Gulbenkian aposta na arte e arquitetura portuguesas online

Capa de teatro de cordel português (1768) da coleção Gulbenkian

Capa de teatro de cordel (1768)/Fundação Gulbenkian

Nem só de exposições (e um belo jardim) vive a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Dedicada às questões de cultura, educação e ciência, tem sido por meio de sua Biblioteca de Arte, onde se conservam e divulgam fundos documentais especializados em artes visuais e arquitetura, que a fundação têm levado ao conhecimento público conteúdos digitais relevantes.

Desde o início dos anos 2000 foi posta em pauta a importância da digitalização e disponibilização pública de acervos que estão sob a guarda da instituição, que passou também a ocupar um espaço até então vazio na web relacionado a pesquisas sobre movimentos artísticos, memória e história da arte em Portugal.

Uma das primeiras a ser digitalizada, a coleção Teatro de Cordéis é formada por papéis volantes e pequenos folhetos, manuscritos e impressos entre 1692 e 1886, e serviu de ‘tubo de ensaio’ para a equipe da Gulbenkian estabelecer parâmetros técnicos iniciais para o que viria a seguir. Atualmente, essa coleção conta com 530 registros online.

Entre 2004 e 2008, após receber fomento de fundos europeus para seguir realizando o trabalho, se estabelecem procedimentos para a digitalização: as escolhas recaem sobre documentos de coleções especiais, considerados raros e únicos pelos curadores, além de publicações correntes da fundação. O processo de seleção do que será digitalizado tornou-se contínuo, sendo definido anualmente.

Acervos de interesse
Organizada em três grandes núcleos (Espólios de Arquitetura, Coleções Textuais e Coleções Fotográficas), os objetos das coleções digitais estão disponíveis para visualização ou download na base de dados da instituição. Parte das coleções, assim como os metadados, também estão disponíveis na biblioteca digital Europeana – o que amplia ainda mais as possibilidade de acesso.

Familiares e amigos do pintor Souza-Cardoso: espólio do artista está online

Familiares e amigos do pintor Amadeo Souza-Cardoso: espólio do artista está online/Fundação Gulbenkian

há acervos de grande interesse internacional como, por exemplo, o espólio do pintor modernista português Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918).

Formado por manuscritos, fotografias, arquivo pessoal, recortes de imprensa, e mesmo objetos pessoais, a coleção digital, que contém itens melhor preservados que outros, oferece um amplo espectro sobre a vida e trajetória do artista entre Portugal e França.

Diferentemente da coleção de cordéis, que não possui termos e condições de utilização das cópias digitais, ficando sob o guarda-chuva da titularidade da fundação, a coleção de Souza-Cardoso, assim como outras do século 20, ainda está, em grande parte, submetida a direitos de autor e direitos conexos, sendo possível a consulta completa dos itens apenas na rede interna da biblioteca.

Ilustração da obra "Azulejaria portuguesa no Brasil (1500-1822)"/Fundação Gulbenkian

Ilustração da obra “Azulejaria portuguesa no Brasil (1500-1822)”/Fundação Gulbenkian

Já 15 mil imagens do acervo fotográfico da Gulbenkian encontram-se sob uma das licenças Creative Commons em perfil da rede social de imagens Flickr – que conta com quase 5 mil seguidores. Os temas das imagens disponíveis, além de arte e arquitetura, incluem patrimônio cultural, efemérides, personalidades e mesmo esportes.

Por último, mas não menos importante, uma das maiores representações da cultura portuguesa, a arte da azulejaria, tem destaque entre as coleções digitais da fundação – tanto que ganhou até página web própria!

A Biblioteca Digitile: azulejaria e cerâmica online apresenta coleções especiais dos fundos da Biblioteca de Arte, bem como estudos contemporâneos sobre tais coleções. Projeto realizado em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, estão disponíveis mais de 5 mil imagens digitais de fotografias de azulejos, além de centenas de desenhos de padrões, dentre outras documentações.

*Esse texto é resultado de participação em missão do Ministério da Cultura (MinC) a Portugal (Lisboa) e Reino Unido (Londres), entre os dias 4 e 8 de abril de 2016, financiada pelo projeto Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil 2015-2016, com foco em sistemas de informação e acervos digitais de cultura. Esta é uma visão pessoal dos fatos e não representa o ponto de vista dos demais membros da missão nem dos parceiros institucionais envolvidos na mesma.

Foto (destaque): A atriz Amélia Rey Colaço na coleção Flickr/Fundação Gulbenkian

 

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