Europeana: um olhar tropical – diário de bordo, parte 2

*Esse texto, integrado a uma série aqui publicada, foi escrito como resultado da minha participação na missão do Ministério da Cultura (MinC) à Holanda, financiada pelo projeto Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil 2015-2016, com foco em acervos digitais e no Encontro Anual da Rede Europeana 2015. Esta é uma visão pessoal dos fatos e não representa o ponto de vista dos demais membros da missão nem dos parceiros institucionais envolvidos na mesma.

Terça, 3 de novembro de 2015

Unir a Europa por meio da cultura, disponibilizando digitalmente milhões de itens que representem o patrimônio do continente, é a proposta do projeto Europeana.

A partir de ações iniciadas ainda em 2005, no âmbito de uma Agenda Digital para a Europa, desenvolvida pela Comissão Europeia com apoio dos estados membros, o projeto tomou forma a partir de 2010. 

Com cerca de 3,3 mil instituições europeias conectadas e mais de 33 milhões de itens online – e isso soma apenas 10% de todo o patrimônio cultural do continente! – a Europeana torna-se, ao lado da Digital Public Library of America (DPLA), referência de integração de dados e acesso público para o diverso patrimônio cultural de 28 países europeus, tendo foco na colaboração, recursos e dados abertos.

O consultor brasileiro Bouabci no AGM 2015

O consultor brasileiro Bouabci no AGM 2015/Foto: Sebastian Ter Burg

A assembleia geral da rede, em 2015, recebeu 240 representantes. O intuito era tanto prestar contas do ano que findava quanto explicitar a programação para 2016 – assim como projetar o papel da comunidade Europeana até 2020.

Com orçamento baixo (a previsão é de algo em torno de 55 mil Euros para este ano), dentre as preocupações atuais da rede Europeana estão a visibilidade e a sustentabilidade a longo prazo do projeto.

A presença brasileira
O Brasil, representando pela missão do Ministério da Cultura (MinC), financiada pelo projeto
Diálogos Setoriais União Europeia (UE)-Brasil, e único país não integrante da rede presente ao evento, teve um momento de destaque neste dia com a apresentação de Luiz Bouabci – especialista em Inteligência Coletiva e o expert brasileiro contratado para a ação do MinC apoiada pela UE.

Bouabci destacou a importância de uma ferramenta que dê subsídios para a formatação de uma política de acervos digitais no Brasil, com destaque para a preservação de culturas tradicionais ameaçadas.

A facilidade de uso e o baixo custo de instalação, assim como suas funcionalidades como a definição dos conjuntos de metadados, importação e categorização de múltiplos objetos ao mesmo tempo, além da importação de dados de mídias sociais, foram o cerne da apresentação em torno da Tainacan – solução que está sendo desenvolvida pelo Laboratório de Políticas Públicas Participativas da Universidade Federal de Goiás (UFG), com recursos da Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (MinC).

Os participantes do AGM 2015 reunidos no Rijksmuseum

Os participantes do AGM 2015 reunidos no Rijksmuseum/ Foto: divulgação

O fato de termos começado tarde com uma política nacional de digitalização de acervos nos dá a vantagem de aprender com a experiência da Europeana”, acredita Bouabci.

“Há, nesse sentido, um vasto campo de cooperação. Mas é claro que nossa forma de abordagem também oferece insumos para os processos da Europeana, o que faz com que a dinâmica se dê de forma bilateral, não como transferência de conhecimento e sim como troca”, aposta.

O dia foi intenso e produtivo, mas ainda não tinha acabado: era hora de relaxar e confraternizar com todos os participantes em um jantar de boas-vindas oferecido pelo evento no Rijksmuseum. Além de aproveitar o momento para conversar informalmente, tivemos ainda a chance de fazer uma visita noturna e privada às pérolas do museu: toda uma galeria dedicada às obras de Veermer e Rembrandt.

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