Europeana: um olhar tropical – diário de bordo, parte 1

*Esse texto, integrado a uma série a ser publicada nas próximas semanas, foi escrito como resultado da minha participação na missão do Ministério da Cultura (MinC) à Holanda, financiada pelo projeto Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil 2015-2016, com foco em acervos digitais e no Encontro Anual da Rede Europeana 2015. Esta é uma visão pessoal dos fatos e não representa o ponto de vista dos demais membros da missão nem dos parceiros institucionais envolvidos na mesma.

Segunda, 2 de novembro de 2015

Enfim, após cerca de 12 horas de viagem, uma esticada de pernas no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e logo chegamos em Amsterdã.

A cidade europeia das bicicletas e barcos como tranporte

Amsterdã: a cidade europeia das bicicletas como transporte e barcos como moradia

O clima estava ameno (durou pouco tempo) e a primeira impressão da cidade é, claramente, de que se está em um cenário muito peculiar – começando pelo gigantesco estacionamento de bicicletas logo ao lado da Estação Central!

O hotel não era distante e havia por perto uma rua cheia de restaurantes com comidas de diversos lugares do mundo: acabamos em um tailandês, que acalmou os brasileiros famintos…

Terça, 3 de novembro de 2015

A primeira visita técnica aconteceu no Rijksmuseum, o museu nacional holandês, com Henrike Hovelmann, do projeto Print Room Online, responsável por fazer as coleções acessíveis na rede.

Instalados em um prédio anexo ao museu (Ateliergebouw), Hovelmann e sua equipe cuidam do sistema de catalogação, digitalização e disponibilização online do acervo. O museu possui mais de um milhão de objetos e, atualmente, mais de 200 mil deles já se encontram digitalizados.

Rijks: coleções online acessíveis para reuso

Rijks: coleções online em domínio público

A equipe trata de componentes iniciais e essenciais do trabalho: do registro, acréscimo de metadados (annotations) sobre cada uma das peças – de campos básicos (como Título, Descrição, Materiais e Técnicas) a outros mais complexos (Assuntos, Direitos e Documentação) -, além da digitalização e a publicação online.

O trabalho dos técnicos é cuidadoso, e muitas vezes demorado, pois manuseiam diretamente os objetos do acervo – quando estivemos lá, estavam dedicados a série de desenhos e gravuras italianas antigas, assim como de fotografias contemporâneas.

A possibilidade de checar fontes já existentes na internet sobre as peças amplia ainda mais o escopo do trabalho minucioso da equipe. A média anual de entradas no acervo digital é grande: 40 mil novos registros de objetos por ano.

Após essa fase, é a vez da área de gestão de informações sobre as coleções entrar em campo. As questões relacionadas a dados abertos e troca de dados estão sob os cuidados da equipe da qual Inge van Stokkom faz parte.

Hovelmann apresenta o museu durante a primeira visita da missão

Hovelmann apresenta o museu durante a primeira visita da missão brasileira

O sistema de catalogação do Rijksmuseum é baseado em software proprietário de catalogação e gestão de coleções em museus chamado Adlib – considerado complexo para pequenos museus, mas que se adequa para um museu de grande porte como o Rijks.

A proposta da equipe é que o sistema seja o mais aberto possível e encoraje o público a fazer uso das coleções, especialmente as que estão em domínio público, como foco para o desenvolvimento de novas aplicações, fazendo do museu uma das instituições mais abertas do mundo para o reuso e colaboração em relação ao seu acervo.

Para van Stokkom,”a parte mais difícil do processo” está relacionada as questões de direitos autorais: o museu segue a regra holandesa (70 anos após a morte do autor) para a atribuição de Domínio Público.

Mas o tema não é pacífico, tendo em vista que há divergências entre os países europeus a respeito – questão que tem levado a União Europeia a propor uma revisão da lei para o continente. A conversa estava muito boa, mas tínhamos que ir!

Seguimos então para a revitalizada região das docas de Amsterdã, onde o encontro anual da Rede de Associações Europeana (AGM 2015) estava programado para acontecer nos dias 3 e 4 no curioso prédio Parkhuis de Zwijger (continua).

 Fotos: Zonda Bez

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