileira com equipe do Arquivo Nacional da Holanda

Nossa próxima atividade era conhecer as iniciativas da Bibiloteca Nacional (KB), instituição fundada no século 18 e que guarda “milhares de quilômetros” de conteúdos, utilizando uma figura de linguagem que ouvimos por lá.

Dentre as diversas frentes do digital na qual estão envolvidos nos últimos anos, um dos projetos-piloto foi feito com a Google para digitalização de 230 mil volumes de suas obras. A parceria pública-privada deve agora se estender para as bibliotecas universitárias do país que também possuem expressivo acervo em Domínio Público: estima-se que 100 mil títulos, apenas da Universidade de Amsterdã, estarão disponíveis online nos próximos dois anos.

Estamos buscando sair dos nichos para trabalhar com o comum: o foco está no usuário e no que ele busca, com o intuito de melhorar a nossa comunicação com o público”, destacou Hans Jansen, da área de Inovação e Desenvolvimento da KB. “Mais importante do que um sistema próprio de busca é termos relevância na Wikipedia”, acredita.

A prerrogativa na KB é trabalhar com software livre e dados abertos (ampliar a utilização de Linked Open Data é uma das frentes), mas enfrentando os contínuos desafios do digital – como garantir que modelos-padrão para metadados relacionados a objetos culturais (como Lido e Dublin Core) não retirem o caráter diverso das coleções. 

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