Europeana: um olhar tropical – diário de bordo, parte final

*Esse texto, integrado a uma série aqui publicada, foi escrito como resultado da minha participação na missão do Ministério da Cultura (MinC) à Holanda, financiada pelo projeto Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil 2015-2016, com foco em acervos digitais e no Encontro Anual da Rede Europeana 2015. Esta é uma visão pessoal dos fatos e não representa o ponto de vista dos demais membros da missão nem dos parceiros institucionais envolvidos na mesma.

E lá íamos nós outra vez em direção a Haia: seríamos recebidos por nossos colegas do Ministério da Educação, Cultura e Ciência (OCW). Para evitar atrasos, algo que os holandeses parecem tolerar apenas vindo de estrangeiros, tivemos que comprar a comida na estação e ir comendo no trem – algo cotidiano para os locais mas pouco usual para nós.

Fomos recebidos pela diretora-geral de Cultura e Mídia, Marjan Hammersma, responsável pelas áreas de Mídia e Indústria Criativa, Patrimônio e Artes, e Política Internacional dentro do OCW.

A questão do patrimônio no espaço digital é considerada prioritária para a diretoria. O trabalho em torno do assunto teve início há mais de 10 anos e hoje se organiza em torno de uma estratégia nacional, envolvendo instituições públicas e parcerias privadas.

“Nossos desafios agora estão em torno da formação de redes e ampliação das parcerias”, reforça a diretora, cujo intuito é que instituições de memória tornem-se pivôs na montagem de estratégias de rede.

Reunião entre o Ministério da Cultura holandês e a missão brasileira

Reunião entre o Ministério da Cultura holandês e a missão brasileira

Mesmo com a economia estável, mas tendo enfrentado momentos de instabilidade há alguns anos, os recursos precisam ser continuamente perseguidos. Por isso, a sustentabilidade, por meio da prática do reuso, é uma das frentes essenciais.

“Temos projetos-piloto relacionados aos usos que os arquivos digitais podem ter nas diversas áreas do conhecimento, como turismo, educação e cultura”, reforça.

Assim como em outras áreas, a relação com Brasil é bastante profícua: em agosto de 2015, a ministra do páis esteve no Brasil para uma série de encontros com setores criativos, como foco tanto na internacionalização da cultura holandesa quanto na cooperação entre os dois países.

Cultura holandesa
Esse foi o tópico do nosso último encontro de trabalho em Amsterdã: conhecer um pouco do centro para cooperação internacional
DutchCulture, braço governamental que opera nas áreas de cultura, mídia e patrimônio, também com apoio da Comissão Europeia.

Passava das 17h (horário de rush na cidade, onde o dia começa cedo), chovia e estávamos atrasados para encontrar Josine Backhus – assessora para assuntos relacionados ao Brasil na instituição.

Após nos perdermos um pouco na cidade, chegamos ensopados ao encontro de Backhus na sede DutchCulture. Ela não teve dúvida e, muito gentilmente, quebrou o protocolo e convidou-nos para uma conversa em um café próximo – onde a cidade já fervilhava no happy hour de sexta-feira.

Josine falava um ótimo português: sempre teve interesse pela língua e fez pesquisa antropológica no Brasil quando na universidade. A conversa fluiu sobre temas de interesse da instituição, como a organização de eventos públicos em torno da cooperação bilateral, atividades artísticas e o patrimônio cultural que une os dois países.

É claro o interesse do governo holandês em reforçar a aproximação com o Brasil para além do aspecto comercial, e a cultura tem essa força. Ficou no ar uma série de ideias que ficamos de condensar e ampliar em um momento posterior.

A missão tinha pois chegado ao fim. Era tempo de fazer as malas e se preparar para a longa jornada de volta.

Fotos: divulgação

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